Um estudo feito pelos pesquisadores Thomas Keller, da universidade de Uppsala (Suécia), e Dani Or, do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique (Suíça), constatou que o peso das máquinas agrícolas hoje já é maior do que a maioria dos dinossauros que pisou na Terra. Isso porque os saurópodes, considerados os maiores entre os gigantescos animais, pesavam cerca de 60 toneladas, semelhante ao peso de uma colheitadeira totalmente carregada.

Nos últimos 60 anos, o peso de tratores e máquinas utilizadas em fazendas aumentou de forma considerável, conforme se deu o avanço da agricultura intensiva e em larga escala. Atualmente, por exemplo, uma colheitadeira é quase dez vezes mais pesada do que nos anos 1960. Neste sentido, o peso das máquinas agrícolas, tanto quanto o dos animais na época dos dinossauros, é importante porque certas superfícies sofrem pressão excessiva e acabam sendo compactadas de forma crônica. Solos são ecossistemas frágeis e pneus, cascos de animais e pés humanos aplicam pressão e esmagam os poros — responsáveis pela circulação do ar —, não apenas na superfície como de forma mais profunda.

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Segundo o estudo, a compactação do solo reduz o crescimento das colheitas e aumenta o risco de inundações, à medida que a água escorre da terra mais rapidamente. Os pesquisadores acreditam, portanto, que a compactação provacada pelas máquinas agrícolas gigantes é semelhante ao dos dinossauros saurópodes que viveram 66 milhões de anos atrás.

Dinossauros saurópodes
Fóssil de um dinossauro saurópode no Museu Municipal Carmen Funes, na Argentina (William Irvin Sellers, Lee Margetts, Rodolfo Aníbal Coria, Phillip Lars Manning/Wikimedia/CC)

Máquinas agrícolas são capazes de perfurar mais de 20 cm no solo

O estudo aponta ainda que o peso das máquinas agrícolas cresceu proporcionalmente ao dos pneus, ajustando a área de contato do veículo com o solo para reduzir a pressão na superfície. Segundo os pesquisadores, a evolução dos animais teve um desenvolvimento semelhante: o tamanho do pé dos dinossauros cresceu à medida que eles tentavam evitar o afundamento no solo.

Ao mesmo tempo, embora a degradação do superfície não tenha sido grande, as tensões no núcleo do solo se intensificaram à medida que as máquinas ficaram pesadas. De acordo com o estudo, assim como os dinossauros do passado, as máquinas agrícolas são tão pesadas que elas são capazes de perfurar o solo de forma irreparável além da linha de 20 centímetros onde geralmente é lavrado. Isso restringe a profundidade das raízes e cria condições de baixo oxigênio que não são boas para as plantas e organismos que compartilham o solo.

Ainda segundo a pesquisa, 20% das terras agrícolas em todo o mundo correm alto risco de perder produtividade devido à compactação do subsolo por veículos agrícolas modernos. Os maiores riscos são na Europa e na América do Norte, onde é úmido e há mais fazendas usando máquinas maiores. O problema tem mais a ver com paisagens aráveis, mas também se estende a paisagens urbanas onde o movimento de veículos de construção não é controlado.

Crédito da imagem principal: Denys Braslavets/Shutterstock

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