Nesta quarta-feira (20), completam-se 53 anos da chegada do terceiro estágio do foguete Saturno V à Lua, levando os astronautas Neil Armstrong, Buzz Aldrin e Michael Collins, por meio da missão Apollo 11, da NASA.

O módulo Eagle pousou às 17h17 (pelo horário de Brasília) do dia 20 de julho de 1969, com Armstrong e Aldrin a bordo, enquanto Collins permaneceu orbitando a Lua no módulo de comando Columbia, em constante contato com os companheiros de missão.

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Seis horas depois da alunissagem, Armstrong colocou o primeiro pé em solo lunar, proferindo a célebre frase que entrou para a história: “Um pequeno passo para um homem, um grande passo para a humanidade”. 

E ele não poderia estar mais certo. Além dele e de Aldrin, mais dez homens puderam vivenciar essa incrível experiência, sendo Harrison Schmitt o último deles, durante a missão Apollo 17, em 1972.

Até agora, nenhuma mulher teve a oportunidade de colocar os pés em solo lunar, mas isso está muito próximo de acontecer, graças ao programa Artemis, projetado pela agência espacial norte-americana para levar a humanidade de volta à Lua, o que deve acontecer entre 2025 e 2026.

Exatamente pela presença feminina na próxima missão lunar é que o programa recebeu esse nome, que faz referência à deusa grega da caça, da natureza e da castidade, também considerada protetora das mulheres, das crianças e dos partos, que era filha do rei dos deuses, Zeus, com a titã Leto.

No entanto, essa não é a única diferença entre as missões Artemis e aquelas que levavam o nome de seu irmão gêmeo, o deus do Sol, da música, das artes, da Medicina, da profecia e da Justiça.

Entenda as diferenças entre os dois programas da NASA de viagens à Lua

Vale destacar, primeiramente, o contexto histórico em que cada programa foi desenvolvido. As missões Apollo ocorreram em plena Guerra Fria, um conflito político-ideológico que foi travado entre os EUA e a União Soviética (URSS), entre os anos de 1947 e 1991.

Essas dissidências refletiam na corrida espacial disputada entre os dois países. “Aquelas missões iniciais para a Lua tinham um único objetivo primário: sermos os primeiros a pousar na Lua”, revelou em certa ocasião Sean Potter, da assessoria de comunicação da NASA. 

Isso significa que, muito além de um projeto de exploração científica, o programa Apollo era uma campanha para atestar a superioridade norte-americana em relação à URSS.

Foguetes Saturno V, usados nas missões Apollo e Skylab. Imagem: Wikipedia – Creative Commons

Embora ainda existam conflitos – cada vez mais acentuados – entre a agora Rússia e os EUA (sem deixar de citar a China), o programa Artemis não está limitado a uma disputa de ego entre essas grandes potências.

“Nossa meta [com o programa Artemis] é estabelecer uma presença humana sustentável para toda a humanidade, então as espaçonaves de hoje são construídas segundo padrões internacionalmente reconhecidos, para acomodar diferentes sistemas”, explica Potter. 

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Podemos comparar as missões Apollo a acampamentos de fim de semana, enquanto o programa Artemis visa instalar uma “segunda morada” para a espécie humana na Lua. Para estabelecer uma base fixa de exploração do nosso satélite natural, a NASA está liderando esforços junto a empresas e outras agências para construir a Gateway, uma estação espacial internacional na órbita lunar – o que implica na necessidade de muitos recursos tecnológicos, que requerem, obviamente, investimento financeiro pesado.

Outra diferença são as áreas de exploração. Enquanto as missões Apollo deram acesso a regiões limitadas da Lua, as missões Artemis deverão ser muito mais abrangentes. “Queremos explorar toda a superfície, e a estação Gateway nos permitirá pousar em qualquer lugar”, disse o porta-voz da NASA. “É um novo programa pensado para ter um legado mais duradouro, com a promessa de ser a primeira etapa de nossa expansão pelo Sistema Solar”.

Não podemos deixar de citar os veículos envolvidos em cada um dos programas. Conforme dito anteriormente, para as missões Apollo era utilizado o foguete Saturno V, também usado nas missões Skylab (a primeira estação espacial norte-americana). 

Era um foguete multiestágios, alimentado por cinco poderosos motores F-1 no propulsor e por seis motores J-2 nos estágios seguintes (cinco no segundo e um no terceiro). Chamados S-IC, S-II e S-IVB, esses três usavam oxigênio líquido como oxidante. O primeiro estágio usava RP-1 como combustível, enquanto os segundo e terceiro usavam hidrogênio líquido.

Com 110 metros de comprimento, diâmetro máximo de 10 metros e pesando quase três mil toneladas, o Saturno V foi, e, por enquanto, ainda é, o maior foguete totalmente operacional já lançado. Seu nome tem relação com a família de foguetes anteriores: os Júpiter.

Abastecimento do SLS, que vai levar a missão Artemis-1 para a Lua na plataforma 39B do Kennedy Space Center em Cabo Canaveral, Flórida
O complexo veicular Space Launch System (SLS), que será usado pela NASA, nas primeiras nove missões do Programa Artemis. Imagem: NASA/Joel Kowsky

As primeiras missões Artemis vão contar com o complexo veicular reutilizável chamado Space Launch System (SLS), composto pelo lançador e pela cápsula Orion. Juntos, eles somam 98 metros de altura e pesam 2,6 mil toneladas.

Por fim, em relação a custos, enquanto as missões Apollo, juntas, somaram aproximadamente US$107 bilhões em investimentos, a NASA já investiu US$35 bilhões no programa Artemis, antes mesmo da missão teste não tripulada ser lançada.

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