No dia 15 de janeiro de 2022, o vulcão Hunga Tonga-Hunga Ha’apai entrou em erupção, causando destruição generalizada à nação insular de Tonga, no Pacífico Sul.

Além de expelir material vulcânico de até 58 km na atmosfera, ele provocou um tsunami avassalador e criou um estrondo sônico que ondulou (por duas vezes) em todo o mundo.

Satélites orbitando a Terra se esforçaram para capturar imagens e dados das consequências do desastre. Agora, um ano depois, podemos ouvir uma sonificação da maior erupção do século 21, criada usando dados de vento da missão Aeolus, da Agência Espacial Europeia (ESA).

O vulcão vinha entrando em erupção esporadicamente desde 2009, mas a atividade aumentou no fim de dezembro de 2021, com uma série de episódios sucessivos de explosões de gases vulcânicos expelidos da abertura. 

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Após a tragédia de 15 de janeiro, ondas de choque atmosférico, estrondos sônicos e ondas de tsunami viajaram por todo o mundo. O evento também criou uma enorme pluma de vapor de água que foi disparada para a estratosfera da Terra – o suficiente para encher mais de 58 mil piscinas olímpicas.

Vários satélites de observação da Terra coletaram dados antes, durante e depois da erupção. Os cientistas que trabalham no Aeolus Data Science Innovation Cluster usaram dados da missão para rastrear a explosão vulcânica, graças à coleta quase em tempo real pelo Ambiente de Pesquisa Virtual Aeolus.

“Um dos aspectos mais impressionantes da missão Aeolus é a rapidez com que os dados são obtidos pelos cientistas – quase todos em menos de três horas. Os dados são exibidos em um ambiente de pesquisa virtual de interface bonita e fácil de usar, chamado ViRES, a partir do qual podemos detectar facilmente tendências”, declarou Tommaso Parrinello, da ESA, numa entrevista ao Wild Alchemy.

Em um artigo recente publicado na revista Nature, uma equipe de cientistas mostrou o aumento sem precedentes na massa global de água estratosférica em 13% (em relação aos níveis climatológicos) e um aumento de cinco vezes na carga de aerossóis estratosféricos – o mais alto das últimas três décadas.

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Usando uma combinação de dados de satélite, além dos dados do satélite Aeolus, e observações terrestres, a equipe descobriu que, devido à altitude extrema, a pluma vulcânica circundou a Terra em apenas uma semana e se dispersou quase polo a polo em três meses.

A natureza única e a magnitude da perturbação estratosférica global pela erupção de Tonga a classificam entre os eventos naturais mais notáveis da era da observação moderna.

Mesmo um ano depois, o interesse na extraordinária erupção explosiva permanece. 

Como o som da erupção de Tonga foi obtido

Usando dados de vento obtidos sobre a nuvem de cinzas da explosão de Hunga Tonga, o compositor, produtor e artista sonoro Jamie Perera, de Londres, na Inglaterra, usou uma amostra de áudio de uma das ondas de choque, esticou-a no tempo em um tom fantasmagórico e atribuiu-a a valores harmônicos transcritos de 90 leituras de Aeolus tomadas ao longo de aproximadamente 15 minutos.

O que se ouve é uma leitura a cada dois segundos, em uma faixa harmônica que abrange seis oitavas de piano, a mais alta das quais pode ser ouvida por volta de 01:18 minuto, quando as leituras mostram a pluma de poeira da erupção em seu pico mais alto (mais de 20,5 km). 

Perera diz que a intenção artística por trás da sonificação era evocar a paisagem sobrenatural de Hunga Tonga e outros vulcões. “Foi importante para mim trabalhar com o som das ondas de choque de Hunga Tonga, aplicadas aos dados do Aeolus. Estou curioso sobre como ouvir os dados pode nos ajudar a explorar eventos como esse de perspectivas factuais e emocionais”.

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