Neste sábado (28), uma das maiores tragédias da história dos lançamentos espaciais completa 37 anos. Eram 11h38 da manhã (hora local) do dia 28 de janeiro de 1986, em Cabo Canaveral, na Flórida, quando sete pessoas embarcaram a bordo do ônibus espacial Challenger, que explodiu pouco depois da decolagem – espalhando seus destroços pelo Atlântico ao longo da costa e matando todos os tripulantes.

Quem estava assistindo ao evento pessoalmente demorou para perceber que se tratava de um acidente fatal, afinal, há tanto fogo normalmente nas decolagens, que muitos achavam que fazia parte do processo – principalmente, porque continuaram ouvindo a comunicação da base da NASA em Houston, que não interrompeu a narração de dados.

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Mas o fato é que, com um minuto e doze segundos de voo, a 14 km de altura, houve a primeira explosão, em um dos dois tanques de combustível sólido do foguete – visível apenas pelas câmeras de TV. Em seguida, veio a explosão maior, no tanque de combustível líquido, que foi vista por todos – embora poucos tenham, de imediato, entendido a gravidade do fato.

Primeira cidadã americana comum a ir ao espaço foi uma das vítimas

Embora a missão conduzida pelo gigantesco tubo de aço de mais de 100 toneladas, que estava avaliado em mais de US$1 bilhão, tivesse vários objetivos técnicos, a maior atenção da mídia e dos espectadores estava concentrada em Christa Sharon Mcauliffe, de 37 anos, a primeira professora americana a ir ao espaço. 

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Membros da tripulação da missão STS-51L, do ônibus espacial Challenger: sentados, Michael J. Smith, Francis R. “Dick” Scobee e Ronald E. McNair; em pé, Ellison S. Onizuka, Christa McAuliffe, Gregory B. Jarvis e Judith A. Resnik. Imagem: NASA

Na verdade, ela foi a primeira cidadã sem funções técnicas nem compromissos com a NASA a participar de uma missão espacial. McAuliffe foi selecionada entre 11 mil candidatos para aquele voo e, no dia seguinte, daria uma aula diretamente do espaço para 2,5 milhões de alunos – muitos dos quais estavam assistindo, em tempo real, ao lançamento da professora. Além deles, o marido, os filhos e os pais dela viram e aplaudiram a decolagem. 

Como tudo foi transmitido ao vivo, aqueles que estavam assistindo pela televisão – incluindo alunos da professora McAuliffe, além de familiares e amigos dos outros seis tripulantes (outra mulher mais cinco homens) – perceberam a tragédia primeiro. Não demorou muito para que o país – e o mundo todo – ficasse estarrecido com o desastre.

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Depois de quatro meses de investigação, uma comissão nomeada pelo Presidente Ronald Reagan, concluiu que a causa principal do acidente foi um vazamento de combustível provocado por um defeito em um dos anéis de vedação do foguete propulsor.

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Um grande contingente de pessoas e instituições se mobilizou para realizar as ações de resgate dos corpos e destroços. Além disso, foram utilizados equipamentos de ponta, como submarinos de pesquisa, submersíveis robóticos, entre outros aparatos, para vasculhar a área. A partir dessas buscas, foram recuperadas 188 toneladas de material. 

Em 2015, a NASA decidiu exibir partes da fuselagem do Challenger no memorial “Forever Remembered”, no Complexo de Visitantes do Centro Espacial Kennedy, na Flórida. Recentemente, uma das maiores peças do veículo foi encontrada por uma equipe de reportagem da emissora de TV History Channel. Esse achado também deve ser encaminhado ao memorial da agência.

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