Para muitas pessoas, o deslocamento ideal é uma caminhada curta ou um passeio de bicicleta até um escritório próximo – longe das distrações de casa, mas sem envolver longa viagem no trânsito ou várias transferências em transporte público.

Se você está tentando convencer sua empresa a deixá-lo trabalhar em espaço de coworking próximo ou a montar escritório satélite em sua vizinhança, aqui está outro argumento: isso pode ajudar a reduzir as emissões de carbono.

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Um novo relatório analisou alguns cenários diferentes para o trabalho, incluindo deslocamento tradicional de cinco dias para um escritório no centro da cidade, dividindo o tempo entre casa e escritório central e trabalhando em espaço de coworking ou escritório satélite por não mais que 15 ou 20 minutos de bicicleta de casa.

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Ele comparou não apenas as emissões do transporte (com suposição de que as pessoas ainda dirigiriam em trajetos curtos em muitas cidades), mas também a energia usada em cada edifício. Os escritórios próximos de casa tiveram pegada de carbono até 90% menor do que trabalhar em sede central diariamente.

A Arup, empresa global de design e engenharia, trabalhou no relatório com a IWG, empresa que constrói prédios de coworking e escritórios compartilhados em todo o mundo.

“A realidade é que muitas pessoas – e é número crescente mensalmente – estão ocupando escritórios perto de onde moram”, diz o CEO do IWG, Mark Dixon. A empresa viu a receita crescer 24% no ano passado e planeja abrir até mil novos locais no próximo ano.

Dixon diz que está vendo demanda crescente à medida que os arrendamentos corporativos de longo prazo expiram e as empresas desejam oferecer aos funcionários opções mais flexíveis de onde trabalhar. Algumas cidades, como Paris, também querem dar às pessoas mais opções para trabalhar perto de casa como parte do modelo de cidade de 15 minutos.

Uma pesquisa recente descobriu que, nos EUA, cerca de 12% dos trabalhadores atualmente trabalham em casa o tempo todo, 60% sempre trabalham no escritório e 28% têm acordos de trabalho híbrido.

O relatório analisou seis cidades como exemplos e descobriu que o benefício ambiental do trabalho híbrido depende da cidade. Em Los Angeles, dependente de carros, o deslocamento tradicional tem três vezes o impacto do deslocamento em Londres, onde muito mais pessoas usam transporte público para trabalhar; o cenário de emissões mais baixas em Los Angeles, com pessoas trabalhando perto de casa, tem quase o mesmo impacto que o pior cenário tradicional em Londres.

Em Los Angeles, uma mudança do deslocamento padrão para o trabalho em escritório local poderia reduzir as emissões em 87%. Mudar de típico trajeto americano para combinação de trabalho em casa, escritório local e sede central reduziu as emissões em 79%. Em Atlanta, trabalhar em escritório local pode reduzir as emissões em 90%.

Embora o relatório tenha considerado os padrões atuais de deslocamento – portanto, é provável que alguém em Los Angeles, por exemplo, dirija mesmo se estiver percorrendo curta distância -, também observou que poderia haver mais benefícios se os escritórios compartilhados estivessem estrategicamente localizados em locais que são acessíveis a pé ou de bicicleta, e à medida que o acesso à ciclovia e outras infraestruturas melhoram.

O impacto total também depende das especificidades de cada edifício. O relatório usou as próprias taxas de ocupação do IWG, que agora são muito mais altas do que edifícios de escritórios típicos, para calcular que o uso de energia por pessoa é menor em espaços não tradicionais (o IWG também opera seus prédios com 100% de energia renovável, embora isso não tenha sido fator no relatório).

O relatório não comparou os cenários com o trabalho totalmente remoto. Mas algumas outras pesquisas ilustram como os detalhes podem ser complicados – quando você está trabalhando em casa, o uso de energia doméstica pode aumentar, por exemplo.

E, se você parar de dirigir para ir ao trabalho, as viagens de carro para outras tarefas também podem aumentar. Outra ferramenta ajuda as empresas a calcular o potencial impacto climático das políticas de trabalho remoto.

Com informações de Fast Company

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