Seis meses de pandemia e seis fatos já conhecidos sobre a Covid-19

Apesar do mundo ainda aguardar ansiosamente a vacina que promete imunizar contra o vírus, seis evidências já devem ser consideradas

Leticia Riente, editado por Daniel Junqueira 23/09/2020 17h59
Seis meses de pandemia e seis fatos já conhecidos sobre a Covid-19
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Decretada em 11 de março de 2020 com status de pandemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença causada pelo novo coronavírus, a Covid-19, mexeu com a rotina não só dos brasileiros, mas também de milhões de pessoas ao redor do mundo. Tornou-se normal, e obrigatório, usar máscara de proteção facial no Brasil, prática que antes não era comum no país. Hábitos como lavar as mãos, usar álcool em gel, entre outras medidas de higiene, nunca fizeram tanta diferença no cotidiano. O isolamento social também foi uma consequência da pandemia, levando inclusive as economias de vários países ao colapso.


Desde então, cientistas e profissionais da área da saúde têm trabalhado incansavelmente para cuidar dos doentes, prevenir contra a Covid-19, além de tentar achar a cura para a doença. Várias vacinas estão em andamento, mas até que elas sejam aprovadas, é preciso considerar o que pesquisadores já descobriram sobre a enfermidade e sobre o vírus, utilizando destas informações para tentar mitigar o contágio pela doença. Em seis meses de estudos, veja seis fatos que já se sabe sobre a Covid:

Sintomas persistentes

Ao contrário do que se pensava no começo da pandemia, alguns dos sintomas da doença podem perdurar por muitos dias. De início, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, por exemplo, sugeria que a maioria dos americanos que testaram positivo para Covid estariam livres do vírus em dez dias, a menos que o quadro precisasse ser encaminhado ao hospital.

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Sintomas podem persistir por mais tempo do que se imaginava. Créditos: Annie Spratt/Unsplash

Mas uma nova pesquisa, realizada pela Universidade de Módena e Reggio Emília, na Itália, mostra que pacientes confirmados com a doença devem esperar mais de um mês para fazer o exame novamente e confirmar se ainda estão com o vírus ou não. Isto porque antes deste período, há grandes chances de um falso negativo.

Para esta pesquisa, foram observados 1.162 pacientes. Estas pessoas foram testadas novamente da seguinte forma: 15 dias depois do primeiro teste, 14 dias depois do segundo teste e nove dias depois do terceiro exame. Os períodos foram definidos com base nas recomendações do Centro Europeu para Controle e Prevenção de Doenças.

Resumidamente, a pesquisa sugeriu que um em cada cinco testes negativos são falsos negativos. Isso significa que apesar de resultados que dizem o contrário, muitas pessoas ainda podem estar doentes e disseminando o vírus por onde passam.

Tecnologia como aliada

Um dos caminhos que muitos governos e instituições encontram para informar melhor a população sobre a doença, seus sintomas e tratamentos, foi por meio da tecnologia. Nesta linha, destaca-se o aplicativo “Covid Symptom Study”, introduzido pelo King’s College London e pela Universidade de Harvard. No app, o usuário podia tirar dúvidas e ainda relatar seu estado de saúde e sintomas diariamente. Se o paciente fosse testado como positivo, a aplicação proporcionava espaço para que ele relatasse a evolução da doença.

No Brasil, o aplicativo “Ministério da Saúde Responde: Coronavírus”, desenvolvido pela multinacional de tecnologia Robbu, para o governo Federal, também realizou o esclarecimento de dúvidas da população. Por meio do sistema, mais de cinco milhões de pessoas foram atendidas pelo robô virtual, que também fazia recomendações sobre como agir frente a casos suspeitos, formas de contaminação, prevenção, ações do Ministério da Saúde e desmistificação de boatos sobre o vírus.

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A tecnologia ajudou na disseminação de informações sobre a doença, sintomas, tratamentos, etc. Créditos: Kai Pilger/Unsplash

Tratamentos alternativos

Mesmo com a vacina ainda em processo de testes, estudos revelam outros medicamentos que podem ajudar a minimizar os sintomas da Covid-19. Os indicados não bastam para a cura, mas podem reduzir o risco de óbito, por exemplo.

Entre os medicamentosos indicados como promissores, está o dexametasona. Um pesquisa encabeçada pela para Universidade de Oxford, na Inglaterra, mostrou que a substância diminuiu as taxas de mortalidade em aproximadamente um terço entre pacientes com a doença que estavam hospitalizados em estado grave.

"Este é um resultado que mostra que, se pacientes que têm Covid-19 e estão ligados a ventiladores ou no oxigênio recebem dexametasona, isso salvará vidas, e o fará a um custo notavelmente baixo", disse Martin Landray, professor da Universidade de Oxford e um dos líderes da pesquisa que ficou conhecida como Recovery.

Aulas presenciais ou à distância?

A modalidade home office foi adotada para vários postos de trabalho, assim como o ensino à distância foi ampliado com força, sendo o único meio para a continuidade de aprendizagem. Mas a pergunta sobre quando as aulas presenciais irão retornar não cala.

Entretanto, sobre isso, a presidente da ONG Todos pela Educação, Priscilla Cruz, afirma que o ensino hibrido, presencial e à distância, poderá se tornar fixo no país. "O ensino híbrido [misto de presencial e remoto] veio para ficar. Os professores que não estão no grupo de risco podem voltar antes daqueles que são grupo de risco. O que não dá é termos um indicador que está tão longe, tão fora do nosso controle, para uma decisão tão séria para a vida dessas crianças e jovens", afirmou. 

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Especialistas acreditam que a aprendizagem mista, englobando aulas presenciais e em casa, serão fixadas como modelo de ensino mesmo depois da pandemia. Créditos: Jessica Lewis/Unsplash

Priscilla ainda alerta que não é possível definir datas para a volta às aulas presenciais, considerando a difícil missão de aprovar a vacina contra a doença. "A vacina é um elemento que a gente não controla. Pode acontecer em alguns meses, ou, como a OMS já disse, somente em 2022 que poderá ser disponibilizada em larga escala. Não dá para imaginarmos que esse elemento é tão fixo na decisão da retomada das aulas presenciais", ponderou Priscilla sobre uma data exata para a volta às aulas.

Efeitos colaterais e vacinas

Ao longo de seis longos meses de quarentena e isolamento social, várias notícias sobre o desenvolvimento de vacinas foram divulgadas. Uma das doses mais promissoras neste sentido é a que está sendo elaborada pela Universidade de Oxford. Mas o recente anúncio da paralisação dos testes desta vacina assustou o mundo todo.

A pausa da testagem foi ocasionada por uma reação adversa à dose. Para que a retomada da fase 3 do desenvolvimento da vacina fosse possível, foi preciso investigar se a reação tinha ou não familiaridade com a substância. Os resultados indicaram que era seguro retornar aos testes.

Sobre esta paralisação, Anthony Fauci, imunologista da Casa Branca, explica que interrupções desta natureza fazem parte do protocolo de segurança de desenvolvimento de qualquer medicamento novo. A Oxford disse estar totalmente comprometida com a segurança dos voluntários e com "os mais altos padrões de conduta".

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A vacina contra Covid-19 tem sido esperada em todo o mundo e várias doses estão nesta corrida. Créditos: The Digital Artist/Pixabay

Trump já sabia sobre dos riscos da Covid

Depois de negar veementemente os riscos da Covid-19, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, revelou que já sabia sobre a gravidade da doença antes mesmo da confirmação da primeira morte pelo vírus em território americano. Trump admitiu ter informações, já na época, sobre como o vírus era perigoso, que ele poderia ser transmitido pelo ar, entre outros dados importantes.

“Essa é uma coisa mortal”, disse o presidente americano ao jornalista Bob Woodward, em fevereiro deste ano. Também ao jornalista, Trump disse que o novo vírus poderia ser talvez cinco vezes “mais fatal” do que uma gripe. Todas as afirmações vão ao contrário do que o presidente comentou em público durante a pandemia, onde insistiu que o vírus “desapareceria” e “tudo ficaria bem”.

Bônus: como evitar o contágio

Os hábitos para evitar o contágio pela Covid-19 já são conhecidos e amplamente divulgados, mas é sempre bom reforça-los. É importante o uso da máscara de proteção facial, o reforço na higiene das mãos e ainda, se possível, prezar pelo isolamento social. Além de proteger a si mesmo, estes hábitos protegem outras pessoas ao seu redor.

Fonte: CNN


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