O desenvolvimento da tecnologia conhecida como Wi-Fi 6E avança no Brasil. Desta vez, a novidade é que a Agência Nacional de Telecomunicações, a Anatel, finalizou no domingo (24) uma consulta pública que deu espaço para debates quanto à destinação de toda a faixa de 6 GHz para o uso não licenciado. Sendo assim, os resultados da consulta serão submetidos a uma análise final do Conselho Diretor do órgão. 

Foi 45 dias de pesquisas para discutir sobre a proposta que pretende destinar 1200 MHz entre de 5,925 GHz e 7,125 GHz para o uso não licenciado. “Para que o Wi-Fi funcione adequadamente e possa cumprir o propósito de expandir a conectividade no Brasil, é preciso acesso adequado ao espectro. Nesse contexto, a destinação da faixa de 6 GHz, em toda sua extensão, é fundamental para a continuidade de crescimento do Wi-Fi”, argumentou a Associação Brasileira da Internet (Abranet) por meio do manifesto Coalização WiFi6e Brasil.

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Anatel encerra importante consulta pública para o desenvolvimento do Wi-Fi 6E no Brasil. Créditos: Rafastockbr/Shutterstock

A importância da ação da Anatel pode ser compreendida quando os benefícios da nova tecnologia são considerados. O Wi-Fi 6E poderá expandir a conexão sem fio atual em até quatro vezes no país, batendo a marca de 10 Gbps por conexão.

Isso significa que aparelhos como roteadores de Wi-Fi serão mais poderosos. Por isso, pequenas empresas de provedores de internet e até fabricantes de componentes de tecnologia gostaram da ideia da Anatel de debater o tema.

O resultado da consulta pública mostrou a insistência de operadores de rede móvel e fornecedores de equipamentos de redes de telecomunicações em defender que a maior fatia do espectro deve ser destinada ao potencial uso da tecnologia em aplicações móveis, como seria o caso do 5G. De qualquer forma, este uso estaria previsto apenas para o futuro.

GSMA, Vivo, Claro, TIM e fabricantes como a gigante chinesa Huawei preferem que dos 1200 MHz em que estão em jogo, apenas 500 MHz fiquem à disposição dos sistemas não licenciados.

Apoio ao Wi-Fi E6 e uso do 6GHz

A Abranet e a Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações (Abrint), representantes de pequenos provedores de internet, como por exemplo a Oi, apoiam a iniciativa do uso não licenciado do espectro no Brasil. Do mesmo modo, a medida também conta com o incentivo de grandes empresas, como o Facebook, Google, Microsoft e Apple. Além disso, Intel, Qualcomm e Cisco também já manifestaram apoio à tecnologia.

De acordo com a Dynamic Spectrum Alliance, que reúne o campo pró-WiFi, a ação é “um passo crucial para a eliminar a brecha digital no Brasil. Facilita a disponibilização do acesso à banda larga a um baixo custo, assegurando que os cidadãos e as empresas brasileiras possam se beneficiar ao máximo da mais recente e mais avançada tecnologia não licenciada disponível”.

Via: Abranet/Convergência Digital