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Em meio a questionamentos sobre eficácia, o lockdown apresenta os primeiros indícios de sucesso no combate à Covid-19 em Araraquara, em São Paulo. O fechamento total da região durou pouco mais de uma semana, mas os resultados são razoavelmente expressivos: desde sexta-feira passada (5), o número de infecções pelo novo coronavírus caiu pela metade na cidade, embora a taxa de internações e mortes permaneça alta.

Localizado a 285 quilômetros da capital paulista, Araraquara foi um dos primeiros municípios de São Paulo a ver o sistema de saúde chegar ao colapso neste ano. Prova disso foi o aumento considerável de casos de Covid-19 a partir da segunda semana de fevereiro, que provocou a lotação máxima de enfermarias e unidades de terapia intensiva (UTIs) na região.

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Esse avanço do novo coronavírus na cidade agora pode ser explicado por três fatores: o descuido com as medidas de prevenção (distanciamento social, uso de máscara e outras), as aglomerações em festas de fim de ano e de carnaval, e o surgimento de variantes do microrganismo no país. Tais fatores fizeram os casos de Covid-19 na cidade dobrarem no início deste ano, em comparação com os últimos meses do ano passado.

Uma das provas é um estudo feito em conjunto pela prefeitura local e pelo Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo. O levantamento constatou que 93% dos casos de Covid-19 registrados na região entre 25 de janeiro e 23 de fevereiro de 2021 estão relacionados à variante P.1, originada em Manaus.

Idoso hospitalizado por conta da Covid-19
Leitos hospitalares e UTIs atingiram capacidade máxima de lotação no começo de 2021. Foto: Photocarioca/Shutterstock

Fechamento total

Diante da crise sanitária na cidade, não restou alternativa à prefeitura: foi necessário adotar o lockdown na região. Com exceção da área da saúde, todos os serviços de Araraquara — incluindo transporte público e supermercados — foram fechados em 20 de fevereiro. “Fizemos um lockdown de verdade, diferente do que acontece na maioria dos lugares do país”, afirma Eliana Mori Honain, secretária municipal de Saúde de Araraquara.

O lockdown durou pouco mais de uma semana (de 21 de fevereiro a 2 de março) e, na sequência, a cidade se enquadrou nas determinações do Governo do Estado de São Paulo — que colocou todo o Estado em fase vermelha. Os resultados foram positivos. “Até 5 de março, tínhamos entre 180 e 200 novos infectados por dia. Agora, essa média baixou para 60 a 85”, destaca Eliana.

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Apesar da redução nos novos casos de Covid-19, as taxas de hospitalização pela doença seguem altas. Atualmente, 79% dos leitos hospitalares e 91% das UTIs de Araraquara estão ocupados.

Para Eliana, no entanto, esses números tendem a baixar nas próximas semanas. “Pela evolução natural da doença, sabemos que os sintomas se agravam e requerem assistência a partir do oitavo ou nono dia de infecção. Portanto, com menos gente com exames positivos agora, observaremos em breve uma baixa nas internações”, calcula.

Ruas vazias em Araraquara por conta do lockdown
Lockdown em Araraquara foi essencial para diminuição dos casos de Covid-19 na região. Foto: Prefeitura de Araraquara/Divulgação

Lockdown como solução?

Ainda assim, os resultados do lockdown na cidade são bastante iniciais e não podem levar ao abandono das medidas protetivas contra a Covid-19. Afinal, se a taxa de ocupação hospitalar ultrapassar novamente os 85%, Araraquara pode ter de recorrer novamente ao fechamento total.

Mesmo assim, a cidade pode ser usada como exemplo para que outras regiões adotem essa medida em busca de frear a disseminação do novo coronavírus. “Enquanto não tivermos mais de 70% da população imunizada, e por ora estamos bem longe disso, o lockdown é a medida disponível que dá resultados”, finaliza Eliana.

Fonte: BBC