Estudo publicado pela Sociedade Europeia de Cardiologia aponta que pessoas com doenças inflamatórias têm maior propensão a ataques cardíacos. Além disso, o infarto do miocárdio, nesses pacientes, tem duas vezes mais risco de ser fatal. O quadro é ainda mais grave em pacientes adultos com menos de 50 anos.

Essa pesquisa é a primeira a examinar a frequência e o impacto das doenças inflamatórias em pacientes jovens com infarto do miocárdio. Os pesquisadores selecionaram pacientes com doenças inflamatórias sistêmicas, como psoríase, lúpus e artrite reumatoide, e os compararam a outros que não apresentam essas condições.

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Foram selecionados 2.097 pacientes com infarto do miocárdio com idade até 50 anos. Desses, 2,5% (53 pessoas) apresentavam doenças inflamatórias. Os pesquisadores, então, fizeram uma análise comparativa entre as taxas gerais de mortalidade de 53 pacientes com doenças inflamatórias com as de 138 pacientes sem essas condições. O trabalho foi feito por amostragem, e os dois grupos foram nivelados por idade, sexo e fatores de risco cardiovascular, como diabetes, obesidade, tabagismo, pressão alta e colesterol alto.

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Os pacientes foram acompanhados durante 14 meses e meio. Durante esse período, os pesquisadores constataram que aqueles com doenças inflamatórias tiveram 2,68 vezes mais chance de morrer em comparação ao grupo pareado fora desse quadro. O grupo de pacientes raros também apresentou mais propensão a hipertensão arterial.  

Brittany Weber, médica especialista em cardio-reumatologia do Brigham and Women’s Hospital e da Harvard Medical School, é a autora do estudo. Segundo ela, aspirinas e estatinas são terapêuticos recomendados para uso após um ataque cardíaco. Mas, sua pesquisa descobriu que esses medicamentos dificilmente são prescritos na alta de pacientes com doenças inflamatórias. Um dos motivos pode ser a preocupação com as interações medicamentosas, já que são usados remédios supressores do sistema imunológico nesses pacientes especiais. 

Segundo a médica, as orientações para pacientes com doenças raras se prevenirem de ataques cardíacos são as mesmas dadas à população em geral. “Os comportamentos de estilo de vida são extremamente importantes, incluindo alimentação saudável, atividade física e não fumar, além de controlar o colesterol, a pressão arterial e o diabetes”, alerta.

Sônia Veloso, 54, diagnosticada com esclerose sistêmica: exames do coração fazem parte do monitoramento. Foto: arquivo pessoal.

Esclerose sistêmica está entre as doenças inflamatórias

Sonia Aparecida Euzebio Veloso, gestora pública aposentada por invalidez, tem 54 anos e foi diagnosticada com esclerodermia aos 49. Os primeiros sintomas observados foram enrijecimento cutâneo, inchaço nas articulações e dificuldade de locomoção. “Apareceram manchas amarronzadas formando placas na pele”, relatou Sonia para a reportagem do Olhar Digital. A doença evoluiu posteriormente para esclerose sistêmica difusa, quando as chamadas morfeias (espessamento da pele) estendem-se também aos braços, coxas, tronco e abdômen. Em ambas as formas da doença, a pele do rosto pode ser acometida.

De acordo com a paciente, o tratamento é multidisciplinar, envolvendo, entre outras especialidades, o acompanhamento de médico cardiologista. “A cada três meses, entre todos os exames recomendados, faço os exames de eletro e ecocardiograma, além do uso de holter. Se a doença está estabilizada, a frequência é a cada 6 meses”, explica.

Sonia sabe da gravidade que sua condição oferece em relação a riscos de ataques cardíacos: “Com a obstrução vascular na pele e órgãos, especialmente pulmões, rins, aparelho digestivo e, claro, o coração, o cuidado deve ser redobrado entre nós pacientes de doenças raras”.

Fonte: Europa press