A animação pelos possíveis fungos crescendo na superfície de Marte não durou muito. Nesta sexta-feira (7), o artigo do grupo internacional de pesquisadores foi refutado. O estudo que usava imagens feitas pelos rovers Curiosity e Opportunity, esse último “aposentado” em 2019, não resistiu a um exame mais minucioso.

As evidências apontadas pelos cientistas foram tidas como especulativas e estavam longe do suficiente para apoiar a conclusão. De acordo com o jornal South China Morning Post, Zoey Yang, a editora-chefe do site  Advances in Microbiology, onde o artigo foi publicado, afirmou que houve uma revisão dupla-cega por pares, após o envio, no dia 21 de abril.

publicidade

Leia mais:

“Após a revisão por pares, foi aceito com revisões, pois recebemos quatro resultados de revisão de corretores diferentes. Todos eles sugerem que aceitemos após algumas revisões”, disse ela. A editora-chefe acrescentou ainda que mais revisores seriam convidados a compartilhar comentários após as críticas.

Críticas aos fungos de Marte

O presidente da Sociedade de Marte da Austrália, Jonathan Clarke, foi um dos críticos ao artigo que sugere a existência dos fungos no planeta vermelho. “As evidências, para mim como geólogo que estuda Marte e análogos de Marte em ambientes extremos na Terra, realmente não fazem sentido”, disse ao jornal South China Morning Post.

Segundo o cientista, as condições em Marte são tão extremas que não dá para ver fungos ou qualquer outro tipo de vida crescendo na velocidade proposta pelo artigo, sob condições como frio e baixa pressão do ar. “A vida mal consegue sobreviver, muito menos prosperar”, emendou.

Para Clarke, as bolas descritas no artigo como tendo características de crescimento de organismos vivos eram aglomerados minerais. Elas têm o tamanho de grãos de pimenta e são feitas de hematita (minério de ferro).

O mineral é frequentemente encontrado em solos e rochas e foi descoberto em abundância em Marte pela Nasa, em 2004. A hematita, inclusive, é a responsável pela coloração marrom avermelhada na paisagem do planeta.

Imagem: Reprodução

“É como quando você vai para a praia e há conchas. Se o vento soprar, a areia se move e expõe mais conchas. Mas nós não dizemos que as conchas estão crescendo ali, elas só se tornam visíveis”, explicou o geólogo. Ele ainda acrescentou que o solo marciano tem pouquíssimo material orgânico para o crescimento dos fungos.

Outro crítico ao artigo é David Flannery, conferencista de ciências da Terra e planetárias na Universidade de Tecnologia de Queensland e membro da equipe científica da missão Marte 2020, da Nasa. Ele espera que o estudo não desacredite missões espaciais em andamento, que ainda não encontraram evidências de organismos vivos.

“Estamos procurando vida em Marte neste momento. Mas estamos procurando no registro das rochas e por evidências fossilizadas de vida, porque a superfície não é habitável para a vida”, destacou Flannery.

O motivo, ele acrescentou, é o solo tóxico, pois a superfície é constantemente banhada por uma radiação mortal. “Água líquida não persiste por lá. Então, não é realmente o tipo de lugar que esperaríamos encontrar organismos vivos”, completou o conferencista.

David Flannery também reclamou do uso de apenas fotos para sugerir a existência da vida em Marte. Afinal, há outros dados disponíveis e instrumentos que mostram de que os materiais fotografados são feitos.

Outros tipos de vida em Marte

Os fungos podem ser falsos, mas ainda há esperança para vida em Marte. Pesquisas com um pouco mais de credibilidade sugerem que algumas formas de vida terrestres conseguem suportar as condições difíceis em solo marciano.

Uma delas é o bolor negro, espécies de fungos com aparência verde escuro ou preto e bem diferente dos “cogumelos” do planeta vermelho. Um estudo foi publicado no jornal Frontiers in Microbiology, em fevereiro deste ano. Os cientistas recriaram as condições de marte como atmosfera, pressão e radiação cósmica e os esporos de bolor negro sobreviveram bem.

Via: Futurism / South China Morning Post

Já assistiu aos nossos novos vídeos no YouTube? Inscreva-se no nosso canal!