Na manhã desta segunda-feira (10), o Instituto Butantan entregou um novo lote de 2 milhões de doses da CoronaVac ao PNI (Programa Nacional de Imunizações) do Ministério da Saúde. Segundo o governador de São Paulo, João Doria, mais 1 milhão será liberado na quarta-feira (12), concluindo o contrato inicial de 46 milhões de doses.

Na segunda etapa do contrato, 54 milhões de doses da CoronaVac serão reservadas para o PNI, com entregas programadas até dezembro, porém, ainda existe o receio em relação aos insumos. “Ainda nos preocupa a não liberação dos insumos por parte do governo da China para o embarque no Brasil. Precisamos que esses insumos sejam enviados para que o Butantan possa processar mais vacinas”, afirmou Doria durante coletiva de imprensa na sede do instituto. 

Dimas Covas em pronunciamento sobre medidas de combate à Covid-19
De acordo com Divas Covas, presidente do Instituto Butantan, após a entrega dos insumos pelo governo chinês em maio, não existe previsão de novas remessas. Produção da CoronaVac no Brasil será prejudicada. / Imagem: Governo do Estado de São Paulo/Divulgação

“Esperamos que até quarta-feira, dia 13, possamos ter uma notícia positiva”, anunciou o presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas. “Temos trabalhado intensamente tanto com a Sinovac quanto com a embaixada [da China] aqui no Brasil, mas a situação de momento permanece inalterada. Aguardamos autorização para embarque e a chegada, se isso acontecer, até o dia 18 de maio”. De acordo com Covas, existe a expectativa de liberação de 4 mil litros. 

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Falta da matéria prima prejudicou a aplicação da segunda dose em várias cidades

O governo chinês optou por dividir em três remessas o envio do volume de 6 mil litros do ingrediente farmacêutico ativo (IFA) necessário para a fabricação da vacina. Essa quantidade é suficiente para a produção de 15 milhões de doses, segundo o Butantan.

De acordo com o presidente da entidade, após o recebimento dessas remessas de maio, não há mais previsão para novas entregas de IFA para o Brasil por parte da China. “Temos para maio a entrega desta semana e, a partir daí, não produziremos mais a vacina porque não temos o insumo”.

A interrupção da produção da vacina pela falta de matéria-prima ocasionou o desabastecimento de diversas cidades. Mais de 50% das capitais não tiveram condições de aplicar a segunda dose do imunizante naqueles que foram vacinados com a CoronaVac.

Chegada dos primeiros lotes de IFA para produção da CoronaVac no Brasil, em dezembro de 2020. / Imagem: Arquivo REUTERS/Amanda Perobelli

Para o governador, a postura do presidente Jair Messias Bolsonaro atrapalha as negociações. “É claro que há uma limitação determinada pelo governo da China dada às manifestações inadequadas, inapropriadas e absolutamente inoportunas do governo brasileiro através de suas autoridades, excluindo o ministro das Relações Exteriores, que reconheço, está tentando fazer um esforço diplomático para fazer a liberação dos insumos para o embarque em em Pequim desses 4 mil litros de insumos”, disse Doria.

“Mas o fato é que, a cada esforço que faz o Ministério das Relações Exteriores e o seu ministro Carlos Alberto França, há um esforço contrário em manifestações conduzidas e lideradas pelo próprio presidente da República”, afirmou o governador.

Bolsonaro fez vários ataques à China, mencionando o termo “guerra química” e levantando suspeitas de interesses políticos e econômicos do país oriental com o vírus. “Qual o país que mais cresceu o PIB [produto interno bruto]? Não vou dizer a vocês”, provocou o presidente.

Em resposta, o Ministério das Relações Exteriores da China disse, por meio de seu porta-voz, Wang Wenbin, que o país “se opõe a qualquer tentativa de estigmatizar o vírus”.

Fonte: Folha de S. Paulo

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