Pesquisadores da França estão investigando como um funcionário de um laboratório de pesquisa pode ter contraído uma doença cerebral mortal durante o trabalho. O homem, agora aposentado, não foi identificado, mas já se sabe que ele trabalhava em um centro de pesquisa federal que estudava príons, uma proteína perigosa e, potencialmente, infecciosa.

O trabalhador foi afastado na semana passada, após ser diagnosticado com doença de Creutzfeldt-Jakob (CJD), que é a doença cerebral mais comum que os príons podem causar em humanos. O diagnóstico fez com que fosse emitida uma moratória para todos os locais que realizam pesquisas com príons para investigar se a infecção foi decorrente de um acidente de laboratório.

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Laboratórios em alerta

Todos os nove laboratórios que trabalham com príons na França emitiram um comunicado conjunto informando que estão conduzindo investigações, portanto, ainda não é possível dizer se o funcionário adoeceu no trabalho ou não. Porém, casos de CJD são extremamente raros e, em geral, acontecem quando uma pessoa consome carne contaminada com a doença da vaca louca.

Contudo, é razoável pensar que uma pessoa que trabalhava em um laboratório que manipula príons, contrair uma doença cerebral, potencialmente fatal, transmitida por príons, pode não ser somente uma coincidência. Um cientista, que está familiarizado com toda a situação, disse que o funcionário do laboratório ainda está vivo e sendo acompanhado por médicos.

Doença incurável

A pesquisadora Emilie Jaumain
A pesquisadora Émilie Jaumain morreu em 2019 em decorrência de CDJ. Crédito: Reprodução/Redes Sociais

Até hoje, não há vacina, cura ou tratamento para CJD, a literatura médica diz que a doença fatal do príon pode permanecer incubada por até dez anos antes de se revelar e causar sintomas. Porém, um diagnóstico adequado só pode acontecer a partir de uma análise post-mortem do tecido cerebral afetado por meio de um exame de autópsia.

Essa não é a primeira vez que um acidente do tipo acontece em um laboratório na França. A cientista Émilie Jaumain foi infectada e morreu de CJD em 2019. A morte da pesquisadora aconteceu dez anos após ela cortar acidentalmente o polegar enquanto preparava amostras do cérebro de um rato infectado por príon.

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A morte de Jaumain só foi reconhecida como um acidente de laboratório pelo Instituto Nacional de Pesquisa para Agricultura, Alimentação e Meio Ambiente da França recentemente. O falecimento da pesquisadora exigiu a adoção de protocolos mais rígidos para segurança laboratorial e maior cautela para o manuseio de príons, porém, essa notícia indica que ainda há muito trabalho a ser feito.

Com informações da Science

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