A Rússia tem planos ambiciosos para um novo centro tecnológico na Ilha Russky, perto de Vladivostok, a mais de nove mil quilômetros de Moscou. Chamado de “Ilha Ciborgue”, o futuro centro de inovação promete ser uma versão russa do Vale Do Silício, região no estado americano da Califórnia que abriga algumas das principais empresas de tecnologia do planeta.

O nome não é uma coincidência, o foco da maior parte das empresas já instaladas na Ilha Ciborgue está nos campos de próteses ultra tecnológicas e inteligência artificial. Este segundo é bastante especial para o presidente russo, Vladimir Putin. Em 2017, o mandatário disse que quem liderasse esse mercado primeiro, seria a nação mais poderosa do mundo.

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A Rússia luta para conseguir se recolocar no posto que já ocupou nos tempos da União Soviética, quando era uma potência no campo da inovação, principalmente na área armamentista e da exploração espacial. Hoje, o país sofre com a chamada fuga de cérebros e vê seus profissionais melhor qualificados indo para outros países em busca de melhores oportunidades e salários.

Vale do Silício do Leste

É para tentar acabar com esse fenômeno, que não é estranho para outros países emergentes, como Brasil, África do Sul e Índia, que o governo russo resolveu criar uma espécie de fundo público, comissionado pelo próprio Putin, que investe em empresas como a Motorica, que produz próteses, e a Promobot, que faz robôs muito realistas e igualmente assustadores.

Robôs da Promobot assustam pelo nível de detalhe

Historicamente, Vladivostok é uma região que se diz “esquecida por Moscou”, mas isso tem mudado bastante. Nos últimos seis anos, o governo central tem dado incentivos para povoar a região, torná-la um destino turístico mais atraente, principalmente para os vizinhos de Japão, China e da Península Coreana e para atrair empresários e investidores através de incentivos fiscais.

Investimento estatal

Vladimir Putin tem investido pesado no desenvolvimento tecnológico do Leste da Rússia. Crédito: Wikimedia Commons

Em 2018, Putin criou o Fundo para Alta Tecnologia do Extremo Leste, com a função de investir em empresas de tecnologia que quisessem ter pelo menos uma de suas operações em Vladivostok ou mais ao oriente. Foi esse fundo que atraiu a Promobot, que hoje é uma das maiores empresas de robótica e automação industrial da Rússia.

Desde que se instalou na região, a empresa ampliou seu portfólio para robôs humanóides, que assustam por seus olhos vidrados e azuis e sua pele que tem uma textura que parece real, apesar de fria. Um fato curioso é que no começo de sua estadia em Vladivostok, a empresa dividiu seu espaço com uma padaria, o que permitia que a Promobot tivesse um laboratório bem cheiroso.

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Segundo o diretor de desenvolvimento da empresa, Oleg Krivokurtsev, a maior vantagem em ter uma divisão na Ilha Ciborgue, além dos incentivos fiscais, é uma mão de obra mais barata em comparação com regiões como Moscou e São Petersburgo e mais ainda no comparativo com outros centros tecnológicos ao redor do mundo.

Com informações do The Washington Post

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