O banimento na produção dos clorofluorcarbonos, conhecidos como CFCs, em 1987, pode ter dado uma sobrevida para os seres humanos na Terra. Segundo uma pesquisa publicada na prestigiada revista Nature, o Protocolo de Montreal sobre Substâncias que Destroem a Camada de Ozônio foi responsável por evitar uma catástrofe climática ainda pior.

Se o tratado não tivesse sido aprovado, a Terra teria sido exposta a muito mais radiação ultravioleta, o que teria trazido efeitos catastróficos para o planeta e sua flora. De acordo com modelos simulados, em uma linha do tempo sem a aprovação do Protocolo de Montreal, nós já estaríamos vivendo em algum dos piores cenários projetados para o futuro se as emissões de carbono não forem controladas.

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Na simulação, os CFCs seriam o maior vilão do efeito estufa, junto com o dióxido de carbono (CO2), mas, talvez pior que isso, eles teriam destruído ativamente a Camada de Ozônio, algo que teria acelerado as mudanças climáticas, já que aceleraria a liberação de parte do carbono que está sequestrado em árvores e plantas na atmosfera, causando ainda mais degradação ambiental.

Parou de piorar

Céu azul cheio de nuvens
A proibição dos CFCs fez com que a degradação da Camada de Ozônio diminuísse, ajudando que as mudanças climáticas “parassem de piorar”. Crédito: CC0/Domínio Público

Neste cenário, em 2100, as temperaturas globais teriam aumentado 2,5°C em relação aos níveis pré-industriais. Com isso, as mortes resultantes do calor extremo, e a extinção em massa de animais e plantas já estariam acontecendo e a situação seria praticamente irreversível.

Para efeito de comparação, o cenário atual é bastante preocupante, mas o aquecimento do planeta pode ser limitado a 1,5°C caso os termos do Acordo de Paris, assinado em 2015, sejam cumpridos por nações e grandes empresas.

Mesmo com o Protocolo de Montreal sobre Substâncias que Destroem a Camada de Ozônio sendo considerado um sucesso, a crise climática ainda é o maior risco para o fim da vida humana. Ou seja, a proibição dos CFCs não impediu que as mudanças climáticas acontecessem, mas nos deu um tempo importantíssimo para que pensássemos no que fazer para que a situação se deteriorasse mais lentamente.

Fazer ou não propaganda?

Segundo o pesquisador da Universidade Lancaster e autor principal do estudo, Paul Young, em 1987 os cientistas foram ouvidos e suas propostas foram colocadas em prática. Porém, as coisas não estão acontecendo da mesma forma em relação às emissões de carbono na atmosfera. Contudo, o pesquisador não defende que o tratado de 1987 seja usado como um exemplo positivo.

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Para Young, a situação da destruição da Camada de Ozônio e as mudanças climáticas não são diretamente comparáveis. Porém, é bastante reconfortante termos um exemplo positivo, que pode servir como uma propaganda para defender que se as coisas forem feitas no tempo certo e do jeito certo, a humanidade tem uma tábua de salvação que não passa por bilionários indo para Marte.

Via: BBC

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