Entrevistamos com Renato Citrini, gerente sênior de produto da divisão de dispositivos móveis da Samsung sobre os novos smartphones dobráveis da empresa, e como ele enxerga o atual momento do mercado para esse tipo de aparelho.

Z Fold 3 e Z Flip 3 / Divulgação: Samsung

As perguntas foram feitas por mim, que testei tanto o Z Flip 3 quanto o Z Fold 3 nas últimas semanas, e também pelo André Fogaça, que é parte da editoria de Produtos & Reviews do Olhar Digital. 

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Dobráveis são tendência ou moda passageira?

Olhar Digital: Citrini, em primeiro lugar, muito obrigado por conversar com o Olhar Digital sobre o presente e o futuro dos smartphones dobráveis. A expectativa para esse ano é alta. Os dobráveis são mesmo a tendência para o futuro? Como fazer com que a moda não seja passageira, como aconteceu com tantas outras? 

Renato Citrini: A gente enxerga muito potencial nos smartphones dobráveis, a gente já tá aí na nossa terceira geração, batendo a porta né de lançar aqui no Brasil o Z Flip 3 e Z Fold 3, a gente já tem um conhecimento da tecnologia. Lançamos o primeiro Fold com o Z Flip, depois adotamos o Z como nome da família, mas a gente enxerga todos como uma categoria.

É, vamos dizer assim, uma categoria paralela em relação ao smartphone tradicional com formato em barra. As telas dobráveis e as telas flexíveis elas até já existiam há bastante tempo, se você lembrar do nosso S6, Note 4… 

Eu me lembro daquele curvo…

Então, naquele curvo, o display já era flexível, o que precisou ser desenvolvido durante esse tempo todo era ele aguentar o dobra, desdobra, dobra, desdobra. O Z Fold 3 e Z Flip 3 têm a certificação do Bureau Veritas, de dobrar até 200 mil vezes, então eles comprovaram isso.

Renato Citrini, gerente sênior de produto da divisão de dispositivos móveis da Samsung
Renato Citrini / Divulgação: Samsung

A gente usa isso como um fator de inovação para sair desse formato tradicional de um smartphone. Então agora você tem duas linhas, né? Quando a gente pensa em um Z Fold, é uma linha, ele fechado é um smartphone e aberto tem uma tela que é uma tela de tablet, né? Ele oferece essa experiência super rica de uma tela grande que você dobra quando não está usando para colocar no bolso. E o Z Flip usa esse design que aberto ele é um smartphone, mas na hora que você fecha e dobra, ele fica super compacto. Esse design é único no mercado de smartphones. 

E agora vivemos um momento, não só no Brasil, mas também lá fora, no qual isso acontece em uma velocidade mais acelerada que acontecia até agora, né? A gente tem mais quantidades de lançamentos, a gente já vê isso como uma categoria. A Samsung oferece dois dispositivos com telas dobráveis, atingindo diferentes públicos.

Futuro da linha Note

Você acha que o Fold 3, com todo seu tamanho e compatibilidade com S Pen, é o substituto ideal da linha Note? Eu sou muito fã da linha Note.

O que a gente tem feito, é transformar essa característica de anotar, né? A função do Note a gente já trouxe para outros produtos. A gente tem o S21 Ultra que suporta S Pen, e agora a gente tem o Z Fold 3. então a gente está trazendo essa característica de anotar, o suporte a nossa caneta digital S Pen para mais produtos, e aí temos os tablets, temos os notebooks. Essa função vai continuar existindo. 

Ao mesmo tempo, a gente sabe que tem pessoas que adoram isso, né? São realmente usuários mais intensos dessa funcionalidade Note, não é? Esse ano a gente pode dizer que não teremos um produto chamado Note, mas sim estamos trazendo essa característica de usar caneta para outros dispositivos em 2021. 

Uso de novas tecnologias nas linhas Z Fold e Z Flip

A gente mostrou no Olhar Digital outro dia, e não sei se você nem pode falar sobre isso, mas na exposição da Samsung Display no MiD 2021, eles mostraram umas coisas bem interessantes, tipo aquela tela que dobra duas vezes, né? 

Eu acho que o Z Fold 3 e o Z Flip 3 já mostram que é possível ter uma tela flexível com durabilidade, mas existem diversos conceitos de design, né? E a gente mostra um pouquinho disso nessas exposições, tela que enrola, tela que dobra duas vezes. 

Você acha que isso pode estar presente no futuro da linha Z Fold ou Z Flip? Enxerga uma possibilidade comercial para essas novas tecnologias de telas dobráveis? Vocês já estão tão avançados nessa tecnologia, dá para fazer essa dobra extra? 

O desafio agora é, olhando de um conceito mais de design industrial, como seria um design, um formato de aparelho que fosse realmente útil. Como é que você trabalha esse fato de você conseguir dobrar uma ou duas vezes ou enrolar e desenrolar, né? Além da característica de técnicas de funcionar, de ser capaz de suportar essas várias dobras, como traduzir isso num design que seja funcional para os usuários?

Samsung apresenta protótipo de dispositivo multidobrável
Reprodução: Samsung Display

Esse é o grande desafio. A tecnologia vai correndo por um lado e possibilitando isso, imagina por exemplo. Vou viajar, imagina poder torcer um display, uma tela que você consiga enrolar. Imagina no mercado de propaganda e marketing, você conseguir abraçar um poste com display que seja redondo e aí você tem um tipo de publicidade diferente.

Aí tem toda uma questão de viabilidade do design, como é que esse negócio funciona? Como que alimenta (de energia)? Esse é o grande desafio do lado do design industrial, chegar a uma solução que seja comercialmente viável, não só tecnicamente viável, que tenha uma utilidade de valor percebido pelo usuário que é o caso do Z Fold 3 e do Z Flip 3.

Autonomia da bateria

Queria que você falasse pra gente sobre um recurso de software que eu achei bem legal, o de preservar a longevidade da bateria e interromper o carregamento antes de chegar aos 100%?

A bateria é um dos pontos principais de preocupação nossa do dia a dia como consumidor, todo mundo vê o nível de bateria, se sair de casa e for ficar muito tempo fora, tenta carregar antes o smartphone. É um item que você realmente não pode faltar, você vai ficar na mão se você não tiver uma boa bateria. A gente traduz isso para todas as funcionalidades, aí você tem como preservar essa bateria, como que essa bateria vai ser gerenciada, que tipo de lógica, que tipo de inteligência artificial eu consigo ter para que o smartphone aprenda com os meus hábitos e consiga economizar bateria? 

Se eu estou em um jogo ou usando um aplicativo de navegação de trânsito, esses são dois exemplos que demandam muita bateria, então nesse momento o smartphone vai usar muita energia para processar todas as demandas de um navegador de trânsito, com GPS ligado, tela ligada, o viva voz ativado, ou seja, tudo que consome muita bateria funcionando, então ele vai entregar isso para você, mas ao mesmo tempo, na hora que você vai dormir e o smartphone fica ali na mesinha de cabeceira, quando ele não tá sendo utilizado, o consumo de bateria também é reduzido ao máximo. O smartphone percebe que não está sendo usado ou quando está há um tempo parado. 

Galaxy Z Flip 3 e sua a tela externa
Foto: Mário Kurth / Olhar Digital

Nos smartphones existem uma série de sensores, o giroscópio, então ele sabe ele eu estou quieto e estou parado e consegue reduzir ao mínimo o consumo de bateria para que você tenha uma autonomia uma autonomia de uma duração de bateria levada ao máximo. Isso cada vez mais vem sendo trabalhado tanto na parte de da forma que ele é carregado e também na forma que ele consome essa energia.

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Também tem o lado do processador, quanto mais novo for o processador quanto mais avançado, menos combustível ele vai né jantando, ele vai comendo nesse tempo. Como se fosse o motor de carro usando menos combustível, um processador mais novo com mais tecnologia ele geralmente usa menos energia para fazer as mesmas funções, sempre no intuito  de você não precisar ter que aumentar tanto a capacidade ou o tamanho físico da bateria, mas ao mesmo tempo entregando mais tempo de uso.

Funcionalidades em modelos antigos

Também queria elogiar vocês a atitude da Samsung de sempre passar funcionalidades dos novos smartphones para os antigos

Novos recursos do Z Fold 3 e Z Flip 3 agora disponíveis para modelos antigos
Divulgação: Samsung

Muitas das novas funcionalidades a gente traz nos lançamentos, nos produtos novos, mas mesmo que seja um diferencial daquele lançamento, mas se ela é uma novidade que depende só do software, porque não aplicar isso nos produtos mais antigos? Então a gente faz isso, desde que o hardware permita, desde que você consiga rodar aquilo com perfeição. A experiência do usuário é sempre crucial para a gente. Vou dar um exemplo. Não sei se você conhece a função single take. 

Sim, é muito divertida, tenho usado bastante

A nossa interface tem todas as informações sobre essas diferenças, então se for um recurso que depende só de software, por qual motivo não entregar essa funcionalidade em outros modelos? Assim, em vários casos, depende muito de software, mas ele também precisa ter um hardware que a hora que você dispara ali o que ele precisa. Ele está gravando um vídeo, ele está tirando foto, fazendo uma série linda, e te entrega no final da da captura ali vários formatos de foto, então é uma solução que depende não só do software, mas também do processamento de imagens. E aí até o A52 a gente aplica. 

Mas aí a gente pode ter vários outros exemplos que a gente vai rolando na própria interface. O One UI a gente foi rolando. A gente lançou em um produto e vai rolando para baixo no portfólio, digamos assim, para que outros produtos tenham também acesso a essa funcionalidade. 

A primeira câmera sob a tela da Samsung

O Galaxy Z Fold 3 tem uma câmera sob a tela, a primeira da Samsung. Quais foram as dificuldades encontradas pela Samsung para colocar esse sensor lá, e será que vale o compromisso de ter uma resolução menor?

É isso, é uma situação específica que você tem no Z Fold 3. Você tem uma tela aqui praticamente pega a frente do aparelho aberto, você tem ali uma bola e a borda cada vez mais estreita cada vez mais fina, cada vez mais delicada ali. 

Esse detalhe foi criado para não tirar sua sensação de imersão da tela? 

Sim, para que você tenha a sensação de que está segurando o conteúdo na sua mão, ninguém fica olhando para a borda, a pessoa fica olhando para o conteúdo e aí um dos desafios. Todo mundo gosta de uma câmera frontal, todo mundo quer tirar uma selfie, todo mundo quer fazer uma chamada de vídeo, principalmente nesses últimos tempos nos últimos meses, o uso de chamadas de vídeo aumentou muito. Mas e aí, está bom? Como é que a gente soluciona isso sem ter aquele furo, aquele orifício ali? 

Galaxy Z Fold 3 aberto numa mesa, com a S-Pen
Divulgação: Samsung

Esse display, naquela área onde tem a entrada de luz e a lente, a tela tem uma densidade de pixels um pouco menor, de forma que você consiga ter uma reprodução de conteúdo um vídeo,  um jogo, com aquela parte despercebida, sem interrupção, mas ao mesmo tempo essa essa densidade menor permite com que na hora que você quiser gravar um vídeo ou tirar uma foto, a luz atravessar e atingir o sensor, consiga sensibilizar a lente da câmera para você gravar esse vídeo, tirar essa foto.

Mas, vamos falar, é uma câmera invisível, não dá para ver se você olhar? Se você buscar, você vai conseguir ver. Tem uma certa diferença ali, e ninguém vai prometer que ela é absolutamente invisível, até porque em um momento o display entre as duas precisa existir, precisa estar iluminado e em outros momentos, ele não deve aparecer, pois não está iluminado.

Com essa solução, de você diminuir essa densidade de pixels, a gente conseguiu balancear isso. No momento multimídia, você não percebe que tem essa diferença, bem diferente da daquele furo, e no momento que você quer gravar um vídeo tirar uma foto, você tem ali uma câmera de alta qualidade para fazer isso.

Desafios de criar um smartphone dobrável à prova d’água

Uma das maiores evoluções dos dobráveis deste ano é a proteção contra água. Como a Samsung conseguiu selar as partes móveis? Quais foram as dificuldades encontradas na geração passada, que não permitiram essa proteção nos modelos de 2020?

isso é uma das coisas mais interessantes que temos. Isso às vezes passa até despercebido porque para outros flagships, para os nossos outros smartphones top topo de linha, isso já é vamos chamar assim algo comum ter essa proteção,  mas quando a gente está falando vamos pegar aqui um S21. Ele é a grosso modo um sanduíche de vidro com metal, sem nenhuma parte móvel, então você aplica ali o material que vai ser lá que vai selar, vedar toda essa essa lateral, todo tipo de entrada de água, e você consegue fazer isso de uma maneira fixa. Agora, o desafio é que você tem um produto dobrável, que além da tela dobrável, tem partes móveis, você tem uma dobradiça, como é que isso funciona. 

Se você pensar em dobrar uma revista, ou dobrar um livro, na dobra você tem a parte que está interna, aquela curvinha mais fechada, e que a parte que está externa, as páginas externas, para fazer aquela curva maior. E aí na borda do livro o que acontece? As páginas ficam separadas não ficam alinhadas como quando o livro ou a revista estão fechados. Você tem o corte da página vai ser dobra no meio desalinha o final das bordas, e isso acontece também nas camadas do smartphone.

Divulgação: Samsung

Então, como conseguir inventar algo para vedar? O desafio era esse, você ter essas partes móveis e ter essas diferenças na hora que ele tá sendo curvado e depois voltando ao normal, a diferença de movimentação entre as camadas. Como manter isso resistente à água, manter isso bloqueando a entrada de água? No papel ou na conversa, dá a impressão de que é algo super fácil de fazer, mas na prática, como é que a gente faz isso?

Então você tem uma gama de diferentes tipos de materiais, um material mais elástico, que tem borracha, ou um material mais selador, como uma cola. Então você tem, dependendo do ponto que você está vedando, essa mistura, esse mix, em uma uma hora atua mais um material, em outra hora, outro material nas partes móveis, você tem um material um pouco mais elástico e nas partes fixas, você tem um material um pouco mais rígido. 

Mas aí o desafio do desenvolvimento disso é que é interessante, imagine que nosso time de desenvolvimento estava fazendo os testes para impedir a entrada de água. Aí, é claro, eles fazem uma série de protótipos e mergulham eles na água. Mergulhou na água e ele saiu todo ensopado por dentro, e aí? Por onde entrou essa água? A dificuldade é saber em que ponto não ficou vedado, que situação que aconteceu que essa vedação falhou? Então isso leva um tempo para você desenvolver, tudo tem a mistura certa, os materiais certos para conseguir chegar no objetivo. 

Agora, a gente tem essa proteção aplicada nos dois modelos (Z Fold 3 e Z Flip 3), que é IPX8, no qual o 8 significa 30 minutos numa profundidade até um metro e meio, e o X, que é o primeiro dígito, que a gente está acostumado a ver IP68 ou IP67, por exemplo, é o que indica a proteção contra a entrada de resíduos sólidos. O X significa que a gente não tem nenhuma certificação para isso, ele não foi testado para entrada de resíduos sólidos, pois a gente tem um material móvel, tem a dobradiça com partes móveis.

Se você tiver entrada de algum detrito em um ponto crítico dessa dobradiça, a entrada de areia e de poeira, alguma coisa mais pesada, aí você vai ter um comprometimento do funcionamento dessa parte móvel. Com a água não, com a água, assim como em outros orifícios como no alto-falante no microfone, na própria entrada do carregador, se entrar água ali e secar depois, não tem problema, não vai ter um prejuízo. É claro que a água vai entrar ali, mas depois vai secar, sem causar nenhum dano ao funcionamento do smartphone. 

Levar para a praia nem pensar, né? 

É melhor evitar por ser um ambiente carregado, no caso da praia a areia, mas também tem o sal misturado na água, então não é um local muito interessante para um dispositivo eletrônico. 

Apelo nostálgico

Divulgação: Samsung

O Z Flip 3 é claramente um produto para o público mais focado em moda e lifestyle, não só pela tela, mas pela própria apresentação dele. Além disso, a Samsung também enxerga a possibilidade de compra por nostalgia dos antigos celulares flip?

Sim, e é uma coisa interessante, a gente fala de tanta tecnologia, o display que é de vidro, mas dobra, é um vidro flexível, mas esse movimento, a gente percebe muitas pessoas dizendo que conseguem fechar o celular para terminar uma ligação, simplesmente fechando o telefone assim.

Então traz muito isso a gente tinha esse formato quando você tinha uma tela muito menor, aquela tela pequenininha ali na metade do telefone, e embaixo você tinha um teclado, agora você tem um display inteiro, mas você dobra, e muitas pessoas acham legal, que lembra um aparelho que eu tinha aqui e tinha esse formato então isso também remete muito, aí a gente vê muitas pessoas falando dessa situação nesses aparelhos que tinham esse formato anteriormente.

Modo Flex e os desenvolvedores

Modo Flex no Z Flip 3 / Divulgação: Samsung

Aproveitando que você falou dessa divisão, isso tem muito a ver com o modo Flex dos dois aparelhos. Poder forçar um app não compatível para se adaptar é ótimo, mas como vocês fazem para convencer outros desenvolvedores a adaptarem os seus softwares para esse formato, como o Google fez com o YouTube? O pessoal é receptivo para fazer isso?

Sim, a gente tem alguns aplicativos que já estão prontos, e temos trabalhado com os 100 maiores desenvolvedores de aplicativos do mundo, os apps que são mais utilizados, para ter isso, a otimização na hora que você tá numa tela grande, no caso do Z Fold 3, que tem 7,6 polegadas. Então se esse aplicativo está rodando em uma tela grande, ele pode entender isso e trazer ícones de configuração para você achar as funções de maneira mais fácil.

No caso do Gmail, ele já traz uma visualização da mensagem um pouco maior que a que é comum, então essa informação para o aplicativo perceber que está em um produto que é dobrável, que está rodando em uma tela grande, o aplicativo poderia assumir essas situações que a gente chama do modo Flex.

Modo Flex no Z Fold 3 / Divulgação: Samsung

Não é só o hardware que é importante, a tela que dobra, mas também como que o software consegue se aproveitar disso. E aí a gente tem parcerias e trabalhos em conjunto com esses cem desenvolvedores dos aplicativos de maior sucesso no mundo, para que eles também possam ter as soluções deles, cada um dentro dos seus dos seus propósitos.

No caso do YouTube, que você citou, na hora que eu coloco ele dobrado, o vídeo fica na parte que está na vertical e os controles do vídeo ficam na horizontal. Já em aplicativos como o Teams da Microsoft, é usada outra solução, que coloca as pessoas na parte vertical e controles da chamada e outros comandos na parte que está apoiada na horizontal, e assim a gente vai trabalhando junto com esses desenvolvedores para cada um trazer a sua solução para um produto dobrável. E é claro que cada um tem sua agenda, cada um tem seu interesse, alguns desenvolvem de maneira mais rápida, outros levam mais tempo para desenvolver essa solução, mas a gente sempre procura trabalhar em parceria.

Disponibilizamos, inclusive, acesso a um laboratório remoto virtual para que esses programadores possam testar as suas soluções sem necessariamente ter um aparelho físico. Estamos falando de todo um ambiente virtual via internet onde você coloca o seu aplicativo e você vai ver exatamente uma simulação de como app rodaria o seu programa em uma tela dobrável. 

Possível concorrência entre dobráveis e tablets

O Galaxy Z Fold 3 é um mini tablet dobrável que vira um celular mais grosso. Como a Samsung vê essa linha que divide os smartphones e tablets ficando cada vez mais fina? Um produto pode tomar o espaço do outro? 

A gente realmente vê isso muito mais como uma situação complementar de dispositivos do que uma situação de sobreposição. Quando você tem um tablet, alguns tablets têm tela de 12 polegadas e 10 polegadas, que já são displays maiores do Z Fold 3, mas ele traz essa portabilidade. Se estou indo para uma festa, eu nem estou indo nessas coisas ultimamente, mas se eu estou indo para um lugar onde eu não levaria um tablet, eu levaria tranquilamente os Z Fold 3 porque ele cabe no meu bolso, ele tem o tamanho de um smartphone e a hora que eu precisar eu posso ver esse conteúdo numa tela maior, o conteúdo que eu quiser seja algo multimídia ou um conteúdo mais profissional de trabalho.

Imagina abrir uma planilha do Excel, além de você conseguir visualizar muito mais células, vai entender melhor os gráficos e etc. Então você tem essa situação, de ele passar a ser um um tablet com uma portabilidade que o tablet não tem. Um tablet tem uma tela maior, ele pode ser mais usado em situações mais fixas, quando você está dentro de casa. Com uma tela maior, o tablet pode ser usado no meu colo, ou assistir a um vídeo apoiado em uma mesa. Então acho que é tem muito mais uma coisa complementar de situações que você falou deve atender meio que nesse Ah é um tablet portátil que é um tablet com mais mobilidade, e mais facilidade de ser transportado de convencional. 

Próximos desafios

Z Fold 3 e Z Flip 3 / Divulgação: Samsung

Quais são os próximos desafios que você enxerga para os aparelhos dobráveis da Samsung? Você acha que a gente pode eventualmente ter um relógio também com uma tela dobrável, a gente pode adaptar essa tela dobrável para outros tipos de aparelhos?

É uma coisa até interessante. Assim como eu dei um exemplo do S6 Edge a gente tinha também o Galaxy S acho que era esse o nome o primeiro relógio o relógio é que era de 2014, 2015 é uma coisa assim que ele já tinha uma tela curva, que é somente uma tela flexível mas que estava fixa, que não suportava ainda o número de dobras, não tinha os mecanismos atuais. E aí tem muito disso, né? Quais são os designs realmente que a gente vai conseguir desenvolver que realmente fazem sentido para o consumidor? Queremos chegar a uma uma solução comercial, não uma solução somente técnica.

Samsung: vídeo detalha como o Galaxy Z Fold 3 e a S Pen Pro contribuem para a produtividade. Divulgação: Samsung
Divulgação: Samsung

Como é que eu aplico agora essa flexibilidade? Sim, temos displays flexíveis, sabemos como vedá-los contra a entrada de água, e agora, será que eu consigo aproveitar isso num relógio? Será que eu posso ter uma pulseira com um display maior, aproveitando a curvatura do próprio braço, são diferentes hipóteses e situações com as quais os nossos times de desenvolvimento trabalham. 

A gente tem desenvolvimento em várias partes do mundo, inclusive no Brasil, temos dois centros de desenvolvimento, em Campinas e em Manaus, e nós somos muito ativos junto com a matriz nessa nessa parte do desenvolvimento, por termos uma diversidade de público e de uso a gente consegue ter aí pesquisas que mostrando diferentes tipos de uso diferentes brasileiros, a gente é muito ativo, é muito participativo nessas questões que a nossa matriz desenvolve, e aí vai muito disso. O que funciona, o que faz sentido ou que não faz sentido dada a tecnologia que a gente tem, e no caso, a gente está falando de telas flexíveis, mas a gente pode aplicar isso para várias outras soluções. 

Novidades em breve

Aproveitando, no evento da Samsung Display que citamos, eles mostraram uma caixa de som cilíndrica que vira uma tela plana. Isso também seria uma solução para um possível relógio com a curva que você nos lembrou, daquele protótipo, que com um comando ou um botão se desdobra e ele vira uma tela maior, essas coisas que só vocês conseguem fazer?

Realmente, tem muito disso, né? Além de diminuir o tamanho de sensores, ao mesmo tempo, como é que você maximiza a bateria? Você não tem espaço físico para uma bateria muito maior. Então tudo isso tem que ser trabalhado assim, viabiliza ou não, não adianta ter uma solução que vá exigir tanta energia e tanta bateria assim, pois não se torna viável. Então tudo isso tem que andar junto, em todos os aspectos, para aí sim poder ser uma solução comercialmente viável, que as pessoas realmente vão gostar de usar.

Se a gente imaginar, vou dar um exemplo de um smartwatch, que a gente acabou de lançar, o Watch 4 e Watch 4 Classic, no qual colocamos um leitor de composição corporal por impedância. Há um ano ou dois anos atrás, imagina uma máquina ou uma balança de bioimpedância daquelas que a gente tem banheiro bem simples, né, mas tem sensores enormes, lá no nutricionista ou no no laboratório lá de análises clínicas são máquinas grandes, então conseguir a miniaturização desses componentes para trazer um relógio de pulso, é algo significativo.

Tem muita coisa aí sendo desenvolvida e infelizmente a gente não pode abrir, não são coisas públicas, mas em se tratando de inovação e tecnologia a gente pode dizer que vem coisa diferente aí, vem coisa nova, tanto no campo dos smartphones quanto dos vestíveis. 

Faz todo o sentido. Muito obrigado pelo seu tempo, sua atenção e respostas, Citrini! 

Obrigado pelas perguntas e pelas curiosidades!

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