Há coisas que os animais fazem para as quais, realmente, não se tem uma explicação plausível. Vocês se lembram da manada de elefantes que andou mais de 500 km pela China, por mais de um ano e, de repente, retomou o caminho de casa sem mais nem menos? A personagem dessa vez, que realizou uma viagem ainda mais longa, é uma simpática baleia beluga.

Assim como no caso dos elefantes, a beluga foi localizada muito distante de casa. A diferença é que essa resolveu fazer a viagem totalmente sozinha.

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Moradores da área da grande Seattle, que fica no Condado de King, no estado norte-americano de Washington, avistaram a baleia nadando por ali, uma região que fica a mais de 2,4 mil km de distância das águas árticas – habitat natural das belugas.

“A população de belugas mais próxima é Cook Inlet, Alasca, que fica a dois mil quilômetros de Seattle”, declarou ao Live Science Howard Garrett, cofundador da Orca Network, uma organização sem fins lucrativos que trabalha na conscientização sobre as baleias em Puget Sound, profunda enseada estuarina do oceano Pacífico localizada na costa noroeste dos EUA. “Não verifiquei as temperaturas da água lá, mas tenho certeza de que está um pouco mais frio lá do que aqui”.

Uma beluga perdida já foi considerada espiã russa

Um dos primeiros a flagrarem a beluga foi Jason Rogers, que a filmou no domingo (3), nadando em Commencement Bay, perto de Tacoma, cerca de 50 km ao sul de Seattle. “Foi uma experiência surreal, com certeza”, disse Rogers. “Ao velejar pela baía jamais pensei que veria uma baleia, muito menos uma beluga! Lá estava ela, nadando pacificamente, embora realmente parecesse deslocada”.

Outras pessoas avistaram a beluga (cujo nome científico é Delphinapterus leucas) em torno de Puget Sound, até nadando em três estaleiros diferentes. “Não entendo a atração de um estaleiro para uma beluga”, disse Garrett. “Não sei se isso é uma pista, se isso significa que ela foi mantida em cativeiro em um estaleiro em algum porto movimentado, mas não temos documentos, nenhuma ideia de sua origem, certamente na América do Norte”.

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Em 2019, uma baleia beluga usando uma coleira que dizia “Equipamento de São Petersburgo” e vista em águas norueguesas era suspeita de ser uma espiã russa. Essa beluga, apelidada de Hvaldimir, ainda está nadando nas águas escandinavas, e ativistas de bem-estar animal estão preocupados que ela possa não ser capaz de caçar sozinha e se defender dos humanos.

Mas, no caso da beluga que está em Seattle, não há nada que possa identificá-la. “Não vimos marcas, nenhuma indicação de onde vem”, disse Garrett.

Belugas, normalmente, vivem em bando. Imagem: Navidim – Shutterstock

Como muitos outros animais do Ártico e subártico, as belugas adultas são brancas, o que as ajuda a permanecer camufladas em um mundo de neve e gelo do mar. Belugas também são conhecidas por seus “melões” únicos, as protuberâncias arredondadas em suas cabeças que usam para comunicação e ecolocalização. 

“Na verdade, as belugas são animais sociais, que vivem em grupos de até 100 indivíduos”, disse Garrett, “o que torna a jornada desta baleia solitária ainda mais misteriosa”. 

Então, por que essa baleia se aventurou sozinha?

“Até que tenhamos alguma indicação, minha teoria padrão é que ela simplesmente decidiu sair para explorar”, disse Garrett. “Ele queria viajar. É altamente incomum, mas de vez em quando acontece com diferentes populações de belugas. Portanto, não é totalmente sem precedentes, mas definitivamente é muito raro de acontecer”.

Segundo Garrett, o último avistamento documentado de uma baleia beluga em Puget Sound foi em 1940. Também houve um relato de uma beluga ali em 2010, mas apenas uma pessoa relatou tê-la visto e não foi capaz de obter nenhuma evidência fotográfica.

Em 2020, uma baleia beluga apareceu morta na Baja California Sur, no México, de acordo com o The Mercury News. Ainda é um mistério por que aquela baleia nadou em águas tão quentes. “Não sei por que uma beluga faria isso”, disse Garrett.

A beluga de Puget Sound parece estar com boa saúde, pelo menos de acordo com os avistamentos dela até agora. Esses animais comem lulas, peixes pequenos e caranguejos, “e há muito disso em Puget Sound”, disse Garrett. 

Puget Sound também é o lar de outras baleias, incluindo cinzentas migratórias, baleias jubarte e as minke, disse Garret. Além das orcas, que são popularmente chamadas de baleia, mas que, na verdade, pertencem à família dos golfinhos.

De acordo com a filial local da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA), os animais marinhos da região estão cientes da existência da beluga rebelde.

A entidade disse que espera se aproximar com segurança dela, para obter imagens que possam ser comparadas com fotos de outras baleias beluga conhecidas e, assim, ajudar os cientistas a identificar de onde ela veio.

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