Todo mês de outubro, a Terra atravessa a nuvem de partículas deixada pelo Cometa Halley em suas prévias passagens pelo Sistema Solar interior. Quando essas partículas atingem nossa atmosfera, ocorre a Oriónidas, uma chuva de meteoros de média intensidade que pode ser vista de todo Brasil se as condições meteorológicas permitirem. Esse ano, a máxima dessa chuva ocorre na noite entre 20 e 21 de outubro, mas a Lua Cheia deve ofuscar sua visualização.

Os orionídeos (nome que se dá aos meteoros dessa chuva) poderão ser vistos já a partir das 22 horas, mas o melhor horário para observá-los é entre meia noite e 4h da madrugada entre os dias 20 e 21. Na noite posterior, entre 21 e 22 de outubro, também poderá ser observada uma atividade interessante de meteoros da Oriónidas, embora com menor intensidade.

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Os fragmentos dos orionídeos atingem a Terra numa velocidade média de 67 km/s (241 mil km/h), o que gera meteoros muito rápidos e luminosos, alguns deles deixando uma trilha ionizada por alguns segundos. Embora não seja muito comum, alguns orionídeos podem ser bastante luminosos e explosivos.

Oriónidas esse ano

Mesmo sendo uma chuva com radiante no Hemisfério Norte Celeste, a Oriónidas apresenta taxas muito boas para todo o Brasil. É uma chuva de bastante constante e nunca decepciona, podendo atingir até 20 meteoros por hora nas regiões Norte e Nordeste. Mesmo na região Sul, ainda é possível observar até 15 meteoros por hora. No entanto, esse ano, a Lua em fase cheia, vai atrapalhar a visualização da Oriónidas, ofuscando a maioria dos meteoros mais tênues.

Taxa média de meteoros por hora para a Oriónidas em 2020 em condições ideais de observação
Taxa média de meteoros por hora para a Oriónidas em 2020 em condições ideais de observação. Créditos: Bramon

Todas essas taxas são estimadas considerando condições ideais de observação, ou seja, uma noite sem Lua, sem nuvens em um local afastado das luzes das grandes cidades. Com a Lua Cheia desta noite, as taxas provavelmente caem para menos da metade. A Lua é prejudicial pois seu brilho ofusca as estrelas e os meteoros mais tênues. Dessa forma, provavelmente esse ano não fará muita diferença observar a Oriónidas a partir da cidade ou de um local afastado dos grandes centros.

Como observar

Apesar de não estar entre as chuvas de meteoros mais intensas do ano, a Oriónidas, é uma das melhores para nós brasileiros. Ela ocorre entre 2 de Outubro e 7 de Novembro, no momento em que a Terra atravessa a trilha de detritos deixada pelo Cometa Halley. O momento de maior intensidade será na noite entre 20 e 21 de outubro, quando passamos pela região mais densa dessa trilha. Essa noite é, sem dúvida, o melhor momento para se observar a Oriónidas, especialmente, nas últimas horas da madrugada do dia 21, quando a atividade de meteoros estará mais intensa. Entretanto, nas madrugadas do dia 22, também é possível observar uma boa quantidade de meteoros dessa chuva.

Todos os meteoros de uma mesma chuva parecem irradiar de um mesmo ponto no céu, chamado de radiante. No caso da Oriónidas, seu radiante está localizado na Constelação de Órion, por isso ela recebe esse nome. Entretanto, não é preciso olhar nessa direção para vê-los, porque os meteoros ocorrerão em todas as partes do céu. Este ano, como a presença da Lua Cheia deve atrapalhar a visualização, recomenda-se evitar olhar em sua direção para que seu brilho não ofusque a vista e prejudique a observação dos meteoros.

Radiante da Chuva de Meteoros Oriónidas
Radiante da Chuva de Meteoros Oriónidas. Créditos: Bramon

A observação de uma chuva de meteoros é uma das atividades mais democráticas na astronomia. Está acessível a qualquer pessoa que tenha uma boa visão e um pedaço de céu para contemplar. Não é necessário de nenhum equipamento nem instrumento óptico. No máximo uma cadeira de praia e uma garrafa de café. A melhor forma é procurar um local escuro e confortável, que tenha uma boa visibilidade do céu. A maioria dos meteoros vistos durante uma chuva tem brilho mais fraco e são facilmente ofuscados. Por isso, observá-los em um local escuro, permite que sua visão se adapte à baixa luminosidade, se tornando mais sensível e possibilitando a observação de um número maior de meteoros.

O Cometa Halley

Comet 1P/Halley fotografado em 1986 por W. Liller
Comet 1P/Halley fotografado em 1986 por W. Liller

Durante milhares de anos, o Cometa Halley nos visitou e encantou nossos antepassados. Ele retorna a cada 76 anos, tempo demais para que um ser humano comum percebesse sua regularidade. Mas, no século XVIII, o astrônomo Edmond Halley, encontrou registros de passagens de três grandes cometas em 1531, 1607 e 1682 e percebeu se tratarem na verdade do mesmo objeto. Halley calculou sua órbita e seu período de 76 anos, prevendo, pela primeira vez, o reaparecimento do cometa para o ano de 1758. Halley não viveu para ver sua previsão se confirmar, mas seu nome foi imortalizado no primeiro cometa da história a ser percebido como periódico.

Nesse momento, o Cometa Halley está se aproximando de seu afélio, o ponto mais afastado do Sol, nos confins do Sistema Solar. Enquanto aguardamos ansiosamente sua próxima passagem em 2061, podemos contemplar a beleza dos seus meteoros. Tanto a Oriónidas, em Outubro, quanto a Eta Aquáridas, em Maio, são lembranças das sucessivas passagens do Halley ao longo de vários milênios.

Orionídeos sobre a Mongólia
Orionídeos sobre a Mongólia. Créditos: Lu Shupei

Aos que se animarem a passar a noite contemplando essa bela chuva de meteoros, saibam que, cada meteoro dessa chuva foi gerado por uma partícula que já brilhou na cauda do Cometa Halley e já vagou no espaço por centenas, talvez milhares de anos até encontrar, em nossa atmosfera a oportunidade de brilhar novamente.

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