Pesquisadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, conseguiram descobrir o que permite a progressão da doença de Alzheimer no cérebro de quem é acometido dela. Segundo os cientistas, o progresso da doença pode ser causado por grupos de proteínas tóxicas.

A pesquisa foi a primeira a usar dados obtidos de voluntários humanos para tentar quantificar a velocidade dos processos moleculares que levam à degeneração cerebral. Além de entender melhor a doença, a pesquisa deve permitir o desenvolvimento de tratamentos melhores.

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Para chegar às descobertas, os pesquisadores usaram cerca de 400 amostras de cérebros de pacientes que morreram de Alzheimer. Em conjunto, foram usadas 100 tomografias por emissão de pósitrons de pessoas que vivem com a doença em diferentes estágios.

Proteínas “agregadas”

A partir daí, os pesquisadores rastrearam o acúmulo de tau. Essa é uma das proteínas-chave envolvidas na progressão do Alzheimer. Além dela, uma segunda proteína, chamada beta amilóide, são as responsáveis pela morte de células do cérebro e seu consequente encolhimento.

Essas duas células são conhecidas popularmente como agregados. Anteriormente, se pensava que os agregados se formavam em uma região e, posteriormente, se espalhavam por todo o cérebro, em um processo parecido com a metástase nos cânceres.

Porém, este novo estudo demonstra que essa disseminação é possível, mas não é o fator principal para a progressão do Alzheimer no cérebro. Os agregados podem surgir em diferentes locais do cérebro, se multiplicando depois. A velocidade da multiplicação é o que controla a progressão da doença.

Progressão dos agregados

Alzheimer. Imagem: Shutter-e-Atthapon
Progressão das proteínas agregadas podem explicar a razão do avanço lento do Alzheimer durante algum tempo, mas seu rápido avanço no início dos sintomas graves. Crédito: Acervo Olhar Digital/Shutterstock

De acordo com o estudo, os agregados levam em torno de cinco anos para dobrar em quantidade. Isso pode explicar o fato de o Alzheimer ter uma progressão relativamente lenta, surgindo quase como uma doença assintomática ou com sintomas leves, mas evoluindo bastante de uma hora para outra.

Porém, esse tempo dá a entender que os próprios neurônios do cérebro são capazes de neutralizar os agregados. Caso essa capacidade seja aumentada, é possível atrasar significativamente o início dos sintomas graves do Alzheimer.

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A gravidade do Alzheimer é medido com base na Escala de Braak. Nela, os primeiros sintomas perceptíveis são os de estágio três e o estágio seis é o mais avançado. Estima-se que do estágio três para o seis, o período médio de progressão é de 35 anos.

Via: Folha de S. Paulo

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