A Nasa já havia comentado sobre a expectativa de chegarmos até Marte após 2030, mas nunca explicou de fato “o que” faríamos lá quando chegássemos. Bem, a SpaceX tem uma ideia consideravelmente detalhada de como vê a colonização do planeta vermelho se desenvolvendo, e reuniu tudo em um documento entregue a vários membros da comunidade científica internacional.

O documento em si dedica uma boa parte de seu tamanho falando sobre coisas que já sabemos: o Programa Artemis que levará o homem de volta à Lua, as missões não tripuladas para além de nosso satélite, o uso da nave orbital Starship tanto como prova de conceito como para a condução de missões tripuladas. Mas é após chegarmos a Marte que as coisas ficam interessantes:

publicidade

Leia também

Atmosfera de Marte, em ilustração.
SpaceX quer ir a Marte ainda em nesta década, possivelmente lançando uma Starship em direção ao planeta vermelho antes mesmo de ajudar a Nasa a voltar à Lua (Imagem: Inked Pixels/Shutterstock)

O plano em si é surpreendentemente simples: no meio da década atual (2020-2029), a SpaceX deve começar a enviar missões não tripuladas da Starship em direção a Marte, no intuito de avaliar o desempenho da nave orbital Starship para uma viagem tão longa. Tais missões também serviriam para entregar “amplas quantidades” de recursos variados, a fim de que, quando nós chegássemos lá, pessoalmente, nós já tivéssemos como trabalhar.

Nesta parte, a necessidade mais urgente seria, provavelmente, a de instalar uma estrutura de produção de propelente líquido, para que futuras missões tivessem a capacidade de reabastecer seus tanques de combustível.

Além disso, outros equipamentos entregues atuariam em demandas como extração de água, produção e ampliação de capacidade de energia, escudos e defesas contra radiação, bases de lançamento e pouso pré-configuradas, recursos selantes para proteção contra poeira de Marte, abrigos reforçados e toda a sorte de estruturas para que a SpaceX ajude a tornar a vida humana seja minimamente viável no planeta vermelho.

“Os humanos provavelmente viveriam dentro das Starships nos primeiros anos, até que habitações mais tradicionais fossem construídas. A primeira leva de Starships não tripuladas também poderão ser realocadas ou redesenhadas conforme demanda para auxiliar a vida humana na superfície [de Marte], servindo como recursos essenciais para armazenamento, habitação, laboratórios científicos e fonte para estruturas refinadas de metal”, diz trecho do documento.

O mais impressionante é na parte de datas: a SpaceX levanta as (incrivelmente improváveis) possibilidades de conduzir as primeiras missões não tripuladas ao planeta vermelho entre 2022 e 2024. Inclusive, a julgar pelas estimativas do documento, isso faria com que a busca por Marte viesse antes do retorno do homem à Lua – o objetivo primário do Programa Artemis que, dizem as estimativas mais recentes, deve só começar em 2025 ou além.

Apesar de haver alguns detalhes interessantes, é importante notar que todo o conteúdo do documento divulgado pela SpaceX ainda está dentro do reino do que “pode ser” que aconteça no planeta vermelho. Ainda assim, essa é a primeira vez que um plano voltado à colonização de Marte tem suas informações (relativamente) promovidas de forma tão aberta.

Resta saber se a empresa terá essa capacidade. A Starship, por ora, ainda não saiu se comprovou: embora alguns voos de teste tenham tirado protótipos da nave da Terra, a sua classificação de “transporte orbital” está pendente de ser confirmada. Hoje (18), mais cedo, o Olhar Digital revelou que Musk antecipa o mês de janeiro de 2022 como o primeiro voo da Starship SN20, o atual protótipo da nave.

Para que os planos da SpaceX para o planeta vermelho se concretizem, é melhor que ela se saia bem.

Já assistiu aos nossos novos vídeos no YouTube? Inscreva-se no nosso canal!