Ciência e Espaço

Cientista de Stanford analisa materiais encontrados em acidentes com OVNIs

12/12/21 15h17

SSSCCC/Shutterstock

Com mais de 300 artigos de pesquisa publicados, 40 patentes registradas nos Estados Unidos, oito empresas de biotecnologia criadas e um cargo de professor de patologia na Universidade de Stanford, Garry Nolan é um cientista respeitado. E ele empresta parte dessa credibilidade a um assunto que não é levado muito a sério por parte dos seus colegas: objetos voadores não-identificados, os OVNIs (ou UFOs).

Porém, Nolan passou os últimos dez anos analisando materiais coletados a partir de “Fenômenos Aéreos Não Identificados”, como o governo norte-americano prefere chamá-los. E por sua posição cética e metodologia científica, ele também é muito criticado pela comunidade OVNI ao desacreditar muitos dos vídeos e fotos com alegações que surgem na internet. “Mas você sabe, a verdade está na ciência”, afirmou em entrevista à Vice.

Seu objetivo é aprender estudando sistematicamente incidentes bizarros e difíceis de explicar. Por isso, o pesquisador foi procurado pela CIA (serviço secreto norte-americano) para que examinasse registros de casos médicos estranhos ou únicos de pilotos e agentes que haviam chegado perto de alguns desses fenômenos inexplicáveis.

“Eles começaram a mostrar as ressonâncias magnéticas de alguns desses pilotos, pessoal de solo e agentes de inteligência que haviam sido danificados. As ressonâncias magnéticas foram claras. Você nem mesmo precisava ser um médico para ver que havia um problema. Alguns de seus cérebros foram terrivelmente modificados. E foi isso que me envolveu”, contou em entrevista.

Garry Nolan comanda um laboratório da Universidade de Stanford que estuda hematopoiese, câncer e autoimunidade utilizando abordagens computacionais para imunologia de rede e sistemas. Imagem: Stanford University/Divulgação

O pesquisador conta que também começou a notar que havia semelhanças no que se pensava ser dano cerebral entre vários indivíduos. “Quando olhamos mais de perto, no entanto, percebemos que não pode ser um dano em si, porque se essas estruturas fossem gravemente danificadas, essas pessoas estariam mortas. Foi quando percebemos que essas pessoas não estavam danificadas, mas tinham uma superconexão de neurônios entre a cabeça do caudado e o putâmen. Se você olhasse para 100 pessoas comuns, não veria esse tipo de densidade. Mas esses indivíduos tinham”, lembra o cientista.

Surgiu então a questão: o que causou essa alteração? “A única coisa que posso imaginar é que eles estiveram perto de um transformador elétrico que está emite tanta energia que você basicamente está se queimando dentro do seu corpo”, avalia Nolan. “Tenho o cuidado de não chegar a uma conclusão prematura, porque você só precisa de uma refutação para minar uma hipótese. Tenho meus pensamentos privados sobre o que penso que está acontecendo, e alguns deles estou muito, muito certo. Estou aberto a estar errado. Exceto na maioria das vezes, eu sei que provavelmente estou certo”, completa.

Nolan disse à Vice que também analisou cerca de 10 ou 12 fragmentos de metal recuperados de supostas quedas de OVNIs, e conta que algumas das amostras não “jogam pelas regras” de materiais criados por humanos. “Digamos que não tínhamos transistores hoje e um desses objetos deixou cair um grande pedaço de germânio dopado com outros elementos, ou, você sabe, esses pequenos transistores. Não teríamos a menor ideia da função e perguntaríamos ‘por que alguém colocaria matrizes de germânio com essas estranhas impurezas … o que é isso?’”.

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Um dos materiais foi coletado no Brasil, no chamado “evento Ubatuba”, que envolveu a queda de uma aeronave na região em abril de 1957. Há fortes evidências de que um meteorito, ou um objeto semelhante a um meteorito, caiu ou explodiu na área e parte do seu material foi recolhido para análise em um centro de pesquisa da Força Aérea e identificado como sendo magnésio.

“Foi interessante porque outra peça do mesmo evento foi analisada no mesmo instrumento ao mesmo tempo. Ele tinha razões de isótopos perfeitamente corretas para o que você esperaria de magnésio encontrado em qualquer lugar da Terra. Enquanto isso, o outro era bem diferente. Algo como 30% fora das proporções. O problema é que não há um bom motivo para os humanos alterarem as proporções isotópicas de um metal simples como o magnésio. Não há propriedades diferentes dos diferentes isótopos, que ninguém, pelo menos em qualquer literatura que é pública das centenas de milhares de artigos publicados, diga que é por isso que você faria isso. Agora você pode fazer isso. É um pouco caro de fazer, mas você não teria motivo para fazê-lo”, avalia Nolan.

Para o pesquisador, só porque o governo está coletando informações sobre fenômenos misteriosos, não significa que não haja uma explicação perfeitamente razoável para eles. “Pessoas mais inteligentes do que eu encontrarão explicações melhores – mas essa é a graça da ciência. Os dados estão aí … a explicação não”.

Via: Futurism / Vice

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