Ciência e Espaço

Limpeza de tubo de coleta entupido do rover Perseverance começa com sucesso

Por Flavia Correia, editado por Rafael Rigues
21/01/22 17h46, atualizada em 24/01/22 11h26

Superfície marciana abaixo do rover Perseverance, mostrando os resultados do teste de perfuração percussiva de 15 de janeiro de 2022 para limpar fragmentos de rocha de um dos tubos de amostra do rover. Créditos: NASA/JPL-Caltech

Conforme noticiado pelo Olhar Digital, após conseguir sua sexta coleta de rochas em Marte, no fim de dezembro, o rover Perseverance, da Nasa, está com um problema: pequenos grãos de areia e pedregulhos estão obstruindo seu sistema de coleta de amostras.

De acordo com a agência, a equipe responsável pelo robô tem trabalhado metódica e minuciosamente, atingindo um bom progresso na compreensão do melhor caminho a seguir para resolução definitiva do problema.

Sistema de coleta de amostras do rover Perseverance foi obstruído. Imagem: NASA/JPL-Caltech

A implementação das etapas iniciais de recuperação alcançou o primeiro sucesso: as duas pedras superiores foram ejetadas do carrossel de brocas durante um procedimento de teste. 

Isso é uma ótima notícia, pois esses pequenos pedaços de detritos podem ser a causa da transferência mal sucedida da broca e do tubo de amostra para o carrossel ocorrida no fim de dezembro. 

E não para por aí. Segundo comunicado da Nasa, parece que a maioria das rochas que permaneceram no Tubo de Amostra 261 foi removida — ou, talvez, todas.

Aminação retrata um teste rotacional do carrossel do rover Perseverance, por meio do qual dois dos quatro fragmentos de rocha foram ejetados. As cinco imagens que compõem o GIF foram obtidas pela câmera WATSON. Imagem: NASA/JPL-Caltech/MSSS.

Parte das amostras permanece no tubo de coletas obstruído do rover Perseverance

Na segunda-feira (17), a câmera WATSON, instrumento científico do rover, fez imagens do carrossel de brocas e suas pedras — e também fotografou o solo sob o robô para estabelecer exatamente o que estava lá embaixo antes de qualquer estratégia de recuperação ser aplicada. 

“Mais tarde, no mesmo dia, rodamos o carrossel cerca de 75 graus antes de devolvê-lo à sua posição original. As imagens da WATSON mostraram que as duas pedras superiores foram ejetadas durante o processo”, revelou a Nasa no comunicado. 

Segundo os cientistas da agência, no dia seguinte, eles receberam o segundo conjunto de imagens do solo abaixo do rover, que mostram duas novas pedras. Isso quer dizer que as pedras ejetadas do carrossel foram depositadas de volta na superfície de Marte como planejado.

Uma parte das amostras é ejetada da broca percussiva-rotativa no rover. As imagens foram coletadas pelo instrumento Mastcam-Z
Imagem: NASA/JPL-Caltech/ASU/MSSS.

Ainda de acordo com a Nasa, as outras duas pedras, localizadas no fundo do carrossel, permanecem. “É interessante notar que alguns dos testes iniciais realizados na Terra indicam que a localização das duas pedras restantes pode não representar um problema significativo com a operação do carrossel, mas estamos continuando a análise e testes para confirmar isso”.

No sábado (15), a equipe realizou um experimento usando a broca rotativa-percussiva do Perseverance. Depois que o braço robótico do rover orientou a broca com a extremidade aberta do Tubo de Amostra 261 em ângulo cerca de 9 graus abaixo da horizontal, o eixo de perfuração do rover girou e depois se estendeu. 

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“Nosso notável instrumento Mastcam-Z (que tem capacidade de vídeo anteriormente usada para documentar alguns dos voos da Ingenuity) capturou o evento. As imagens do experimento mostram uma pequena quantidade de material amostral caindo do tubo da broca”, explicou a equipe. “Mais tarde, no mesmo dia marciano, a broca foi posicionada verticalmente sobre ‘Issole’ (a rocha que forneceu o último núcleo) para ver se uma amostra adicional cairia sob a força da gravidade”. 

No entanto, segundo os cientistas, a imagem da Mastcam-Z feita do interior do tubo após essa manobra mostrou que ele ainda continha amostras. Dado que parte da amostra já havia sido perdida, a equipe decidiu que era hora de devolver o restante ao solo e esvaziar completamente o tubo para prepará-lo para outra potencial tentativa de coleta. 

Desafios inesperados fazem parte das missões

No início desta semana, a equipe comandou outra operação da broca percussiva-rotativa na tentativa de desalojar mais material do tubo. “Com a extremidade aberta do tubo ainda apontada para a superfície, essencialmente sacudimos as pedras para fora dele por 208 segundos”.

A equipe ainda está revisando os dados e discutindo os próximos passos. “Como todas as missões a Marte, tivemos alguns desafios inesperados”, diz o comunicado da agência. “Esperamos o mesmo resultado desta vez — ao tomar medidas incrementais, analisar resultados e seguir em frente, planejamos resolver totalmente esse desafio e voltar à exploração e amostragem na Cratera Jezero”.

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