As vacinas da Pfizer e da Moderna contra a Covid-19 são consideradas o estado da arte dos imunizantes contra o novo coronavírus. Ambas são vacinas de mRNA, uma tecnologia inovadora e que pode ser a chave para o tratamento de muitas outras doenças, como o HIV e outros distúrbios autoimunes.

O principal diferencial das vacinas de mRNA é o uso de material genético para induzir a resposta imune, o que abre novos caminhos para usos médicos muito além do alcance das vacinas tradicionais. Essas pesquisas, porém, não são exatamente novas e já estão em andamento há pelo menos 30 anos.

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Instabilidade no início do desenvolvimento

Pesquisas com vacinas de DNA ou mRNA começaram no início da década de 1990. Crédito: Gorodenkoff/Shutterstock

As vacinas baseadas em ácido nucleico têm como base a ideia de que o DNA produz RNA e o RNA produz proteínas. “Para qualquer proteína, uma vez que conhecemos a sequência ou o código genético, podemos projetar uma molécula de mRNA ou DNA que induz as células de uma pessoa a começar a produzi-la”, disse a microbiologista Deborah Fuller ao podcast The Conversation Weekly.

No início, a maior parte dos testes eram realizados com vacinas de DNA. Essas candidatas não funcionavam muito bem, já que eram instáveis e causavam respostas imunes muito mais fortes do que o desejado pelos pesquisadores. Esses problemas só foram resolvidos cerca de sete ou oito anos atrás.

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O ponto de virada foi a mudança de foco, que saiu do DNA e foi para o mRNA. A partir daí, alguns dos problemas foram solucionados, principalmente os relacionados à instabilidade. Em seguida, foram descobertas formas de entregar mRNA às células e de modificar a sequência de codificação.

Com isso, as vacinas se tornaram muito mais seguras para uso em humanos, ou seja, a tecnologia estava pronta para se tornar uma ferramenta revolucionária para a medicina. Foi nesse momento que chegou a pandemia da Covid-19, que colocou os imunizantes de mRNA no centro dos holofotes.

Para além de vacinas

Diferente das tradicionais, as vacinas de mRNA agem a nível celular, ou seja, induzem uma resposta mais efetiva das células T. Isso abre muito mais possibilidades para tratamentos, incluindo doenças infecciosas crônicas, como HIV, hepatite B e herpes, além de doenças autoimunes e alguns tipos de câncer.

Isso ocorre porque as vacinas de mRNA melhoram a capacidade do corpo de reconhecer neoantígenos específicos, que são produzidos por células cancerosas, por exemplo. Essa mesma estratégia pode ser aplicada para eliminação de infecções crônicas através da eliminação de todas as células afetadas.

Hoje, existem ensaios clínicos de mRNA em andamento para tratamento do melanoma, uma espécie de câncer de pele bastante comum, além de câncer de próstata, ovário, mama, leucemia, glioblastoma e muitos outros.

Via: Medical Xpress

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