Nos últimos dias, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) direcionou esforços específicos para a repressão da de uma moda que tem se espalhado entre caminhoneiros: a dos caminhões “arqueados”.

Para quem não sabe, esse é um caminhão com a traseira levantada, às vezes caricaturalmente.

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A moda chegou a seu extremo com o caminhoneiro chamado de Jaquirana do GBN, que modificou uma carreta para ter mais de 3 metros de altura. Segundo ele, que usava outras carretas extremas para trabalho, essa carreta em particular era só para exibição. Aqui mostrado pelo também influencer caminhoneiro Saveiro do RAU.

Muitos caminhoneiros podem achar estiloso, mas pode caminhão arqueado pode não estar de acordo com as leis de trânsito e, em alguns casos, foi considerado causa ou agravante de acidentes.

A atuação mais reforçada das autoridades de trânsito consiste em, principalmente, reter caminhões fora do padrão exigido por lei. Como consequência, os proprietários de cargas estão preferindo não aceitar mais esse tipo de veículo, temendo que suas mercadorias fiquem presas na estrada, conforme traz uma reportagem do UOL.

Outro fator percebido em paralelo com a PRF reprimindo a onda de caminhões arqueados é uma mudança de postura entre os influenciadores digitais que promovem as alterações ilegais nos veículos.

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Em um áudio (que viralizou entre os caminhoneiros) reproduzido em texto na matéria, um carregador de batatas diz: “Não podemos correr risco. Está difícil. Esses caminhões muito erguidos e altos estão dando problema para nós. Os caras estão reclamando que a batata não chega”. A fiscalização da Polícia Rodoviária Federal retendo caminhões arqueados, ao que tudo indica, tem feito muitas cargas chegarem atrasadas ou, em outros casos, nem chegarem ao destino.

Influenciadores reprimidos

A forte pressão da polícia também tem feito com que influenciadores youtubers que estimulavam a prática voltassem os veículos às configurações originais, ou pelo menos à altura permitida por lei. Um deles disse que, se fosse retido, o prejuízo – contando com multa, regularização, perda do frete e entrega da carga para outro motorista – seria em torno de R$ 10 mil.

Em post recente, o título do vídeo do motorista youtuber é: “Polícia me parou novamente e me multou 2:30 da madrugada! 3 vezes na semana”. Um outro influenciador postou um vídeo com o título: “Vou colocar original pra não incomodar mais com a Federal”. Ambos possuem centenas de milhares de seguidores só no YouTube.

O Conselho Nacional de Trânsito (Contran) publicou em 20 de março de 2014 a Resolução 479 que permite que caminhões sejam arqueados, porém com diversos limites. É permitido que caminhões sejam elevados em dois graus a partir de uma linha horizontal, o que na prática representa 3,5 centímetros por metro de comprimento do veículo.

Sendo assim, um caminhão que possui uma carroceria de 8 metros de comprimento poderá ter uma diferença de 28 centímetros de altura do começo até o final da carroceria. Outros detalhes na resolução trazem, por exemplo, que as lanternas traseiras não podem estar acima de 1,20 metro do chão e as lanternas laterais ou luzes de posição não podem estar acima de 1,50 metro do chão.

Atenção redobrada da polícia

O policial rodoviário federal Sousa Dantas, chefe da divisão de Policiamento de Trânsito de Brasília, ouvido pelo UOL, afirma que a PRF enviou orientação para que todas as unidades do país redobrem a atenção com esse tipo de veículo. Ele diz que muitos motoristas fazem a alteração permitida, porém, depois de ajustarem a documentação com o Detran e da vistoria, eles elevam mais a traseira.

“Por isso, além de conferir o CRLV, fazemos uma medição da seguinte forma: marcamos dois pontos na longarina do caminhão com um metro de distância entre eles, para respeitar o limite de dois graus, a altura da parte mais alta deve ter, no máximo, 3,5 cm a mais”, afirmou.

Dantas diz que seus colegas estão recolhendo qualquer altura fora do previsto por lei, mesmo que passe por pouco. “Quando você retira o veículo de circulação por alguns dias, o motorista infrator fica mais pensativo e não repete a conduta”. Dantas lamenta, dizendo que, os motoristas são influenciados pelas redes sociais, “eles fazem isso porque acham bonito”.

Como informa a PRF, caminhões arqueados têm sua estabilidade alterada, aumentando o risco de tombamentos e saídas de pista. Além disso, a eficiência do para-choque traseiro é reduzida em caso de colisões traseiras, agravando as lesões, inclusive de modo fatal.

Um dos principais exemplos nesse sentido é a tragédia recente, ocorrida no Paraná, envolvendo quatro veículos com a traseira levantada. Um dos condutores, que estava com a esposa, bateu na traseira do caminhão arqueado do próprio pai. O casal morreu na hora.

Imagem: Saveiro do RAU/YouTube/Reprodução

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