Gasolina, etanol ou elétrico: o que é mais arriscado ter aumento de preço?

Verificamos o que faz aumentar o preço nos modelos a gasolina, a etanol e elétrico; de quebra, já é possível dizer que petróleo é problema
Lucas Berredo, editado por André Lucena 11/03/2022 21:18, atualizada em 11/03/2022 21:38
Bomba de gasolina em um carro de cor preta
Imagem: Chai UM-IM/Shutterstock

Os últimos seis meses não têm sido fáceis para o Brasil. Há um semestre com a inflação acumulada acima de 10%, segundo apontam dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a população sofre com os efeitos da pandemia sobre os preços, a crise hídrica, que encareceu as contas de luz, e agora a guerra entre Rússia e Ucrânia, que incide diretamente sobre o custo do petróleo (e, consequentemente, a gasolina). Neste cenário de constante aumento de preços, é mais arriscado, então, ter um carro a gasolina, a etanol ou elétrico?

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Em 2022, apostar na gasolina é um risco grande. Isso porque o preço do combustível no Brasil, definido pela Petrobras, tornou-se volátil desde 2016, quando foi adotado o preço de paridade por importação (PPI) pelo governo de Michel Temer (MDB). Isso significa que qualquer mudança na cotação do dólar — moeda à qual a Petrobras atrela o valor do combustível — tem impacto imediato na economia do país.

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No momento, o Brasil enfrenta o pior dos cenários: o barril do petróleo está caro (R$ 565,15, às 20h de Brasília, no dia 11/3) e a moeda americana se encontra nas alturas, acima de R$ 5. Com efeito, a gasolina sofre aumento de 18,8%, chegando a mais de R$ 8 em algumas cidades do Brasil no último fim de semana.

Vale lembrar que o petróleo ficou mais caro em razão das sanções dos Estados Unidos e da União Europeia contra a Rússia, segundo maior produtor e exportador do mundo. Desde 24 de fevereiro, o país eurasiático lançou uma operação militar contra a Ucrânia — ato reprovado pela Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas).

E o etanol?

Alguns dos leitores podem vaticinar: com a gasolina cara, é hora de migrar para o álcool. Mais ou menos. Embora não seja associado ao petróleo, em geral, o preço da cana de açúcar acompanha os aumentos da gasolina. Esta é uma forma, de acordo com especialistas, de que seja possível manter os estoques. “Se o etanol for muito mais vantajoso do que a gasolina, as pessoas utilizarão muito mais, e não terá para todo o ano”, explica a diretora de rede da Ticket Log, ao UOL.

O preço do etanol também tem a ver com a valorização do açúcar. Em 2021, por exemplo, problemas climáticos afetaram na produção da safra e reduziram a expectativa de produção em 85 milhões de toneladas, isto é, de 605 no ano anterior para 520. Isso desembocou em três bilhões de litros de etanol a menos no mercado brasileiro, segundo a Unica (União da Indústria de Cana de Açúcar).

Há problemas operacionais também. O etanol, em média, tem 70% do poder calorífico do gasolina. Isso significa que o motorista precisa de mais litros do derivado da cana de açúcar para rodar a mesma distância que faria com o derivado do petróleo. Nesse sentido, o fato de o preço do etanol ser inferior ao da gasolina pode ser meramente uma vantagem artificial.

Bomba de posto com etanol, combustível no acordo da Volkswagen e BNDES
Bomba de posto com etanol, combustível no acordo da Volkswagen e BNDES (Imagem: Leonidas Santana/Shutterstock)

Elétricos são boa alternativa (mas caros demais)

Em termos de economia, no entanto, não há como negar: elétricos puros são até quatro vezes mais eficientes do que modelos a gasolina ou etanol. O Olhar Digital já até debateu a questão: os 40 carros mais eficientes do Brasil, atualmente, são elétricos ou híbridos, segundo informações do Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia).

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Mas se ao mesmo tempo a eletricidade fornece um melhor consumo em longo prazo, a crise hídrica, que infere diretamente na inflação, contribui para um cenário de incertezas na energia elétrica. No ano passado, a tarifa de energia subiu demais, porque a falta de chuva — 2021 foi o ano mais seco dos últimos 91 anos — reduziu o volume de água nas hidrelétricas.

Carros elétricos também possuem um preço muito maior do que aqueles movidos a etanol ou gasolina. Para se ter uma ideia, o JAC E-JS1, movido a baterias de fosfato-lítio e nomeadamente o modelo mais em conta no Brasil, custa em torno de R$ 165 mil, segundo a tabela da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômica) de março deste ano.

“A venda de veículo elétrico no Brasil é de 0,3%, não é nem 0,5%”, explica Cássio Pagliarini, analista da Bright Consulting. “Esses já são carros para milionários. São carros para 500, 600 mil pessoas.”

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Diante desse cenário, faz sentido ter um carro elétrico? Ao menos em longo prazo, sim. O aumento na infraestrutura para elétricos vem melhorando paulatinamente no país e o investimento em usinas de energias limpas indica boas perspectivas.

A Volvo, por exemplo, anunciou no fim do ano passado que vai instalar uma rede de recarga rápida por 3.250 km de estradas no Brasil. Em 2021, o mercado livre de energia bateu também recorde com mais de 3 gigawatts instalados e 75% das usinas implantadas sendo eólicas ou fotovoltaicas, segundo informações do Ministério de Minas e Energia.

Crédito da imagem principal: Chai UM-IM/Shutterstock

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Lucas Berredo

Lucas Berredo é redator(a) no Olhar Digital

André Lucena
André Lucena

Pai de três filhos, André Lucena é o Editor-Chefe do Olhar Digital. Formado em Jornalismo e Pós-Graduado em Jornalismo Esportivo e Negócios do Esporte, ele adora jogar futebol nas horas vagas.

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