Em sua estreia na Copa do Mundo de 2022, que está sendo disputada no Catar, a Argentina foi derrotada pela Arábia Saudita por 2×1 de virada. E um lance em particular tem tirado o sono dos “hermanos”.

O atacante Lautaro Martínez chegou a marcar um gol, anulado pelo VAR por meio da tecnologia semiautomática. Contudo, segundo os tabloides argentinos, houve um erro de interpretação da arbitragem ao traçar a linha de impedimento.

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Um arquiteto espanhol que ajudou no desenho do sistema entrevistado pelo portal Olé, Nacho Tellado, afirmou que o gol foi legal. “Em nenhum caso o gol é ilegal. É jogada legal. Não há necessidade de entrar no assunto das falas, é um erro de critério, confundem-se com os zagueiros. É muito simples: só fiz uma análise do jogador certo, o lateral-esquerdo da Arábia, que está atrás. O sistema não é semiautomático, é algo subjetivo, é uma pessoa que está em uma sala colocando linhas.”

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Imagem divulgada pela FIFA do lance de Lautaro Martínez (Imagem: Reprodução)

Mas, afinal de contas, como a tecnologia semiautomática do VAR que tanto está sendo acusado de ter se equivocado pelos argentinos funciona? O Olhar Digital explica a seguir.

O sistema básico do VAR semiautomático

A base do sistema semiautomático do VAR, testado na Copa Árabe de 2021 e no Mundial de Clubes do mesmo ano com êxito, é um alerta de impedimento automatizado que avisa a equipe de arbitragem na cabine do VAR e a de campo, divulgando a seguir uma animação 3D no telão do estádio e na transmissão oficial das partidas para os telespectadores, de modo a explicar ludicamente qual foi a marcação.

Ao todo, são 12 câmeras de rastreamento exclusivamente dedicadas para este fim e posicionadas nos tetos dos estádios.

Elas ficam de olho na bola Al Rihla e em até 29 pontos dos 22 atletas em campo, 50 vezes por segundo, precisando a posição de cada um no gramado.

Entre as informações dos jogadores colhidas pelas câmeras, estão os respectivos posicionamentos de seus membros e extremidades relevantes e necessárias para indicar se há impedimento.

Al Rihla com sensor

A bola do mundial do Catar, a Al Rihla, conta também com um sensor de unidade de medição inercial interno que complementa o sistema, que envia os dados de vídeo para a sala do VAR. O dispositivo encaminha as imagens 500 vezes por segundo, o que permite identificar com precisão o ponto exato do chute do jogador.

Os dados e a IA (inteligência artificial) são combinadas, gerando o alerta que é enviado aos árbitros, que decidem se há ou não o impedimento. O sistema semiautomático possibilita que o tempo de espera para a marcação ou não da infração caia para meros segundos.

Análise dos dados de teste

Nos testes realizados na Copa Árabe e no Mundial de Clubes de 2021, os dados colhidos foram analisados pelo MIT Sports Lab e validados pelo TRACK da Victoria University de forma científica a tecnologia que rastreia os membros dos jogadores.

“Essa tecnologia é o culminar de três anos de pesquisa e testes dedicados para fornecer o melhor para as equipes, jogadores e torcedores que irão para o Catar no final deste ano. A FIFA está orgulhosa desse trabalho e esperamos que o mundo veja os benefícios da tecnologia semiautomática de impedimento na Copa do Mundo”, disse Gianni Infantino, presidente da FIFA.

Erros constantes do VAR: há solução?

Antes mesmo da inserção da tecnologia semiautomática, o VAR é alvo de muitas reclamações por constantes erros e demora nas decisões, especialmente no Brasil.

O ocorrido na partida entre Argentina x Arábia Saudita será discutido durante um bom tempo, especialmente pelos argentinos e enquanto a Copa do Mundo durar.

Dessa forma, será que há solução para os erros cometidos pelo VAR? Este foi o tema da edição 18 do Sync, o podcast do Olhar Digital. Veja abaixo:

Imagem destacada: Divulgação

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