O Airbnb anunciou, por meio de seu site oficial, que vai cancelar todas as reservas de hospedagem feitas pelo seu serviço para Washington D.C, capital dos EUA. Além disso, novas reservas para a cidade serão bloqueadas pela empresa, que citou os recentes eventos da invasão ao Capitólio e relatos de que grupos estariam planejando atentados durante a “Semana de Inauguração”, evento onde o presidente-eleito Joe Biden tomará posse do cargo mais alto do país.

“O trabalho do Airbnb segue sendo informado por considerações de nossa comunidade local de hospedagem, bem como os oficiais eleitos de Washington, D.C., a polícia local e membros do Congresso ao longo desta semana”, disse a empresa em comunicado no site oficial. “Especificamente, o prefeito Bowser, o governador Hogan e o governador Northam foram enfáticos ao dizer que visitantes não devem viajar à zona metropolitana de D.C. para a Inauguração”.

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“Mais além, nós estamos cientes de relatos publicados na tarde de ontem [terça-feira, 12] relacionados a milícias armadas e conhecidos grupos de ódio que tentarão viajar [para o local] e atrapalhar a Inauguração”, diz outro trecho do comunicado.

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Airbnb não permitirá hospedagens em Washington pelo seu serviço, como medida de segurança após os recentes ataques na cidade. Imagem: AlesiaKan/Shutterstock

A ação da empresa visa preservar a segurança de todos os envolvidos na Inauguração de Joe Biden como presidente. Clientes do Airbnb que tinham reservas já marcadas serão completamente reembolsados, segundo informa a companhia, que também vai pagar aos proprietários que alugaram suas casas o valor correspondente à reserva cancelada.

As autoridades federais norte-americanas entraram em estado de alerta depois que o FBI alertou a todos sobre possíveis ataques armados de grupos opositores a Joe Biden e apoiadores de Donald Trump. O atual presidente em exercício foi derrotado nas eleições de 3 de novembro de 2020, mas muitos – incluindo o próprio Trump – alegaram, sem nenhuma comprovação, que o pleito havia sido fraudado.

Desde então, uma batalha judicial vem se formando em diversos estados onde, por um lado, alguns membros do Partido Republicano tentaram entrar com ações para impedir a contabilização de votos em favor de Biden, enquanto a Justiça eleitoral dos EUA dispensava tais ações por completo. A situação culminou em violência, quando, no último dia 6, correligionários de Trump e do Partido Republicano atacaram o Capitólio, em Washington, durante a cerimônia que certificou Biden como o vitorioso das eleições. Pelo menos cinco pessoas – incluindo dois policiais que protegiam o edifício federal – morreram.

Legisladores chamaram o ataque de “terrorismo doméstico” e, entre os invasores, foram identificados diversos membros de grupos de supremacia branca, como os Proud Boys e os Bugalloo Boys.

Proud Boys, grupo extremista que prega a supremacia branca
Membros do grupo supremacista branco “Proud Boys” em direção ao Capitólio em Washington, no último dia 6. Imagem: Leah Mills/Reuters

Airbnb não é o único

O ataque ao Capitólio trouxe um impacto generalizado – e boa parte dele, fora do âmbito político. As empresas de tecnologia se viram forçadas a adotarem posições definitivas em relação a diversos membros do Partido Republicano – incluindo o próprio Donald Trump. Todas as empresas em questão acusaram o presidente em exercício de incentivar o emprego da violência – o que a Constituição norte-americana pode entender como “sedição”, caso isso seja levado à justiça.

As ações mais evidentes incluem o banimento de Trump de praticamente todas as redes sociais conhecidas: Twitch, YouTube, Twitter, Facebook e Instagram, Reddit, Snapchat, Pinterest e vários outros nomes baniram perfis ligados ao presidente em exercício em caráter definitivo, ao passo que Amazon deixou de comercializar produtos ligados a ele ou a movimentos que o apoiassem, como os conspiracionistas que compõem o QAnon.

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O Capitólio, em Washington: edifício federal foi invadido na última semana, colocando as autoridades dos EUA em estado de alerta. Imagem: Alex Gakos/Shutterstock

Além disso, o Parler, uma espécie de “Twitter conservador” amplamente utilizado pela direita política, teve seu acesso removido tanto de seu app oficial (via Play Store e App Store no iOS) como seu contrato de hospedagem de site rescindido pela Amazon Web Services (AWS). A rede está, agora, se afiliando à Epik, uma empresa de serviços de tecnologia conhecida por hospedar plataformas de extrema-direita, como o Gab.

Já a empresa de mobilidade urbana Lime afirmou que todas as marcas da Trump Organization – que inclui hotéis, resorts e prédios residenciais – estavam terminantemente removidas de suas listagens para funcionários que viajassem a serviço da companhia.

Fonte: Airbnb