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Em entrevista com o empreendedor norte-americano Peter Diamandis, fundador e diretor-executivo da X Prize Foundation, o bilionário Elon Musk afirmou que “honestamente, muitas pessoas provavelmente irão morrer no começo” dos esforços para colonização de Marte. A presença humana permanente no planeta vermelho é um dos objetivos a longo prazo de uma de suas empresas, a SpaceX.

“Ir a Marte parece com aquele anúncio do Shackleton em sua viagem à Antártica”, disse Musk, em referência às múltiplas expedições do inglês Sir Ernest Henry Shackleton em busca do Polo Sul entre 1901 e 1922.

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O anúncio, cuja publicação nunca foi confirmada, supostamente dizia: “Precisa-se de homens para jornada perigosa. Salário baixo, frio intenso, longos meses de escuridão completa, retorno seguro duvidoso, honra e reconhecimento em caso de sucesso”.

Recriação do suposto anúncio de Shackleton procurando voluntários para uma viagem à Antártica. Sua publicação nunca foi confirmada. Fonte: Smithsonian Magazine

“É perigoso, é desconfortável, é uma longa jornada. Você poderá não voltar vivo. Mas é uma aventura gloriosa, e será uma experiência incrível”, disse ele.

“Você poderá morrer… e você provavelmente não terá boa comida e outras coisas. É uma jornada árdua e perigosa da qual você pode não voltar vivo, mas é uma aventura gloriosa”, afirmou Musk, que riu e completou: “Soa interessante!”.

Vale lembrar que as condições inóspitas descritas por Musk, e o alto risco de morte, foram encontradas em praticamente todas as grandes jornadas da humanidade, do momento em que nossos ancestrais deixaram a África, passando pela colonização das Américas e Oceania até as primeiras missões tripuladas ao espaço e eventualmente a chegada à Lua.

Não é a primeira vez que Musk faz uma declaração deste tipo. Em setembro passado ele já havia dito que precisaria de centenas de pessoas “prontas para morrer” para atingir sua meta de estabelecer uma colônia com 1 milhão de pessoas em Marte até 2050. Para isso a SpaceX precisará construir mil Starships, que levarão passageiros, carga e equipamentos da Terra para Marte ao longo de 20 anos, entre 2030 e 2050.

O próprio Musk afirma que há 70% de chance dele mesmo fazer a jornada. E teme que sua empresa não consiga atingir o objetivo antes do fim de sua vida: “Se não acelerarmos o ritmo de nosso progresso, eu certamente estarei morto antes de irmos a Marte. Levamos 18 anos apenas para estarmos prontos para levar as primeiras pessoas à órbita. Temos que acelerar nosso ritmo de inovação ou, considerando tendências passadas, eu certamente estarei morto antes de chegarmos em Marte”

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O executivo tem 48 anos de idade, e teria 78 se a SpaceX conseguir concretizar o plano. O prazo está dentro da expectativa de vida de um cidadão norte-americano médio, ainda mais um bilionário com acesso à medicina de ponta.

Starship, espaçonave da SpaceX, na Lua, com pintura da Nasa
Ilustração de uma Staship na Lua. Os astronautas e veículos ao “pé” da espaçonave dão uma ideia de seu tamanho. Imagem: Nasa

Recentemente a Nasa anunciou um contrato com a SpaceX para construção de uma versão da Starship que será usada para transportar astronautas à Lua como parte do programa Artemis, que tem o primeiro pouso tripulado programado para 2024.

Entretanto, a espaçonave ainda está em pleno desenvolvimento. Até hoje, apenas seis protótipos alçaram voo: a SN5 e SN6 completaram com sucesso “saltos” a 150 metros de altura.

Já a SN8, SN9, SN10 e SN11 foram lançadas e alcançaram com sucesso uma altitude de 10 km, mas todas explodiram durante o pouso ou, no caso da SN10, minutos após ele. A empresa se prepara para testar em breve um novo protótipo chamado SN15, um design mais avançado que o que vinha sendo usado desde a SN8.

Fonte: Space.com