Conscientização é a meta principal dos especialistas em neurologia no decorrer de maio, o mês nacional de combate à cefaleia. O objetivo é alertar a população sobre os diversos tipos de dores de cabeça, orientando sobre os riscos e as formas de prevenção. E um tipo muito comum, principalmente nos últimos tempos, é o relacionado ao uso excessivo de equipamentos tecnológicos. 

Seja para estudar ou trabalhar no computador, seja ao se comunicar pelo celular, estamos sempre com algum aparelho ligado por perto. Esse uso exagerado pode levar nosso corpo a desenvolver variados problemas de saúde: vista cansada, dores musculares, postura inadequada, e, claro, dores de cabeça.

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Os impactos negativos na qualidade do sono, causados pelo contato com esses aparelhos perto do horário de descanso, podem ocasionar ou intensificar as crises de enxaqueca. 

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Contato com dispositivos eletrônicos portáteis perto do horário de descanso pode ocasionar ou intensificar as crises de enxaqueca. / Imagem: OHishiapply – Shutterstock

Fadiga ocular e dor de cabeça

Também conhecida como presbiopia ou vista cansada, a fadiga ocular é um fenômeno relacionado ao envelhecimento e que afeta, em geral, a visão de objetos próximos. Tradicionalmente, é um sinal que surge por volta dos 40 anos. Entretanto, o perfil dos pacientes vem mudando por causa da fadiga ocular digital: consequência do uso de dispositivos tecnológicos por longos períodos de tempo.

Esse distúrbio apresenta uma variedade de sintomas, que ficam piores no fim do dia: enfraquecimento visual, hipersensibilidade à luz, lacrimejamento, olhos vermelhos, secura e coceira oculares, afastamento de objetos para tentar enxergá-los mais claramente e intensas dores de cabeça. 

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Fadiga ocular digital: consequência do uso de dispositivos tecnológicos por longos períodos de tempo. / Imagem: Fizkes – Shutterstock

Segundo a oftalmologista Carine Sobreira, a dificuldade de focar, com consequente esforço para manter as imagens nítidas, pode gerar uma demanda excessiva da musculatura ocular, o que reconhecemos como aumento de esforço acomodativo. “Essa solicitação constante pode provocar dores de cabeça, principalmente após longas sessões de leitura ou uso de telas”, explica.

Uso excessivo de smartphones pode agravar enxaquecas

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma das formas de cefaleia mais comuns é a enxaqueca, que atinge em torno de 15% da população mundial. Só no Brasil, são mais de 30 milhões de pessoas sofrendo desse mal.

Além de dor de cabeça, essa doença complexa apresenta sintomas como fotofobia (sensibilidade à luz), fonofobia (sensibilidade a sons), náusea e vômito. Pesquisadores ainda estão tentando compreender totalmente os mecanismos desse problema, mas já existem estudos que relacionam o uso excessivo de smartphones ao agravamento do quadro, direta e indiretamente.

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Enxaqueca atinge em torno de 15% da população mundial. Só no Brasil, são mais de 30 milhões de pessoas sofrendo dessa doença. / Imagem: Kateryna Kon – Shutterstock

Indiretamente, a enxaqueca pode ter relação com o uso exagerado desse tipo de aparelho por meio do efeito adverso que o dispositivo pode ter no sono, tanto em termos de quantidade quanto de qualidade.

Estudo publicado em 2019, na revista Neurosciences, analisa essa conexão entre o uso excessivo dos smartphones com a frequência, intensidade e duração da dor de cabeça nas crises de enxaqueca, a redução na qualidade do sono e a sonolência durante o dia.

Para os pesquisadores, a qualidade do sono dos pacientes com enxaqueca, já abalada pela própria doença, é ainda mais prejudicada pelo uso desmedido dos celulares e tablets à noite. Outros fatores prejudiciais incluem possíveis efeitos de campos eletromagnéticos desses dispositivos no cérebro, a luz azul emitida pelas telas e até mesmo a exigência de permanecer conectado constantemente, o que amplia o estresse e a síndrome de burnout, contribuindo para a piora nas crises.

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Como evitar dores de cabeça relacionadas à tecnologia

Diminuir o uso de smartphones ou posicioná-los mais próximo da altura dos olhos são boas estratégias para evitar ou reduzir o problema. A dor pode ser em um dos lados da cabeça ou nos dois, e até atrás dos olhos quando se movimenta o pescoço. 

Um bom conselho é mudar de postura na hora de mexer no celular, evitando permanecer durante muito tempo numa mesma posição (principalmente, com a cabeça inclinada para frente). Essa posição leva às chamadas cefaleias cervicogênicas, que surgem de tanto inclinar a cabeça para frente da tela do celular, o que cria uma pressão intensa nas partes frontais e traseiras do pescoço.

O mesmo se indica em relação aos computadores: adequar o monitor à visão, deixando na altura dos olhos, sem que precise levantar ou abaixar a cabeça.

Se isso se agravar pode levar a uma condição conhecida como nevralgia occipital, uma condição neurológica em que os nervos occipitais (que vão do topo da medula espinhal até o couro cabeludo) ficam inflamados ou lesionados. Ela pode ser confundida com enxaqueca. Geralmente, os incômodos começam na parte de trás da cabeça, mas, às vezes, ficam localizadas mais na parte da frente, acima dos olhos.

Atenção à distância, luz e tempo: ao usar TV, computador, smartphones e outros equipamentos, é indicado manter uma distância mínima de 40 centímetros entre a tela e o rosto. “Também devemos reduzir o brilho da tela e manter o ambiente bem iluminado. Dar intervalos a cada 40 minutos, de cinco minutos no mínimo, e olhar pela janela ou para objetos distantes”, orienta a médica.

Outra medida preventiva aconselhada por especialistas é corrigir o tamanho das fontes dos textos (deixando-as um pouco maiores e legíveis) e aumentar o zoom sempre que necessário, para visualizar melhor as páginas da internet.

Consultar um oftalmologista anualmente e sempre que se sentir incomodado é necessário para manter a saúde ocular em dia e para identificação da necessidade de tratamentos complementares, como óculos e colírios.

Fontes: Pronto Passou / Viva Oftalmologia

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