Uma carga preciosa chegou da Europa ao Kennedy Space Center da Nasa, na Flórida, na última semana: o módulo de serviço que, em 2023, fornecerá energia à cápsula Orion, espaçonave do Projeto Artemis, primeira missão humana à Lua desde a era Apollo.

Mas, o que exatamente é o Módulo de Serviço Europeu (ESM, na sigla em inglês), e por que a Nasa confiou aos engenheiros do velho continente a construção de um componente tão importante para a missão histórica?

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Na verdade, esse já é o segundo módulo de serviço desenvolvido pela indústria europeia para a cápsula Orion. O primeiro está acoplado à cápsula que voará no fim deste ano, ou início de 2022, sem tripulação em uma viagem ao redor da Lua. Ele foi construído por um consórcio liderado pela gigante aeroespacial europeia Airbus. 

O Módulo de Serviço Europeu (ESM) consiste em 20 mil componentes e servirá como força motriz para a cápsula Orion, da Nasa, para voos para a órbita e a Lua. Imagem: Airbus

Europa participa de Projeto Artemis depois de ter sido deixada de fora do Programa Apollo

Montado em Bremen, no norte da Alemanha, o ESM-1 foi nomeado em homenagem à sua cidade natal, segundo Catherine Koerner, gerente do programa Orion da Nasa, durante uma coletiva de imprensa da Airbus na semana passada.

Construir o módulo de serviço que irá lidar com a propulsão, energia e controle térmico para a cápsula Orion vazia (e, mais tarde, também dará suporte para voos tripulados) foi um grande negócio para os europeus. Na última vez que os humanos foram para a Lua, eles foram deixados de fora. Agora, não estão apenas fornecendo uma peça de tecnologia fundamental, como também ganharam três assentos para astronautas europeus nas missões planejadas do Projeto Artemis.

Até o momento, seis ESM estão sendo construídos sob um contrato entre a Agência Espacial Europeia (ESA) e a Airbus, e outro lote de três está sendo negociado. “Apesar dos atrasos relacionados à pandemia de Covid-19, a Airbus conseguiu entregar o ESM-2 no prazo e está a caminho de produzir um módulo de serviço por ano”, disse a ESA em comunicado.

A nave espacial Orion para a missão Artemis I, voo não tripulado da Nasa à Lua. Imagem: Nasa

Ao projetar o módulo de serviço cilíndrico de 4 metros de largura por 4 de altura, os engenheiros da Airbus basearam-se em sua experiência com o Veículo de Transferência Automatizado (ATV), uma nave de carga autônoma que transportava suprimentos para a Estação Espacial Internacional entre 2008 e 2014. 

O consórcio liderado pela Airbus havia construído cinco ATVs, cada um do tamanho de um ônibus de dois andares naquele período. Cada um tinha capacidade de levar até 6,5 mil kg de carga para o posto avançado orbital. Ao contrário da nave de carga Dragon da SpaceX, os ATVs incineravam ao entrar na atmosfera da Terra cheios de lixo e itens descartados da ISS.

Os ATVs, que eram capazes de atracar por conta própria, serviram de cartão de visita para a Airbus conseguir fazer parte do Projeto Artemis, que promete inaugurar uma nova era de exploração espacial. 

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“O desenvolvimento do Módulo de Serviço Orion começou há 10 anos”, disse Didier Radola, gerente de projeto do ESM da Orion na Airbus. “Agora, temos um programa sólido, que está funcionando a toda velocidade. O primeiro módulo de serviço agora está integrado ao veículo Orion para a primeira missão Artemis. O segundo módulo de serviço está pronto para envio para o Centro Espacial Kennedy, o terceiro está em processo integração”, revelou Radola, dias antes do envio do ESM-2 para a Nasa.

Assim como os ATVs, o módulo de serviço Orion é equipado com quatro painéis solares de 7 metros dispostas em forma de X. Cada um deles consiste em três painéis menores que fornecem eletricidade suficiente para alimentar duas casas de três quartos, segundo a Nasa.

Motores herdados dos ônibus espaciais

Os ESM herdaram seu motor principal dos ônibus espaciais. Construído pela Aerojet Rocketdyne, o motor AJ10 é capaz de se mover para controlar a direção do voo. No caso do ESM-2, é um motor recondicionado do ônibus espacial Atlantis, o quarto dos cinco ônibus construídos pela Nasa e o último a voar para o espaço. 

No futuro, um novo motor terá que ser encontrado para o módulo de serviço Orion, já que o fornecimento de motores do ônibus espacial terminará com o ESM-6, de acordo com representantes da Airbus.

O módulo também conta com oito motores R-4D-11, descendentes da era Apollo, e seis pods de quatro motores de sistema de controle de reação personalizados pela Airbus, que cuidarão das manobras e do controle de posição.

Segundo a Airbus, em sua jornada de estreia de 25 dias até a Lua, a espaçonave carregará 8,6 toneladas de combustível, o suficiente para demonstrar seus recursos ao voar mais de 64 mil km além do satélite natural da Terra.

O módulo de serviço de 13 toneladas consiste em mais de 20 mil componentes, incluindo motores, equipamentos elétricos, painéis solares, tanques de combustível e peças de suporte de vida. Tudo isso ligado por vários quilômetros de cabos e tubos. 

Depois de completar sua viagem transatlântica, o ESM-2 será acoplado ao Orion Crew Module e passará por dois anos de testes antes do lançamento inovador da missão Artemis 2, que está programada para setembro de 2023. 

Durante a missão tripulada, o módulo de serviço transportará água e oxigênio e gerenciará a tecnologia mantendo uma atmosfera respirável e uma temperatura confortável para os quatro astronautas. A futura nave espacial Orion irá atracar na nova estação espacial a ser construída na órbita ao redor da lua, chamada Lunar Gateway (algo como “Portal Lunar”).

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