No Dubai Airshow 2021, a Calidus LLC, empresa árabe especializada em tecnologia de defesa, apresentou um mockup em dimensão real de seu Calidus B-350. O modelo se tornou uma das grandes atrações da exposição, representando um desenvolvimento radicalmente ampliado do turboélice Calidus B-250, projetado pela startup brasileira Novaer para fazer frente ao Embraer A-29 Super Tucano.

A aeronave de dois lugares possui uma envergadura de mais de 15 metros e peso máximo de decolagem na ordem de 9 toneladas, o B-350 é bem maior que seu irmão mais velho (apresentado na edição de 2017 do evento e que também está presente na edição atual).

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Para termos uma ideia em medidas, o B-250 possui cerca de 12 metros de envergadura, enquanto que o Super Tucano da Embraer é bem menor, com envergadura de 11 metros e peso máximo de decolagem em 5.400 kg (estas duas aeronaves são bem semelhantes em termos de forma e função).

Mockup da aeronave sendo levantado
Imagem: Reprodução/YouTube/MiBASE24

Um turboélice para missões de contra-insurgência de longa duração

Com uma espécie de provisão para algum tipo de suíte de autoproteção, o B-350 conta com montagens para sensores de alerta de aproximação de mísseis visíveis em sua fuselagem (construída principalmente de compostos de carbono). Além disso, há 12 hardpoints sob as asas da aeronave (alguns dos quais podem acomodar lançadores duplos), para alocação de mísseis, bombas convencionais e inteligentes, foguetes, tanques extras entre outros.

O mock-up foi mostrado no Airshow em Dubai ao lado de uma série de munições possíveis, incluindo kits de bombas Al-Tariq, produzidos pela empresa Edge, dos Emirados Árabes Unidos. Também é possível que o Calidus B-350 seja capaz de atuar em certas funções de nicho, como missões anti-helicóptero, que exigiriam cápsulas de canhão ou mísseis leves ar-ar.

Aeronave B-350 junto a várias unidades de armas
Imagem: Reprodução/YouTube/MiBASE24

Um motor Pratt & Whitney Canada PW127 de 2.600 cavalos de potência aciona acionará uma hélice de seis pás do B-350, sendo a mesma unidade usada no avião ATR 72 com turboélice e no transporte militar Airbus C295M. Aqui, outra evolução considerável para o B-250, que é movido por um Pratt & Whitney Canada PT6A-68 de 1.600 cavalos de potência. É possível conferir mais imagens do B-350 na primeira metade do vídeo abaixo.

O A-29, em particular, tem tido enorme sucesso em conquistar um nicho para si mesmo no segmento de contra-insurgência turboélice/ataque leve. O Super Tucano tem sido o pedido de clientes na América Latina, África, Oriente Médio e em outros lugares na Ásia, com alguns desses clientes o levando para combate.

Já o projeto do B-250 teve origem no Brasil, onde a startup Novaer construiu os dois primeiros protótipos do turboélice em 2017. Uma joint venture agora dissolvida com a Calidus financiou as duas primeiras aeronaves, despachando protótipos para os Emirados Árabes Unidos naquele mesmo ano.

O B-350 pode acabar surgindo como uma opção para clientes que estejam interessados em um algo a mais do que um A-29, um B-250 ou até mesmo um americano AT-6 Wolverine. Entretanto, as informações mais específicas que surgiram sobre o turboélice gigantesco até agora vêm principalmente da Charvát AXL, uma empresa tcheca que assinou um contrato para entregar conjuntos de trens de pouso para a aeronave.

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