Pesquisadores da Universidade de Tsukuba, no Japão, descobriram um método não invasivo de estimulação cerebral, a estimulação magnética transcraniana repetitiva (EMTr). Segundo os cientistas, o novo método é capaz de modular os ritmos cerebrais e o comportamento cognitivo durante a resolução de problemas.

Os cientistas conseguiram descobrir que o EMTr é capaz de aumentar a sincronização dos ritmos cerebrais durante tarefas cognitivas. Como alguns ritmos cerebrais estão diretamente ligados a determinados aspectos da cognição, os resultados podem ajudar no aprimoramento de habilidades cognitivas.

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Divisão dos ritmos pré-frontais

O professor Masahiro Kawasaki, autor principal do estudo, explica que os ritmos pré-frontais são divididos em teta e alfa. Os ritmos teta pré-frontais estão associados ao controle cognitivo e à resolução de conflitos, enquanto isso, os alfa são responsáveis por novas ideias e pela resolução de problemas.

“Como a EMTr pode ser usada para alterar a atividade neural, queríamos investigar como a estimulação em frequências específicas poderia afetar o comportamento de resolução de problemas”, explicou o autor do estudo em artigo publicado no Scientific Reports.

Para isso, os pesquisadores examinaram as relações entre oscilações cerebrais e a “desistência” cognitiva. Durante os exames, os voluntários realizaram uma série de tarefas que envolviam resolução de problemas. Em seguida, foram examinados os efeitos da EMTr nas oscilações cerebrais e no desempenho nas tarefas.

Quando desistir?

Mulher jogando papéis para o alto
Enquanto o ritmo alfa do lobo frontal está associado à resolução bem-sucedida de problemas, o ritmo teta está logado à desistência. Crédito: Tero Vesalainen/Shutterstock

Os testes consistiam em resolver alguns exercícios de lógica, sendo possível aos participantes indicar quando queriam “desistir” de resolver as tarefas. “Descobrimos que o ritmo teta no lobo frontal do cérebro estava associado à desistência”, escreveu Kawasaki.

Ao mesmo tempo, os pesquisadores notaram que o ritmo alfa estava associado à resolução bem-sucedida desses problemas. A etapa seguinte consistiu em aplicar o EMTr em frequências específicas enquanto os participantes completavam a mesma tarefa cognitiva, medindo as ondas cerebrais e o desempenho.

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Kawasaki descreveu os resultados como “empolgantes”. “A EMTr de frequência Teta aumentou as amplitudes de teta e diminuiu os comportamentos de desistência”, explicou o pesquisador. “A EMTr de frequência alfa aumentou as amplitudes de alfa, mas não teve efeito na desistência”, completou.

Aplicações práticas

Isso pode ser uma evidência importante de que a EMTr pode ser usada para modulação da atividade oscilatória do cérebro, além de comportamentos relacionados aos processos de desistência. No final das contas, isso pode ser uma chave para tratamentos melhores para transtornos como a depressão.

A ruminação é uma característica bastante comum da depressão e pode suprimir os comportamentos adaptativos de desistência. Isso pode fazer com que pessoas com depressão possam ter problemas na hora de desistir de algo e se concentrar em outras coisas quando não estão obtendo sucesso naquela missão;

A pesquisa mostra como a modulação dos ritmos neurais alfa e teta podem diminuir a ruminação e tratar alguns sintomas da depressão. Além disso, o estudo é um exemplo importante de como o EMTr pode ser usado para mudar o comportamento de pessoas com transtornos mentais.

Via: Medical Xpress

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