Tratamentos à base de cannabis têm se mostrado bastante promissores para uma série de condições, como dores crônicas, epilepsia e esclerose múltipla. Com isso, vem crescendo também o número de medicamentos aprovados pela Anvisa que usam a cannabis como base, assim como as importações.

Ao todo, já são 14 medicamentos à base de cannabis aprovados pela Anvisa, que podem ser encontrados em farmácias aqui no Brasil. As importações também têm subido bastante, partindo de 19.150 em 2020 para 40.191 em 2021, um aumento de 109,8% em apenas um ano.

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Prescrição ainda é muito rara

No entanto, medicamentos à base de cannabis só podem ser vendidos mediante prescrição médica, e é aí que a questão começa a ficar um pouco mais complexa. Mesmo com a alta na aprovação de medicamentos, o número de receitas médicas ainda é relativamente baixo.

Segundo dados da Anvisa, apenas 2.100 profissionais brasileiros estão aptos a prescrever medicamentos à base de cannabis. Este número equivale a apenas 0,5% do total de médicos que estão em atividade no Brasil atualmente.

“A classe médica necessita se aprofundar mais no potencial da cannabis medicinal, porque, sem conhecimento, não há segurança para prescrever”, declarou a neurocirurgiã Patrícia Montagner. Segundo a médica, a procura por medicamentos à base de cannabis por parte dos pacientes tem crescido bastante.

Problemas na formação

Equipe médica
Baixa prescrição se dá muito por conta de se falar muito pouco sobre cannabis nas faculdades de medicina. Créditos: Shutterstock

Montagner, que é fundadora WeCann Academy, instituição brasileira que oferece cursos sobre medicina endocanabinoide para médicos, lembra também que a cannabis é pouco discutida nas faculdades de medicina e etapas relacionadas a especialização na formação médica.

“Não há acesso a esse conhecimento na faculdade de medicina, nem na residência médica e, ainda, são poucas as opções de livros e cursos qualificados que ensinam o passo a passo dessa terapêutica e como prescrever na prática, com segurança e bons resultados”, diz a médica.

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De acordo com ela, é responsabilidade da comunidade médica aprimorar o conhecimento sobre os medicamentos à base de cannabis. Com isso, será possível oferecer tratamentos cada vez mais seguros, eficazes e assertivos para os pacientes.

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