Um grupo de astrônomos decidiu comparar dados de estrelas ao longo de décadas de observações, para ver se esses astros simplesmente somem, de repetente. O projeto Fontes que Desaparecem e Aparecem Durante Um Século de Observações (Vasco, na sigla em inglês – não confundir com o time carioca) é parte do Instituto Nórdico de Física Teórica (Nordita), da Suécia.

De acordo com Beatriz Villarroel, integrante do instituto, o projeto visa trabalhar com todos os tipos de objetos em desaparecimento. “Mas o ideal é encontrar uma estrela que seja estável e esteja no céu desde que possamos nos lembrar e que tenhamos dados para caso um dia ela simplesmente desapareça. Você poderá apontar os maiores telescópios do mundo para ela e ainda assim não verá nada”, explicou.

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A equipe do projeto, iniciado em 2017, conta com astrônomos de diversas áreas, como especialistas em núcleos ativos de galáxias, físicos estelares e até cientistas que trabalham na busca de vida inteligente extraterrestre (SETI). “Todos têm um motivo para se envolver”, acrescentou Villarroel.

Atualmente, sabe-se que estrelas mudam muito lentamente, levando milhões ou bilhões de anos para morrer. Mas, nem por isso todas brilham continuamente. “Sabemos que existem variáveis, mas suas escalas de tempo tendem a ser de alguns anos, no máximo. Queremos encontrar algo que vá de uma estrela completamente estável a simplesmente desaparecer por completo”, destacou a cientista.

Algo assim nunca foi documentado e é o tipo de descoberta que, segundo Villarroel, pode levar a uma nova física. Por isso, o projeto Vasco usa dados de 70 anos atrás e compara com informações atuais, para ver como o céu pode ter mudado. Todas as pesquisas estão disponíveis gratuitamente digitalizadas online, no site da Universidade de Uppsala.

Até agora, a pesquisa notou mais de 800 estrelas aparentemente “perdidas”. Mas, ainda há muitos dados a serem processados e estudados profundamente. “Encontramos uma série de transientes de curta duração que aparecem em uma imagem, mas não aparecem novamente. Eles respondem pela maior parte do que encontramos até agora, mas há outras coisas que ainda não temos certeza do que são”, acrescentou Beatriz Villarroel.

O projeto Vasco compara dados de 70 anos atrás e observações atuais. Imagem: Novarc Images / Alamy

Uma possibilidade, segundo a pesquisadora, é que as estrelas tenham algum tipo de brilho em rajadas de raios gama ou rajadas rápidas de rádio. As fontes dessas erupções cósmicas de alta energia são pouco conhecidas, mas acredita-se que, à medida que a produção de energia diminui, passam por um período curto de visibilidade.

“Com 800 candidatas, ainda temos muito trabalho a fazer e acho que é quase certo que é uma mistura de objetos de diferentes tipos”, disse Villarroel. Mas, se alguma (ou algumas) dessas estrelas realmente desapareceu, qual a explicação?

Uma opção é a supernova “fracassada”: uma estrela realmente gigantesca, com um núcleo enorme, colapsou em um buraco negro e consumiu o resto da energia de dentro para fora, interrompendo a torrente de energia que normalmente acompanha uma explosão de supernova, sem deixar vestígios para trás.

Outros processos naturais são difíceis de imaginar, e é aí que entram os astrônomos do SETI. Esse grupo de cientistas acreditam que esses eventos aparentemente impossíveis revelem a existência de civilizações alienígenas avançadas.

A confirmação do que realmente aconteceu, porém, vai ter que esperar enquanto o Vasco estuda as observações. “Não conhecemos nenhum processo em que uma estrela simplesmente desapareça, exceto por essa hipotética supernova fracassada. Estrelas desaparecidas se tornam interessantes porque não observamos essas coisas na natureza. O princípio era procurar coisas que considerávamos impossíveis”, concluiu Beatriz Villarroel.

Via: Space

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