Em entrevista a Anderson Cooper, âncora da CNN, nesta segunda-feira (11), o ator William Shatner, que irá ao espaço em um voo da Blue Origin marcado para a manhã desta quarta-feira (13), mencionou uma regra um tanto incomum que os passageiros devem seguir: é proibido vender itens levados a bordo como lembrancinhas (“mementos”, em inglês).

“Eles me permitiram levar um saquinho azul cheio de lembrancinhas, então a família e amigos estão juntando pequenos itens para eu levar”, disse Shatner. “Mas você não pode vender elas. Não, isso é para fins pessoais”. 

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Este “saquinho” é conhecido na indústria aeroespacial como PPK, ou Personal Preference Kit. É uma forma de controlar a quantidade de itens levados ao espaço por cada astronauta (só é permitido o que sabe no saco). A prática remonta ao início das viagens espaciais, quando astronautas do programa Mercury começaram a levar pequenos itens consigo em seus voos. Percebendo que estes objetos logo teriam valor comercial, a Nasa decidiu regulamentar o que pode ou não voar com os astronautas. Por exemplo, itens inerentemente colecionáveis, como selos e moedas, são proibidos.

A tripulação da NS-18. Da esquerda para a direita: Chris Boshuizen, Audrey Powers, William Shatner e Glen de Vries. Imagem: Blue Origin
A tripulação da NS-18. Da esquerda para a direita: Chris Boshuizen, Audrey Powers, William Shatner e Glen de Vries. Imagem: Blue Origin

No caso da Blue Origin, a regra se aplica a todos os passageiros. Um porta-voz da empresa declarou ao site collectSPACE que “nossos termos proíbem as pessoas de vender qualquer coisa que levem a bordo com elas. Isso está incluso em um dos documentos que os astronautas devem assinar antes de voar na New Shepard.”

Entretanto, a empresa não entrou em mais detalhes sobre estes termos, alegando que são “confidenciais”. Outra empresa do setor de turismo espacial, a Virgin Galactic, também proíbe a venda de itens levados a bordo. 

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“Permitiremos que nossos ‘Futuros Astronautas’ levem objetos pessoais, mas é óbvio que temos que nos certificar de que estes se encaixam em nossas regras de segurança e princípios comerciais. Eles precisam ser pequenos o suficiente para caber nos bolsos do traje de voo, passar por nossos requisitos técnicos e não entrar em conflito com nossa marca”, disse ao collectSPACE Clare Pelly, diretora do departamento de astronautas na Virgin Galactic.

Fotos e itens pessoais estão liberados, mas a empresa irá proibir qualquer coisa que possa ser “monetizada”. “Nossa política é não permitir qualquer exploração comercial das reservas de voo e queremos garantir que a experiência de voo privado não seja comprometida por obrigações a terceiros. Isto será coberto nas Condições para Bagagem que cada consumidor terá que assinar antes do voo, que definem limitações e restrições no uso das lembrancinhas”.

Já os tripulantes da Inspiration4, primeira missão civil à órbita terrestre, levaram consigo várias lembranças, entre elas itens realmente pessoais como as alianças de casamento dos pais de Hayley Arceneaux e um autógrafo de Neil Armstrong, primeiro homem a pisar na Lua, para o pai da Dra. Sian Proctor.

Mas também havia coisas mais “mundanas”, como sementes de lúpulo (ingrediente essencial para a produção de cervejas), jaquetas customizadas para a missão Inspiration4, pelúcias de personagens de desenhos ambientados no espaço e 50 NFTs (tokens não fungíveis) de obras de vários artistas, além de vários outros objetos que irão a leilão para ajudar a cumprir a meta objetivada pela viagem: juntar US$ 200 milhões para o Hospital Infantil St. Jude.

Não se sabe se o leilão foi permitido pelo propósito filantrópico da missão ou se a SpaceX ainda não elaborou regras quanto à comercialização de itens levados por seus passageiros.

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