O Grupo Volkswagen vai investir cerca de 1,9 bilhão de Libras (algo em torno dos R$ 14 bilhões) na startup Argo AI, para criar a tecnologia de “melhor motorista do mundo” para a “ID. BUZZ” — a nova Kombi elétrica da montadora.

O automóvel, que recentemente teve seu lançamento confirmado para 2022, fará parte do foco dos trabalhos da startup especializada em carros autônomos, e que tem como grandes investidores a montadora alemã e a americana Ford.

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Para os próximos quatro anos, a Volkswagen pretende iniciar um esquema de compartilhamento de caronas com veículos ID. BUZZ equipados com direção autônoma. A empresa planeja que a Kombi elétrica seja precursora de uma gama de EVs autônomos comercialmente oferecidos.

Os testes com o veículo multi-uso estão sendo realizados atualmente em uma pista dedicada, em Munique, na Alemanha. Logo, a VW deverá levar esses veículos para vias públicas em toda a cidade, em um movimento administrado pela sua divisão de mobilidade, Moia, (que opera um serviço de compartilhamento de caronas usando um micro-ônibus elétrico personalizado).

ID. BUZZ foi flagrada em pista de testes com sensor LiDAR

Veículo da Volkswagen, ID.BUZZ, sendo testado
(Imagem: Reprodução/Twitter)

Uma versão de protótipo da ID. BUZZ autônoma foi exibida no mês passado na capital do estado alemão da Baviera, um dos vários locais que hospedam a Volkswagen e a Argo AI. O veículo também foi visto na pista de testes, com uma série de sensores montados no teto.

A Kombi devidamente camuflada apareceu praticamente “completa”, com pára-choques de produção, luzes, espelhos, portas e até o ponto de carregamento, na parte de trás. Foi possível, inclusive, observar a ID. BUZZ por dentro, como uma prévia daquilo que deverá ser a “melhor motorista do mundo”.

Nesta área de cima da nova Kombi estaria o sensor LiDAR, tratado como o de maior alcance em operação. O dispositivo pode identificar perigos complexos, como carros na cor preto fosco em até 400 metros.

Visão da parte de dentro do veículo capturada
(Imagem: Reprodução/Twitter)

Dirigindo nas cidades

Para a Volkswagen, o ambiente urbano tem uma base de clientes maior para veículos autônomos, como o ID. BUZZ, do que nas rodovias. Por isso, a empresa se orienta “buscando a maior complexidade” possível nos testes, segundo o CEO da montadora, Herbert Diess.

“A direção autônoma tem um enorme potencial para a indústria”, disse Diess. “Achamos que até 2030, a indústria da mobilidade pode dobrar de tamanho por causa da direção autônoma”.

Bryan Salesky, fundador e CEO da Argo AI, prevê que o compartilhamento autônomo de caronas será de maior interesse nas cidades, especialmente para as pessoas que são menos atraídas pela ideia de possuir automóveis particulares. O representante também observou que desenvolver o sistema dessa forma permitirá que ele seja eventualmente usado por empresas de entrega nas cidades, bem como por serviços de transporte de passageiros.

Os planos da Volkswagen para o ID. BUZZ são para que o veículo elétrico se dirija sozinho até 2025. Neste meio tempo, o veículo faz uma aparição aqui e ali, em momentos como o do lançamento do SUV-cupê elétrico ID.5:

Carros convencionais ainda serão a espinha dorsal da Volkswagen

Quando a ID. BUZZ for lançada em 2026, deverá ter funcionalidade autônoma de Nível 3, permitindo que um motorista humano assuma o controle. Por volta de 2030, espera-se uma atualização do veículo para o Nível 4. Até lá, a Volkswagen já deverá estar atuando como uma empresa de mobilidade, deixando de ser apenas uma fabricante de automóveis.

Projetos como este em andamento com a Argo AI são cruciais para atingir esse objetivo. Um ecossistema de veículos autônomos totalmente desenvolvido poderia eventualmente dar ao Grupo Volkswagen um fluxo de receita comparável ao que atualmente resulta das vendas de carros tradicionais.

No entanto, Diess reforça que os carros convencionais (ou seja, não autônomos) continuarão a formar a espinha dorsal da produção da empresa. O CEO aponta que as pessoas continuarão “dirigindo ou sendo dirigidas em carros próprios, alugados, compartilhados”.

A estimativa da Volkswagen é que essas opções serão responsáveis ​​por 85% da mobilidade, “e esses 85% estarão no centro do nosso negócio”, afirma Diess.

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