Em atualização divulgada na última sexta-feira (5), a Nasa afirmou que teve sucesso ao ativar alguns instrumentos da Lucy, como o espectrômetro térmico L’Tess e a câmera espectral L’Ralph, e que eles estão funcionando normalmente. Outro instrumento, a câmera L’Lorri, seria ligada na noite desta segunda-feira (8).

Quanto aos painéis solares, eles estão sendo estudados pela equipe conjunta de resposta a anomalias usando um modelo de engenharia. Os testes iniciais indicam que um cordão que puxa o painel solar para sua posição final pode não ter sido puxado com sucesso; no entanto, ainda não se sabe o que causou essa condição. A equipe está conduzindo mais testes para determinar se esse é realmente o caso e qual pode ser a causa raiz.

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Uma tentativa de mover novamente os painéis não irá ocorrer antes de 16 de novembro. A equipe de resposta continua sua análise sobre o uso do painel solar em sua configuração atual e como isso pode afetar as próximas manobras da espaçonave.

Sonda da missão Lucy
Espaçonave Lucy, durante preparação em hangar antes do lançamento. Crédito: Lockheed Martin

Pequenas manobras foram feitas com sucesso

No último dia 27 de outubro a Nasa divulgou uma informou que a espaçonave executou com sucesso várias pequenas manobras que estavam planejadas, sem efeitos adversos no painel que não está completamente desdobrado. No dia 28 a espaçonave foi apontada para a Terra, em preparação para verificação de instrumentos.

No dia 26 a posição da espaçonave já tinha sido ajustada para que engenheiros pudessem medir quanta corrente elétrica circula pelo painel com problemas, e entender quão estendido ele está. Segundo as análises, ele está entre 75% e 95% da posição esperada, e é mantido em posição por um cabo que foi projetado para auxiliar sua desdobra.

A Nasa afirma estar avaliando várias abordagens para o problema, incluindo deixar o painel solar como está. Uma tentativa de desdobrá-lo completamente não deve ocorrer antes de 16 de novembro. Todos os outros sistemas da espaçonave funcionam corretamente.

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Problema na Lucy preocupa engenheiros há quase duas semanas

Em um comunicado, há cerca de uma semana, a agência anunciou que seus engenheiros continuavam a estudar o problema com um dos painéis solares da espaçonave, projetada para uma missão de 12 anos em busca de informações sobre a formação do sistema solar.

Em 18 de outubro a agência informou que apenas um dos dois imensos painéis solares da espaçonave, com mais de 7 metros de diâmetro cada, se desdobrou completamente e “travou” na posição correta. Apesar disso, o painel “defeituoso” estava gerando quase que a quantidade de energia esperada em funcionamento normal, o que é suficiente para manter a espaçonave “saudável e funcionando”. 

A espaçonave fez a transição do “modo de segurança” para o “modo de cruzeiro” em 19 de outubro. Este modo lhe dá mais autonomia e causa mudanças de configuração que serão necessárias à medida que ela se afasta de nosso planeta.

A Lucy acionou com sucesso seus propulsores e continuará a realizar em segurança manobras de dessaturação – pequenos disparos dos propulsores para controlar seu momento – como planejado. A equipe de operações da missão adiou temporariamente a mobilização de uma plataforma de instrumentos para focar em resolver o problema com o painel solar. Outras atividades pós-lançamento planejadas continuam a ser realizadas como planejado. 

O foguete Atlas V da United Launch Alliance (ULA) colocou a espaçonave precisamente “no alvo” no espaço, então uma manobra de correção de curso chamada Trajectory Correction Maneuver 1 (TCM-1) não será necessária e foi cancelada. Com isso, a primeira manobra de correção será a TCM-2, programada para meados de dezembro.

Lucy tem um longo caminho pela frente, e irá visitar 8 asteroides no total. Um deles fica no cinturão de asteroides entre Marte e Júpiter e os outros sete são asteroides “troianos” que compartilham sua órbita com o gigante gasoso. Segundo a Nasa, estes asteroides são efetivamente “restos” da formação do sistema solar, como “fósseis” planetários, e podem conter informações valiosas sobre a origem da Terra e dos outros planetas.

O nome na espaçonave é uma homenagem ao famoso fóssil Lucy, descoberto nos anos 70 na Etiópia, o antepassado da raça humana mais antigo já encontrado. A Nasa espera que as descobertas feitas nos asteroides troianos sejam tão significativas para a astronomia quanto as propiciadas pela Lucy original em relação à nossa biologia.

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