Um mês depois de seu lançamento, o telescópio espacial James Webb finalmente chegou ao Segundo Ponto de Lagrange (L2) entre a Terra e o Sol — a posição de onde realizará sua missão no espaço. De lá até aqui, foram diversos processos voltados ao acionamento e avaliação de cada um dos componentes mais importantes de seu funcionamento. Mas a pergunta que fica é: e agora?

A resposta é simples: mais análises e mais ajustes finos. Antes de começar a capturar as estonteantes imagens do espaço que nós tanto esperamos, o telescópio passará por uma série de revisões feitas por engenheiros e cientistas, preparando-o em um processo que deve durar cerca de cinco meses, mas que vão garantir seu funcionamento por toda sua vida útil, que pode chegar a 20 anos segundo a NASA.

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Chegou, mas ainda precisa de ajustes: o telescópio espacial James Webb enfim atingiu a posição desejada pela NASA, mas o início de sua missão ainda depende de pequenos ajustes em seus componentes
Chegou, mas ainda precisa de ajustes: o James Webb enfim atingiu a posição desejada pela NASA, mas o início de sua missão ainda depende de pequenos ajustes em seus componentes (Imagem: Aleksandr Kukharskiy/Shutterstock)

O processo dessas revisões já começou, inclusive: na última segunda-feira (24), em torno das 16h (horário de Brasília), o telescópio disparou seus propulsores em um último esforço de posicionamento e correção de órbita, efetivamente “estacionando” no ponto desejado — o L2, que fica em torno de 1,5 milhão de quilômetros (km) atrás da Terra, se visto pelo Sol.

“Nós havíamos acabado de chegar às nossas mesas”, disse Keith Parrish, gerente de observação do James Webb na NASA, durante uma coletiva de imprensa logo após a chegada do telescópio ao ponto desejado. “Nós estávamos chegando às estações [de trabalho], preparando essa nave espacial maravilhosa e deixando-a pronta para fazer ciência. O melhor ainda está por vir”.

Em três meses, o time de engenheiros e cientistas deve alinhar diversos componentes de imagem do James Webb, a fim de fazer com que tudo trabalhe como se fosse um único espelho. Depois disso, começará um processo de dois meses de testes de vários componentes, com a NASA calibrando cada um para a realização de várias tarefas.

O espelho principal do telescópio espacial James Webb tem algo em torno de 6,5 metros (m) — grande demais para caber, inteiramente aberto, em qualquer foguete. Isso, fora os outros componentes, que também precisaram ser considerados.

Por isso, o telescópio foi enviado ao espaço “dobrado” e a “desdobra” ocorreu lá em cima, a caminho de sua posição para começar a missão. O time vai agora executar testes de alinhamento e posicionamento dos espelhos: o trabalho do James Webb depende do reflexo preciso da luz de objetos celestes em uma superfície uniforme e lisa.

Para fazer isso, os engenheiros vão produzir imagens de uma estrela isolada da constelação Ursa Maior (330 mil anos-luz de distância) para usar como parâmetro. Ninguém espera que o material saia com a qualidade esperada na primeira tentativa, mas saber o quão “imperfeita” ela está ajudará a equipe a calibrar corretamente o telescópio, fazendo novas imagens a cada ajuste e, eventualmente, chegando ao ponto ideal.

O processo é bem simples de se entender, embora você tenha que considerar proporções gigantescas para isso: “Vamos tirar 18 imagens separadas que estarão bem desfocadas devido ao desalinhamento de todos os espelhos”, disse Lee Feinberg, gerente do elemento óptico do telescópio James Webb.

Essa parte deve começar já na próxima semana. Antes disso a NASA deve deixar o telescópio “descansando” para dar tempo de seu instrumento primário de produção de imagem — a Near Infrared Camera (NIRCam) — esfriar por completo. A capacidade do telescópio de enxergar no espectro infravermelho requer que esse instrumento opere em temperaturas incrivelmente frias.

Depois do alinhamento do telescópio principal, o mesmo processo deve ser conduzido no espelho secundário, que é o responsável por redirecionar a luz capturada pelo espelho maior para os instrumentos. Depois, aos próprios instrumentos passarão por extensa calibragem: isso inclui o NIRCam, mas também os inúmeros espectrógrafos e câmeras que analisam a luz em vários espectros.

Só depois de tudo isso, em meados de julho, é que o James Webb deve fazer a sua primeira imagem oficial, com a NASA planejando revelá-la em outra coletiva de imprensa.

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