Com o crescente volume de satélites e objetos lançados da Terra em direção ao espaço, a Privateer, empresa fundada por Steve Wozniak (ex-Apple) e Alex Fielding (ex-Ripcord), antecipa lançar “uma rede de satélites” para coletar informações e poder sugerir soluções para o lixo espacial.

Ao menos, é o que dá a entender Moriba Jah, o chefe tecnológico da empresa, que falou ao Space.com sobre como a Privateer – cuja existência Wozniak revelou em setembro deste ano – vai cruzar dados públicos com informações coletadas por conta própria.

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Lixo espacial em órbita da Terra
O problema do lixo espacial vem incomodando empresas e agências espaciais por todo o planeta: riscos de colisão aumentam a medida em que volume de destroços e objetos também ampliam seus números (Imagem: Dotted Yeti/Shutterstock)

“Eu creio que vamos trabalhar com várias centenas de satélites”, disse Jah. “Nós não vamos lançar tudo de uma vez, mas sim construir tudo em um processo mais lento”.

Segundo a agência espacial europeia (ESA), cerca de 4,7 mil satélites estão localizados na órbita da Terra. Esse número, contudo, menciona apenas aqueles em atividade – Se somados, satélites inativos ou destroços de outros objetos elevam esta estimativa para 36,5 mil objetos que têm ao menos o tamanho de uma bola de beisebol localizados em nossa proximidade.

Outros objetos – em torno de um milhão deles – têm entre 1 e 10 cm e assustadores 330 millhões de objetos são maiores que 1 mm e menores que 1 cm.

Isso é um problema grave pois, em velocidade orbital, mesmo o menor dos objetos pode causar um estrago bem grande: “ventos de um tornado podem cravar pequenos gravetos em postes de luz, tamanha é a sua força”, comentou Bruce McClintock, que lidera a “Iniciativa Empresarial do Espaço” na Rand Corporation, durante palestra no evento COP26, da ONU.

“Agora, imagine que você está viajando a velocidades orbitais, e você tem algo do tamanho de uma pedrinha se movendo a milhares de quilômetros por hora – coisas assim podem causar danos sérios a satélites”.

Para fins de comparação com números terrenos: a uma altitude de aproximadamente 400 km – onde fica, por exemplo, a Estação Espacial Internacional (ISS) -, a velocidade orbital de um objeto é de 27,5 mil km/h. A possibilidade de choque entre objetos nessa velocidade é uma das principais preocupações de agências espaciais e empresas do ramo aeroespacial no mundo todo.

E isso, apenas falando dos choques mais previsíveis. Também temos que lembrar das consequências das ações humanas: recentemente, em um teste militar, a Rússia disparou um míssil contra um satélite desativado, explodindo-o e gerando 1,5 mil novos destroços.

Os russos defenderam-se dizendo que o material não trouxe risco imediato a ninguém, mas isso não impediu a ISS de assumir posição de emergência e trancar seus ocupantes em suas naves caso uma fuga fosse necessária. Além disso, mesmo diante da suposta ausência de risco, a Rússia acabou aumentando um problema que já era grande.

Fora as ações empresariais em órbita: a SpaceX planeja colocar até 40 mil satélites lá em cima para montar sua rede de banda larga via satélite, a Starlink. Atualmente, ela já está perto de 2 mil.

Por isso, a Privateer almeja “criar o Google Maps do espaço”, segundo o próprio Alex Fielding já definiu no passado.

“Basicamente, queremos ser uma empresa focada na oferta de inteligência para decisões por meio de agregadores de quantidades massivas de informações que, hoje, estão separadas e heterogêneas, pois acreditamos que há força para ser obtida nos números”, disse Jah.

Para isso o especialista explica que a Privateer, sob comando de Wozniak e Fielding, vai trabalhar de duas formas: a primeira é a compra e licenciamento de informação proprietária e a liberação de parte dela no cenário público (crowdsourcing de dados). A segunda é pelo lançamento de satélites próprios, com o primeiro já programado para fevereiro de 2022.

Nesta segunda parte, Jah explica que a Privateer será capaz de fazer muito mais do que um simples mapeamento, também nomeando, classificando e entregando informações sobre objetos espaciais, como tamanho, formato, velocidade de rotação, velocidade de locomoção e outros pilares.

“Os catálogos de objetos que já existem tratam essas coisas como se elas fossem esferas”, disse Jah. “Nós vamos além da esfera, em direção ao que é mais realisticamente correto em relação a esses objetos”.

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