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Inteligência artificial. IA, se preferir. Você deve ter lido esses termos pelo menos algumas centenas de vezes ao longo de 2023. Não à toa, o dicionário inglês Collins classificou “inteligência artificial” como o termo mais notável do ano. Já para o dicionário estadunidense Merriam-Webster, a palavra do ano foi “autêntico” – e isso também tem a ver com IA (e golpes).

Para te ajudar a entender como a inteligência artificial mudou em 2023 – bem como sua presença na vida cotidiana e nossa relação com essa tecnologia – o Olhar Digital repercutiu o tema entre profissionais e especialistas de diversas áreas.

Este é o tema desta reportagem, que faz parte de série especial do Olhar Digital que está fazendo retrospectiva de 2023 em várias áreas do universo tecnológico. Veja todas neste link.

Leia mais:

IA (mais ainda) no cotidiano

Detalhe da página do ChatGPT
(Imagem: Pedro Spadoni/Olhar Digital)

Não é de hoje que a inteligência artificial faz parte do nosso dia a dia. Resultados de pesquisas no Google, corretor ortográfico no teclado do celular e recomendações do que assistir em plataformas de streaming, por exemplo, funcionam há anos baseados em IA.

No entanto, conforme startups e big techs lançavam seus produtos (e atualizações) na área de IA, essa tecnologia entrou de maneira diferente – mais profunda, alguns podem dizer – no cotidiano de muitos. E houve uma mudança de paradigma aí.

A desenvolvedora Julia Biondi, por exemplo, contou que o ChatGPT entrou na sua rotina como uma ferramenta de pesquisa. “O ChatGPT me explica como se eu fosse uma criança. Então, eu busco as explicações para criar as coisas no código e ele já me explica tudo contextualizado, de uma maneira que eu consigo tirar uma informação daquilo que eu vou poder reutilizar depois. Acho ele muito efetivo para aprender coisas”, disse.

Também falando sobre o chatbot da OpenAI, o gestor de marketing Rafael Vital contou que a IA mudou sua rotina na hora de organizar apresentações e planilhas, além de checar informações. “Quando preciso fazer uma pergunta que talvez no Google levaria mais tempo para encontrar a resposta, sei que ele [o ChatGPT] conseguirá chegar o mais perto possível, assim como para assuntos mais técnicos. Sempre consulto ele como um ‘professor’”, explicou.

A IA também se mostrou útil para professores “de verdade”. Uma professora de São Paulo (SP), que preferiu conversar com o Olhar Digital sob a condição de anonimato, disse que encontrou no ChatGPT uma ferramenta para ajudá-la a desenvolver melhor (e mais rápido) suas atividades. “Hoje em dia, faço as coisas muito mais rápido e sobra mais tempo para eu conseguir fazer outras coisas que não têm envolvimento com o meu trabalho. Me ajuda muito”, contou.

Balanço da IA em 2023

Ilustração de cérebro humano com diversas formas de conteúdo em holograma para representar conceito de inteligência artificial
(Imagem: Pedro Spadoni via DALL-E/Olhar Digital)

O ritmo do avanço em IA durante 2023 foi alucinante, principalmente na área generativa – tecnologia do ChatGPT, por exemplo – que é capaz de “criar”. A cada dia, a cada semana, pipocavam lançamentos (e tombos) de grandes players, como Meta, Google e Microsoft. Quem disser que não foi difícil acompanhar, estará mentindo.

Várias mudanças significativas ocorreram na área de IA – por exemplo: a melhoria da geração de linguagem natural e imagens – neste ano. Essas mudanças, por sua vez, impactaram diversas áreas, desde a ética até a saúde, passando por jogos e segurança.

A pedido do Olhar Digital, o empresário Max Peters, CEO e fundador da Adapta (empresa especializada em IA), fez um balanço sobre os avanços da inteligência artificial em 2023. “A principal lição que a gente pode tirar desse ano é que as coisas estão acontecendo mais rápido do que a gente previa. Agora está mais concreto para todo mundo que o avanço é rápido e que a inteligência artificial não vai desacelerar”, disse.

Peters acrescentou que o ritmo desse avanço está tão rápido que, para ele, os argumentos daqueles que querem desacelerá-lo “até fazem sentido”. “A gente não tem meios tão bons de se proteger dos malefícios das inteligências artificiais que já existem hoje. Mas, ao mesmo tempo, tem muita coisa boa e interessante acontecendo”, disse.

“Agora está mais concreto para todo mundo que o avanço é rápido e que a inteligência artificial não vai desacelerar.”

Max Peters, CEO e fundador da Adapta (empresa especializada em IA), em entrevista ao Olhar Digital
Detalhe da página do ChatGPT
(Imagem: Pedro Spadoni/Olhar Digital)

Na área da saúde, por exemplo, o uso da IA para diagnóstico médico, desenvolvimento de medicamentos e personalização de tratamentos cresceu em 2023. Algoritmos de IA foram cada vez mais utilizados para análise de grandes conjuntos de dados em saúde, auxiliando na detecção precoce de doenças e na otimização de terapias.

O doutor Heron Rached, médico membro titular da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e do Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR), reforçou que a aplicação da IA nesta área ainda exige muito cuidado. Ele também destacou o ritmo das mudanças, bem como dos seus impacto. “As mudanças são muito dinâmicas, acontecem a cada minuto, e o cenário no qual vivemos hoje era esperado para [se concretizar] daqui a uns cinco ou seis anos”, disse.

Para o médico, a IA traz o que chamou de “olhar digital” para a área da saúde. E este olhar é diferente do “olhar humano”. “O olhar digital é muito mais acurado do que o olhar humano. Ele verifica, por exemplo, alterações a cada cinco milímetros. Então, muitas coisas que ‘passavam’ no olhar humano, pelo olhar digital não passa”, explicou.

“O cenário no qual vivemos hoje era esperado para [se concretizar] daqui a uns cinco ou seis anos.”

Heron Rached, médico especialista pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e pelo Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR), em entrevista ao Olhar Digital

Principais avanços do ano

Ilustração de silhueta de pessoa com chip no lugar do cérebro para representar conceito de inteligência artificial
(Imagem: Pedro Spadoni via DALL-E/Olhar Digital)

Quando a reportagem conversou com o empresário Max Peters, ele apontou que o lançamento do GPT-4 – “motor” do ChatGPT disponível apenas para assinantes no momento – tinha sido o ponto-chave do avanço da IA em 2023. “O GPT 3.5, de quando o ChatGPT foi lançado, já era impressionante. Quando veio o 4, deu para realmente ver a máquina ficando mais inteligente. Você podendo conversar sobre qualquer coisa e ela respondendo bem, criar tabelas, resumir textos, te ajudar a pensar. Tudo que o 3.5 fazia, o 4 faz muito melhor”, disse.

“Deu para ver a máquina ficando mais inteligente.”

Max Peters, CEO e fundador da Adapta (empresa especializada em IA), em entrevista ao Olhar Digital

Ainda de acordo com o empresário, o GPT-4 é a “inteligência artificial real”, enquanto o 3.5 serve como uma espécie de prévia das capacidades da IA generativa. Peters também apontou que considerava o lançamento do GPT-4 pela OpenAI o maior avanço em IA do ano pelo fato do ChatGPT ser “o produto mais popular de inteligência artificial”.

Confira abaixo as reportagens sobre inteligência artificial mais lidas no Olhar Digital entre fevereiro (quando as medições começam) e 09 de dezembro:

É importante ressaltar que a conversa com o CEO da Adapta ocorreu antes de saber da existência da Q* (“Q Star”), uma espécie de “super inteligência artificial” da OpenAI. E antes, também, do Google anunciar o Gemini – seu modelo de IA mais avançado.

A reta final de 2023 mostrou que a corrida das IAs, cujo prêmio no final é a liderança deste setor, está longe de acabar. Que venha 2024.

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