Vivemos cercados por telas. É através delas que mergulhamos em mundos paralelos, seja hipnotizados por um vídeo com cores incríveis, nos divertindo com nossos jogos favoritos ou curtindo muitas fotos. Você até deve imaginar quanta tecnologia há por trás desses portais luminosos e, provavelmente, já ouviu falar de LCD, LED, OLED e QLED, entre outras siglas. Mas você sabe o que elas significam?

Hoje temos quatro tecnologias dominantes nas TVs: LCD, LED, OLED e, mais recentemente, QLED ou “pontos quânticos”. E duas outras tecnologias, chamadas microLED e mini LED, estão chegando ao mercado. Veja a seguir como elas funcionam e quais suas principais características:

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LCD: a veterana

É a tecnologia mais antiga no mercado, portanto a mais madura e com preços mais acessíveis. A sigla LCD significa Liquid Crystal Display (Tela de Cristal Líquido), e os modelos atuais, acredite, funcionam com base nos mesmo princípios das velhas telinhas das calculadoras e relógios digitais da década de 80.

Uma tela LCD é dividida em células preenchidas com um material chamado cristal líquido. Quando esta substância é submetida a um campo elétrico ela é polarizada, deixando ou não a luz passar por ela.

À frente de cada célula há filtros coloridos nas cores azul, verde ou vermelho. Cada grupo de três células (uma de cada cor) forma um “pixel” da imagem, e controlando a intensidade da luz em cada cor é possível reproduzir os milhões de cores de uma imagem de TV.

Diagrama de uma TV LCD
Diagrama das camadas que compõem uma tela LCD. Imagem: Designua / Shutterstock

Mas as células não emitem luz própria: elas precisam de uma fonte de luz atrás delas (backlight), que tradicionalmente é uma lâmpada fluorescente branca. Esse componente tem alto consumo de energia, e como precisa ficar ligado o tempo todo para que a tela produza uma imagem, mesmo que seja preta, eleva o consumo total de energia do aparelho que a utiliza.

Em contrapartida, uma tela LCD tem alto brilho, o que a torna mais adequada para uso em ambientes externos. Hoje em dia é difícil encontrar telas LCD no mercado, já que elas foram substituídas por uma tecnologia derivada, a LED.

LED: um LCD melhorado

Entre em qualquer loja de departamentos hoje em dia e você certamente verá dezenas de modelos de “TVs de LED”, dos mais variados fabricantes. Estas TVs operam com o mesmo princípio das telas de cristal líquido. A diferença é a fonte de luz usada para iluminar a tela.

Em vez de uma lâmpada fluorescente, elas usam vários LEDs (Light Emitting Diode, Diodo Emissor de Luz) brancos, com consumo de energia muito menor. LEDs também permitem que as telas sejam muito mais finas, e sua luz é mais “pura”, o que resulta em melhor fidelidade de cor.

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Como a tela é iluminada por vários LEDs, em vez de uma fonte de luz única, os fabricantes podem dividí-la em “zonas” e controlar a intensidade de luz em cada uma delas individualmente. Isso melhora o contraste das imagens e evita o “preto acinzentado” das telas LCD convencionais. Essa tecnologia é chamada “Local Dimming”. 

Telas LED são as mais comuns em aparelhos de TV atualmente no mercado, e também são usadas em notebooks, smartphones e tablets.

mini LED: como LED, porém ainda menor

Uma evolução dos painéis LED baseada em um conceito simples: em vez de usar uma dezena de LEDs para iluminar a tela, são usados milhares de LEDs minúsculos, o que resulta em milhares de “zonas”. Isso possibilita um controle muito maior sobre o brilho e contraste da tela, e reduz ainda mais o consumo da energia.

Ilustração mostrando os 10 mil mini LEDs que iluminam a tela de um iPad Pro. Imagem: Apple

Esta é a tecnologia por trás da tela Retina XDR do novo iPad Pro M1, que é iluminada por 10 mil mini LEDs. Apesar do nome similar, ela não deve ser confundida com a microLED (veja abaixo), baseada em um conceito diferente. 

OLED: campeã na cor e contraste

OLED é uma sigla que significa “Organic Light Emitting Diode”, ou “LED Orgânico”. Basicamente, ela é composta por uma “grade” de pontos formados por um composto orgânico que emite luz em resposta a uma corrente elétrica. Compostos diferentes produzem cores primárias diferentes, que combinadas permitem ao painel reproduzir qualquer cor desejada.

Assim como no microLED, cada ponto produz luz própria, o que elimina a necessidade de iluminação da tela e de filtros. Como consequência, telas OLED são famosas por seu alto contraste (o “preto absoluto”) e cores vibrantes.

Além disso, são muito finas e podem ser construídas com substratos flexíveis, o que as torna ideais para aparelhos dobráveis como a linha Galaxy Z Fold, da Samsung ou o RAZR, da Motorola.

Galaxy Z Fold 2
Dispositivos dobráveis, como o Galaxy Z Fold 2, usam telas OLED. Imagem: Olhar Digital

Telas OLED (e derivadas como AMOLED e Super AMOLED) são comuns em smartphones topo de linha, como os iPhone 12 e a linha Galaxy S da Samsung, entre muitos outros, por sua excelente qualidade de imagem.

Entretanto, não são livres de problemas: os compostos orgânicos que formam os pontos luminosos podem se degradar com o tempo, o que afeta o brilho e a fidelidade de cor. Além disso, são sujeitas a retenção, quando uma imagem fica “marcada” em um ponto da tela após ser exibida na mesma posição por horas a fio.

microLED: os benefícios da OLED, sem as desvantagens

Esta é a tecnologia mais recente no mercado, portanto a mais cara. Parte de um princípio simples: olhe para o teclado de seu computador. Vê a “luzinha verde” que indica que as teclas Caps Lock ou Num Lock estão ativadas? Ela é um LED. Eles estão disponíveis em várias cores, como vermelho, verde e azul, e até em versões RGB, capazes de produzir toda uma gama de cores.

Reduza estes LEDs a um tamanho microscópico, coloque três (um azul, um verde e um vermelho) lado a lado e você tem um pixel. Coloque milhões de pixels lado a lado e você tem uma tela.

A vantagem das telas microLED é que cada ponto emite luz própria, e você não precisa de filtros para transformar a luz branca de uma lâmpada em luz vermelha, por exemplo. E como há menos camadas compondo a tela, ela pode ser mais fina e leve. Até mesmo flexível ou transparente.

The Wall, “TV” microLED de 1.000 polegadas da Samsung. Imagem: Samsung

O princípio de operação, pontos que produzem cores puras e luz própria, é similar ao das telas OLED. Mas os microLEDs são mais estáveis e menos sujeitos a problemas de retenção (os “fantasmas”) causados por exposição prolongada de imagens estáticas. 

A Samsung é uma das empresas que usa essa tecnologia: sua recém-lançada “The Wall” é um painel microLED de 1.000 polegadas. Ele é voltado a estabelecimentos comerciais e empresas, mas nada impede alguém com dinheiro (e espaço) bastante de usá-lo em um ambiente doméstico.

QLED: cores puras e muitos nomes

Esta tecnologia usa pontos quânticos, cristais semicondutores que são capazes de absorver luz de uma determinada cor ou frequência e emitir outra. TVs que usam essa tecnologia geralmente usam LEDs azuis como backlight, iluminando uma camada de pontos quânticos capazes de “converter” o azul em vermelho ou verde. Novamente, estas três cores são combinadas em diferentes intensidades para produzir qualquer cor desejada.

A luz emitida pelos pontos quânticos é monocromática, ou seja, tem apenas uma frequência específica. Esta pureza ajuda a produzir imagens com cores mais saturadas do que telas LCD convencionais, embora ainda não tenha o preto absoluto das telas OLED. Pense nela como um meio-termo. 

Soluções de pontos quânticos em frascos de vidro, emitindo várias cores
Frascos de vidro contendo uma solução coloidal de pontos quânticos, capazes de converter luz ultravioleta em luz visível de várias cores. Imagem: Leo Matyushkin / Shutterstock

Por razões comerciais, fabricantes costumam que referir a esta tecnologia com diferentes nomes, o que infelizmente causa confusão na mente do consumidor. Por exemplo, a Sony a chama de Triluminos, mas ela é conhecida como QLED na Samsung e na TCL ou Nano Cell na LG. Independente do nome, a tecnologia básica é a mesma.

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