Com quase 40 anos de mercado, a Wacom é uma marca consagrada entre os artistas digitais, ao ponto que seu nome é quase sinônimo de “mesa digitalizadora”. A empresa oferece produtos para uma ampla gama de usuários, de modelos de entrada como a “One by Wacom” a monitores interativos para o mercado profissional, como o Cintiq Pro.

O Wacom One pode ser considerado o “caçula” da linha Cintiq. Como seus irmãos, ele é um monitor interativo, mas com recursos um pouco mais modestos, entre eles uma tela menor (13,3″ Full HD) e caneta com sensibilidade a “apenas” 4.096 níveis de pressão.

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Mas isso não é algo ruim, já que além de reduzir o preço coloca o produto mais próximo da realidade de muitos designers. E de forma alguma inibe o uso por um profissional, como veremos neste review.

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Só tem um problema: eu não desenho mais do que bonequinhos de palito. Por isso, convidei minha esposa, Lanika Rigues, para me auxiliar nos testes. Ilustradora e designer, ela usa mesas da Wacom há 20 anos e atualmente trabalha com uma Intuos Draw. Portanto, é a pessoa ideal para nos dizer como um monitor interativo se encaixa no fluxo de trabalho de uma profissional. 

Com a palavra, nossa convidada.

Evolução das ferramentas: mesas Wacom usadas por Lanika ao longo de 20 anos. Imagem: Olhar Digital

Unboxing e instalação

O Wacom One vem em uma caixa muito bem estruturada, com instruções claras e diagramas intuitivos. O tablet vem embalado em um envelope de tecido, e acompanhado por um cabo único com conectores HDMI e USB (que a Wacom chama de “Cabo em forma de X”), que é muito prático.

Além do monitor também estão inclusos na caixa um guia de início rápido, um manual, fonte de alimentação e três pontas (nibs) extras para a caneta. A Wacom também oferece um pacote de software, que não está na caixa mas pode ser baixado gratuitamente. Ele é composto pelo Bamboo Paper, Adobe Premiere Rush e uma licença de até seis meses do Clip Studio Paint Pro. 

A experiência de instalação é algo que a Wacom faz muito bem há 35 anos. Basta plugar a Wacom no computador, plugar a fonte na tomada (aqui o destaque vai para o plug adaptável para vários tipos de tomada diferentes), entrar na URL indicada no guia de início rápido e o site já reconhece o tablet e te dá o passo a passo para baixar e instalar o driver mais atual. A mesma URL tem um guia em vídeo e um passo a passo para a instalação.

A caneta

Embora a Wacom normalmente ofereça retrocompatibilidade entre suas canetas, a usada na Intuos Draw (Wacom Pen 4k) e a da Wacom One (também com sensibilidade a 4.096 níveis de pressão) não conversam com o tablet uma da outra.

Um detalhe interessante é que essa caneta não tem o compartimento de pontas nela, como outros modelos da Wacom. As 3 pontas reserva ficam na Wacom One, em um compartimento ao lado do pé direito do monitor interativo. 

A caneta da Wacom One: sensibilidade a 4.096 níveis de pressão e botão único. Imagem: Rafael Rigues / Olhar Digital
A caneta da Wacom One: sensibilidade a 4.096 níveis de pressão e botão único. Imagem: Rafael Rigues / Olhar Digital

Os pontos fracos da caneta são o botão único — configurado de fábrica como o botão direito do mouse, mas que pode ser personalizado — ao invés dos dois botões dos outros modelos de caneta da Wacom, e a ausência da borracha, o que pode atrapalhar um pouco o fluxo de trabalho de criativos que usam bastante a borracha da caneta no seu dia a dia.

Um pequeno detalhe que eu gostei bastante é que o suporte em tecido para a caneta é mais confortável que nos tablets anteriores.

O monitor interativo

Quem está acostumado com o iPad ou a usar a caneta na tela do celular vai estranhar um pouco a tela da Wacom One. Como em todos os tablets da Wacom, ela é sensível apenas à caneta e não ao seu dedo ou à sua mão.

Para mover o cursor você tem que deixar a caneta “flutuar” a alguns milímetros da tela, e tocá-la para fazer a ação acontecer. Particularmente gosto disso, pois reduz a possibilidade de erro por toques acidentais na tela com a lateral da mão. 

Wacom One: compacto e fácil de instalar. Imagem: Rafael Rigues / Olhar Digital

Como estou acostumada com a Intuos, houve uma pequena curva de aprendizado, mais por causa da posição do monitor ao lado do teclado do notebook. Uso atalhos de teclado com frequência e acho que um teclado separado na frente da Wacom One provavelmente aumentaria bastante minha produtividade. 

Vale mencionar que, apesar de eu ser canhota, os pés da Wacom One garantiram a organização dos fios, o que é um problema com a minha Intuos Draw. 

Calibrando cores

Uma questão antiga de usuários de monitores interativos é a calibração de cores entre estes e um monitor convencional. A configuração de fábrica da One, com temperatura de cor de 6500k, brilho de 75% e contraste de 50% dá um tom amarelo para a tela.

Seria muito legal se houvesse uma ferramenta para calibrar a temperatura e saída das duas telas, principalmente porque é um tablet de entrada no mercado e muitos criativos mais novos se beneficiariam disso. 

A Wacom One entrega cerca de 72% do Adobe RGB vs 83% da linha profissional, o que é bem eficiente. Porém, você vai precisar checar a saída de cores no seu monitor para garantir a fidelidade. Me vi checando a escala Pantone mais de uma vez.

“De fábrica”, a imagem da Wacom One tem um tom amarelado. Uma ferramenta para calibrar as cores dos dois monitores (One e externo) seria bem-vinda. Imagem: Lanika Rigues / Olhar Digital

Testei a Wacom One com dois computadores bem diferentes: um ASUS S46 “velho de guerra” (com um Intel i7 de 3ª geração, 16 GB de RAM DDR3, unidade SSD de 480 GB e GPU Nvidia Geforce de uma geração mais antiga) e um LG Gram 17Z90N que o Olhar Digital analisou recentemente.

Em ambos as opções de calibração são mais limitadas que o disponível no site da Wacom, restrito apenas à temperatura de cor. A opção de Espaço de Cor parece estar reservada a computadores certificados pela Adobe com Adobe RGB.

A sensação da caneta na tela é muito boa e parecida com a da Intuos. A textura lembra papel e existem películas no mercado para deixá-la ainda mais próxima. A resposta de 4.096 níveis de pressão é rápida e intuitiva, e o processador próprio torna a Wacom One eficiente até mesmo lidando com um computador mais antigo como o meu. 

Controles na tela

Na Wacom One, saem as Express Keys e entra o Express Menu, similar à da linha Cintiq. A forma mais rápida e prática de configurá-lo, se você é iniciante no uso de displays interativos, é substituindo a configuração de fábrica do botão único da caneta no Wacom Desktop Center, do botão direito do mouse para controles de tela.

A Wacom permite um grande nível de personalização da caneta e dos atalhos, inclusive de acordo com o programa utilizado. Você pode criar seu próprio menu com layouts diferentes, desde teclas em fila na horizontal até um menu “guarda-chuva” radial com 8 opções. Você pode até criar um menu na tela que abre seus outros menus. Isso facilita adaptar a ferramenta à forma como você trabalha e há muitas configurações possíveis para experimentar.

O botão único na caneta da Wacom One pode ser configurado para várias ações, como abrir um menu radial. Imagem: Rafael Rigues / Olhar Digital

Optei por ativar o Express Menu com o botão da caneta no uso geral e por configurá-lo como borracha no Photoshop e Clip Studio Paint. Como os menus permanecem na tela fica fácil alternar entre eles e o uso do botão da caneta.

Para viagem

Vale mencionar um ponto interessante da Wacom One, que é a portabilidade. Além de um PC ou Mac, ela também pode ser usada com alguns smartphones e tablets Android, como o Samsung Galaxy S8, S10+, Note 8, Note 9, Note 10, Note 10+, Huawei Mate 20 Pro e 30 Pro, P20 Pro e P30.

Infelizmente, por falta de um aparelho compatível, não pude testar esse recurso. Mas há um ponto fraco: você ainda precisa de uma tomada para plugar o display ou ele não liga. Então, embora seja “portátil”, essa é uma desvantagem que um iPad não tem.

Em resumo, gostei bastante da minha experiência com o Wacom One: ele é muito portátil, descomplicado e tem um preço acessível. É uma boa oportunidade para quem quer fazer a transição para um monitor interativo, mas ainda não pode investir em um Cintiq.

Com colaboração de Lanika Rigues

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