Smartphones são ferramentas cada vez mais essenciais em nossas vidas. Ficar “sem” o aparelho, mesmo que por uma hora, significa ficar sem poder conversar com os amigos, se reunir com colegas de trabalho, saber como chegar ao próximo compromisso, passar o tempo numa fila ou chamar o táxi para casa. Por isso, a autonomia de bateria é um ponto que pesa cada vez mais na decisão do consumidor na hora da compra.

Para atender a essa necessidade de conexão constante, vemos um número crescente de celulares equipados com tecnologia de recarga super-rápida, para que o usuário tenha que esperar o menor tempo possível, ou baterias de alta capacidade, para aumentar o tempo de uso por carga.

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Recém-lançado no Brasil, o realme C25 é um intermediário que adota a segunda abordagem. O aparelho tem um design elegante: a traseira é texturizada e não acumula impressões digitais, e a frente é dominada por uma tela IPS LCD de 6,5″ com resolução HD+ (1600 x 720 pixels).

Com 9,6 mm de espessura e pesando 209 gramas, o smartphone não é dos aparelhos mais finos e leves do mercado, mas o “porte” é necessário para abrigar sua monstruosa bateria de 6.000 mAh, da qual falaremos mais adiante. Ele sai de fábrica com dois “brindes”: uma película já aplicada sobre a tela e uma capinha “fumê” na caixa, além de um carregador “rápido” de 18 Watts e um cabo USB-C. 

O sistema operacional do celular é o Android 11, rodando a interface realme UI 2.0. E já que estamos falando de software, temos que abordar um assunto bastante incômodo: bloatware. O termo é usado para descrever todos aqueles apps que vem pré-instalados no seu celular e que você nunca vai usar.

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Não estou falando de apps como o Maps ou YouTube, mas sim de coisas como redes sociais desconhecidas, lojas alternativas, versões de demonstração de jogos, etc. Aqueles que só servem para ocupar espaço, na tela e na memória.

E o realme C25, infelizmente, é cheio de bloatware. Contei nada menos do que 12 apps nessa categoria, incluindo uma rede social parecida com o Instagram chamada 92, três lojas de jogos (HeyFun, Hot Games e Game Center), duas lojas de apps (App Market e Hot Apps), um pacote Office (WPS Office), e um “shopping center” chamado Lazada, que nem sequer pode ser usado aqui no Brasil: todos os países listados na tela de seleção ao abrir o app são do sudeste asiático.

Tela inicial do “Lazada”, um dos apps pré-instalados que você nunca vai usar. Imagem: Rafael Rigues / Olhar Digital

Entendo que esses aplicativos ajudam a subsidiar o aparelho (afinal, os fabricantes cobram dos desenvolvedores para incluí-los), mas aqui a realme passou do aceitável. Pelo menos eles podem ser desinstalados facilmente, basta segurar o dedo sobre o ícone e selecionar a opção Remover.

Em teoria o realme C25 tem três câmeras na traseira: uma principal com um sensor de 48 MP, uma macro com sensor de 2 MP e um sensor de profundidade, também com 2 MP. Mas, na prática, você vai usar apenas a câmera principal.

O sensor de profundidade é usado como auxiliar para medir a distância entre os objetos da cena, para efeitos como o “modo retrato”. Já a câmera macro sofre com o foco fixo a 4 cm de distância da lente. Ou seja, se o objeto que você quiser fotografar estiver mais próximo, ou mais distante, que isso, a foto vai ficar fora de foco. E, na prática, é difícil acertar a distância exata.

Resta a câmera principal: as fotos são decentes, embora um pouco escuras quando feitas à sombra. A resolução padrão de saída é de 12 MP, já que a câmera usa “binning” de 4 pra 1, ou seja, trata 4 pixels (2×2) do sensor de 48 MP como um só, para captar mais luz. Mas o usuário pode fazer fotos nativas a 48 MP, se desejar. Por fim, a resolução máxima para gravação de vídeos é 1080p a 30 FPs.

O principal destaque do realme C25 é, sem dúvida, a espantosa autonomia de bateria. O sonho do celular com “bateria que dura dois dias” finalmente se tornou realidade: normalmente carrego meus smartphones toda noite, rigorosamente. Mas com o C25 isso não foi necessário: recarreguei a bateria noite sim, noite não.

Vejam a imagem abaixo: o aparelho estava há dois dias, 3 horas e 44  minutos fora da tomada. Desse total, 14h e 52 minutos foram com a tela ativa. E eu ainda tinha 23% de carga, o que segundo o sistema ainda era o suficiente para mais de 6 horas de uso.

Autonomia de bateria no C25. Quase 52 horas fora da tomada, e “fôlego” para mais seis. Imagem: Rafael Rigues / Olhar Digital

Nem mesmo jogos, notórios “comilões” de bateria, foram páreo para o realme C25. Jogando Asphalt 9 o consumo foi de apenas 9% por hora, isso com o smartphone conectado a um gamepad Bluetooth, redes de telefonia e minha rede-Wi-Fi. Ou seja, uma carga de bateria seria o suficiente para 11 horas de jogo. Você provavelmente vai cansar de jogar antes disso.

Falando em jogos, o desempenho poderia ser melhor. Equipado com 4 GB de RAM e 128 GB de memória interna, o realme C25 não apresentou nenhum problema nas tarefas do dia a dia, mas o processador MediaTek Helio G70 (com oito núcleos rodando a até 2 GHz) mostrou sinais de cansaço ao jogar. O que é estranho, já que a realme o apresenta como um chip “gamer”, que segundo a MediaTek é “ideal para jogadores móveis de elite”.

MediaTek G70 promete, mas não entrega, desempenho “de elite”. Imagem: Rafael Rigues / Olhar Digital

Testei o desempenho com dois jogos pesados com “qualidade de console”. Em Bloodstained, o jogo só roda bem na qualidade média a 30 FPS. E em Genshin Impact, o jogo só roda sem engasgos frequentes na qualidade gráfica “muito baixa”. Isso não tira a diversão e beleza do jogo, mas poderia ser melhor.

Por fim, vale mencionar a durabilidade: segundo a realme, o C25 recebeu a certificação de alta confiabilidade da TüV Rheinland, passando por um teste que pressupõe um ciclo de vida de 3 anos. Entre os testes estão 10 cenários de uso diário, 6 cenários de confiabilidade de componentes e 7 cenários de ambiente externo.

Infelizmente, a fabricante não diz quais testes estão inclusos em cada cenário, então não podemos estimar sua relevância para o uso típico. Uma coisa fica clara: a realme tem orgulho da resistência do vidro da tela. Os aparelhos cedidos à imprensa foram entregues com um pacote de nozes, e os jornalistas encorajados a abrí-las com uma pancada da tela do aparelho. Deu certo, e a tela sobreviveu. Mas tenha em mente que isso não é garantia de que ela não vai quebrar numa queda (e nenhum fabricante pode garantir isso).

O realme C25 é um daqueles aparelhos que seria considerado “mediano” no geral, mas que se destaca em sua faixa de preço (R$ 1.199) por oferecer recursos incomuns, como os 128 GB de armazenamento e a tela IPS de 6,5″. Mas é sua monstruosa autonomia que o coloca em um patamar à parte. Se você procura um celular com bateria que “não acaba nunca”, tem nele uma ótima opção.

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