Quando tudo parecia finalmente caminhar para um cenário de normalidade e superação da pandemia da Covid-19, o surgimento de uma nova variante fez com que alguns fantasmas voltassem à tona para muitos de nós. A variante Ômicron fez com que um cenário de otimismo voltasse a um estado de alerta.

Além de deixar o mundo com medo novamente, a variante Ômicron reacendeu discussões sobre a distribuição global das vacinas contra a Covid-19. Acontece que a nova cepa surgiu na África, que é proporcionalmente o continente menos vacinado entre os cinco continentes e a Antártica.

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Para muitos leigos e até mesmo alguns especialistas, o surgimento da nova cepa está diretamente ligado aos baixos níveis de vacinação nos países da África e em nações em desenvolvimento de outros continentes. Mas essa relação realmente tem sentido? Qual o papel da vacinação no surgimento de novas variantes?

Para saber tudo sobre a nova variante do coronavírus, acesse a reportagem especial do Olhar Digital.

Afinal, de quem é a culpa?

Segundo a pesquisadora do Instituto Peter Doherty de Infectologia e Imunização, da Universidade de Melbourne, na Austrália, Jennifer Juno, ainda não está claro se existe qualquer relação entre a vacinação e novas variantes. De acordo com Juno, existem dois fatores que podem levar ao surgimento de novas cepas.

Juno defende que a baixa cobertura vacinal pode aumentar o risco de novas variantes, permitindo a transmissão dentro de uma determinada comunidade. Isso acontece porque a alta replicação viral e a transmissão de pessoa para pessoa dão mais chances ao vírus para sofrer mutações.

Na contramão disso, à medida que as taxas de vacinação aumentam, os únicos vírus capazes de infectar as pessoas são as novas variantes, como é o caso da Ômicron. Isso acontece porque elas escapam, mesmo que de forma parcial, da proteção fornecida pela vacinação.

A importância da vacinação

homem sendo vacinado
A vacinação é o único método conhecido até o momento para proteger contra o vírus e suas variantes. Imagem: Shutterstock

Para o pesquisador do Departamento de Microbiologia e Imunologia da Universidade de Melbourne, Adam Wheatley, esse cenário pode exigir esforços contínuos de vigilância global e o desenvolvimento de novas vacinas para manter o vírus sob controle, algo parecido com o que acontece com a gripe.

Segundo Wheatley, apesar de a região da África Austral, onde a Ômicron foi relatada inicialmente e sequenciada geneticamente ter uma baixa cobertura vacinal, esse não é o principal motivo para o surgimento da cepa.

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De acordo com o pesquisador, as mutações extensas da variante são consistentes com as mudanças que o vírus tem sofrido ao longo de um período prolongado de tempo. Para ele e Jennifer Juno, a replicação do vírus em pessoas com o sistema imunológico comprometido tem uma “culpa” maior no surgimento da Ômicron.

Porém, os pesquisadores defendem que é necessário adotar um esforço global para que a vacinação seja igualitária em todos os lugares do mundo. Uma alta cobertura vacinal em nível global protegerá as pessoas imunocomprometidas e diminuirá as chances de que variantes como a Ômicron se espalhem rapidamente.

Via: The Conversation

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