O mundo está em alerta desde a última quinta-feira (25), quando foi revelada a descoberta de uma nova variante da Covid-19, a  B.1.1.529, nomeada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como Ômicron. O principal diferencial dessa cepa, e o que causa mais preocupação, é sua alta taxa de mutações. 

De acordo com a OMS, a variante Ômicron da Covid-19 mostra um risco global “classificado como altíssimo”. Apesar disso, o órgão adverte que ainda não é possível mensurar o perigo que a cepa representa e que ainda não há mortes confirmadas por ela. “Até o momento não se registrou nenhuma morte associada à variante Ômicron”, disse o órgão. (Quer saber quais são os sintomas até agora apresentados pela nova variante? Acesse a reportagem do Olhar Digital).

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Ainda assim, pelo alto grau de mutação da variante, há preocupação que ela escape da imunidade. “Dadas as mutações que podem conferir potencial de escape à imunidade e possível vantagem na transmissibilidade, o potencial de uma onda futura do Ômicron em nível global é alto”, completa a nota técnica. 

Por que a OMS “pulou” duas letras do alfabeto grego para dar o nome da nova variante? Descubra aqui.

Brasil confirmou casos da Ômicron

O laboratório do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, confirmou dois casos da variante Ômicron da Covid-19 na última terça-feira (30). Os casos são o primeiro da nova cepa a serem confirmados no Brasil, porém, as análises ainda precisam ser enviadas para uma segunda análise.

Um dos resultados é do passageiro que desembarcou em Guarulhos no último dia 23 de novembro voltando da África do Sul. Agora, o laboratório do Einstein adotou a iniciativa de realizar o sequenciamento genético das amostras positivas para a variante Ômicron.

O Rio de Janeiro também confirmou seu primeiro caso da nova variante na última quarta-feira (1). De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), a paciente que testou positivo para Covid-19 veio da África do Sul e está sendo acompanhada.

O presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, já esperava que a cepa chegasse ao país. “Resta saber se será contida”, acrescentou o médico à Folha de São Paulo.

Por sua vez, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, acredita que a Ômicron não será diferente das outras variantes. “A principal resposta é a vacinação. Então esse contrato assinado hoje com a farmacêutica Pfizer é a prova cabal da programação do Ministério da Saúde para enfrentar não só a variante Ômicron, mas como as outras que já criaram tantos problemas pra nós”, disse.

E por mais que tenha confirmado os casos, o governo federal decidiu esperar novas informações antes decidir a prática de novas medidas em relação à Covid-19.

Variante Ômicron no mundo

A maior parte dos registros da cepa, até o momento, são da África do Sul. Botsuana, também na África, registrou outros casos. Bélgica, Alemanha, Itália, Holanda, Portugal e o Japão também confirmaram a presença da variante. Uma agência sanitária holandesa, inclusive, afirmou que a Ômicron estava no país desde o dia 19 de novembro. O temor por uma nova onda de Covid-19 na pandemia fez com que o Reino Unido voltasse a obrigatoriedade do uso de máscaras em locais fechados.

Na França, a detecção da nova variante é “muito provavelmente uma questão de horas”, disse o ministro da Saúde, Olivier Véran. O país monitora casos suspeitos.

Por conta disso, diversos países do mundo, principalmente na Europa, já anunciaram restrições e proibições de voos vindos de alguns países da África – especialistas debatem se a baixa vacinação no país africano pode ter ocasionado a nova variante -. Aqui no Brasil, os voos de seis países passaram a ser proibidos a partir desta segunda-feira (29). São eles: África do Sul, Botsuana, Eswatini, Lesoto, Namíbia e Zimbábue.

De acordo com a portaria, o viajante brasileiro que vier desses destinos ou passar por eles nos últimos quatorze dias antes do embarque, deverá permanecer em quarentena, por quatorze dias, ao ingressar no território brasileiro.

Nesta segunda-feira (29), ministros da saúde dos países do G7 se reúnem em caráter emergencial para debater o combate à variante Ômicron da Covid-19. Durante a reunião, o secretário-geral da entidade,  Tedros Adhanom Ghebreyesus, pediu uma colaboração global.

“Uma convenção, acordo ou outro instrumento internacional não resolverá todos os problemas. Mas fornecerá uma estrutura abrangente para promover uma maior cooperação internacional e fornecerá uma plataforma para fortalecer a segurança sanitária global”, afirmou.

Dentro do debate sobre como combater a Ômicron, a OMS criticou as proibições de viagens. “As proibições generalizadas de viagens não impedirão a disseminação internacional e representam um fardo pesado para vidas e meios de sustento”, disse a organização.

Nos Estados Unidos, as autoridades sanitárias dizem que a nova cepa já pode estar no país, mesmo que sem ter sido detectada. “Ainda não detectamos, mas quando você tem um vírus que está apresentando esse grau de transmissibilidade e está tendo casos relacionados a viagens que eles já notaram em outros lugares, quando você tem um vírus como este, quase invariavelmente vai passar por toda parte “, explicou o Dr. Anthony Fauci, em uma entrevista à NBC no sábado. O país, entretanto, já rechaçou a ideia de um novo lockdown.

O CEO da farmacêutica Moderna, Stéphane Bancel, deixou claro que as vacinas serão menos eficazes contra a Ômicron. Segundo Bancel, não existe um cenário onde a eficácia dos imunizantes seja a mesma, independente de novas cepas que surjam.

OMS nomeu a nova variante de Ômicron
Imagem: OMS/Christopher Black

Cepa Ômicron com mais mutações

O maior risco da nova variante é por conta das 32 mutações que ela possui na proteína Spike da Covid-19. É justamente essa parte do vírus que a maior parte das vacinas utiliza para que o sistema imunológico seja capaz de barrar a doença. Ou seja, alterações nessas proteínas podem ser potencialmente perigosas. 

Em contato com o Olhar Digital, o infectologista consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia, Dr.Julival Ribeiro, disse que a nova variante da Covid-19 possui um alto número de alterações e precisa ser observada com urgência.

“Essa variante é até agora com o maior número de mutações. Nós não sabemos o comportamento, mas os cientistas estão estudando urgentemente”, explicou. O médico ainda comentou sobre as restrições de passageiros de países da África. 

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“Acho que é uma medida preventiva que alguns países da Europa anunciaram e está altamente correta. O mundo é conectado, acho que essa variante pode chegar em qualquer lugar”, disse.

O especialista ainda reiterou que essa variante Ômicron pode não ser tão perigosa quanto parece, como já ocorreu com outras. A beta, por exemplo, foi considerada como um grande potencial de ser mais contagiosa, mas foi a Delta que se espalhou pelo mundo. “A gente ainda não sabe se essa variante vai causar o que se espera, mas todo cuidado é pouco”, finalizou.

Outro destaque é que a nova variante está circulando em países com baixa taxa de imunização. A maior parte das nações africanas possuem uma pequena cobertura vacinal. Por tanto, ainda não é possível determinar se a cepa pode barrar a proteção das vacinas.

Sem mortes até o momento

Segundo uma médica sul-africana que já tratou cerca de trinta pacientes com a variante Ômicron da Covid, os pacientes que contraíram a nova cepa do vírus apresentam apenas “sintomas leves” e que, por enquanto, estão passando pelo período de recuperação sem precisar da internação.

Durante os últimos dez dias, Angelique Coetzee, que também é presidente da Associação Médica da África do Sul, recebeu pacientes infectados pela Covid, mas com sintomas incomuns. “O que os levou a me consultar foi um grande cansaço”, disse ela à AFP.

A maioria eram homens com menos de 40 anos e quase metade deles estava vacinada. Eles sofriam de dores musculares, tosse seca ou “coceira na garganta”, de acordo com a médica. Poucos tiveram febre baixa.

Em 18 de novembro, Coetzee alertou as autoridades sanitárias para este “quadro clínico que não coincide com a [variante] Delta”, pois a variante está predominante na África do Sul.

A fala de Coetzee vai de encontro ao que o epidemiologista brasileiro Pedro Curi Hallal tuitou nesta segunda (29). “Mais notícias (agora boas) sobre a variante Ômicron. Evidências PRELIMINARES sugerem que ela é MENOS agressiva do que as versões anteriores do vírus. O que isso significa? Apesar dela se espalhar mais rápido, ela tende a causar infecções mais leves”, escreveu.

Mesmo sem casos graves, farmacêuticas já começaram a testar a eficácia das vacinas contra a nova variante.

Eficácia das vacinas 

As farmacêuticas já testam suas vacinas para verificar a eficácia delas contra a Ômicron. Em entrevista para o canal americano NBC, o CEO da Pfizer, Albert Bourla, disse que a empresa já trabalha em uma versão da vacina mais aprimorada especialmente para a nova variante da Covid-19.

O chefe da farmacêutica disse que espera que o processo dure cerca de 95 dias. Apesar disso, ele diz acreditar que a vacina atual seja capaz de barrar a nova variante e explica que aprimorar a fórmula sem ter a certeza se ela vai ser necessária é um procedimento padrão em casos como esse e que isso já foi feito com cepas anteriores. 

A Janssen também anunciou na última segunda-feira (29) que está convocando voluntários para testar a eficácia de seu imunizante de dose única contra a nova variante. No Brasil, a vacina já está sendo aplicada em duas doses.

Já a moderna diz que investiga se vai ser necessária uma dose de reforço com uma fórmula alterada para combater a cepa. O imunizante da empresa não é aplicado no Brasil.

Entenda os principais pontos da variante Ômicron da Covid-19

  • Variante com o maior número de mutações descoberta até agora.
  • Principal preocupação é que ela consiga contaminar mais facilmente pessoas que já tiveram a doença ou até mesmo que tomaram a vacina
  • Cepa se espalha com facilidade pelo mundo, principalmente na África (onde foi descoberta) e na Europa
  • Já há casos confirmados no Brasil
  • OMS diz que cepa pode causar novos surtos no mundo
  • Alguns países da África estão tendo voos cancelados em vários países do mundo, inclusive no Brasil
  • Estudos estão sendo realizados para confirmar se a variante Ômicron é realmente mais perigosa

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