Empresas já consideram que leilão do 5G será adiado para 2021

De acordo com informações, os EUA foram os responsáveis por solicitar que o leilão fosse adiado; esse tempo seria usado para que houvesse mais concorrentes para fornecimento de equipamentos

Luiz Nogueira, editado por Matheus Luque 02/12/2019 11h12
5G
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Por mais que a tecnologia 5G esteja se popularizando no mundo todo, o Brasil parece ter ficado de fora de sua implementação, pelo menos por enquanto. Operadores de telefonia, fornecedores de equipamentos e fabricantes de smartphones já consideram como adiado para 2021 o leilão da tecnologia 5G no país.


O governo, por sua vez, nega o adiamento, mas, de acordo com empresas do setor, foram enviados informações de que o presidente Jair Bolsonaro dará mais um ano para que as companhias de telecomunicação americanas possam aprimorar sua tecnologia de conectividade 5G. O objetivo é permitir que os EUA possam competir com a Huawei pelo fornecimento de equipamentos de rede no Brasil.

Com o recebimento de um prazo maior, fica claro que há um comprometimento com a manutenção das relações alcançadas entre Bolsonaro e Trump, atual presidente dos Estados Unidos.

Pessoas ligadas diretamente às conversas entre os dois governos afirmam que os americanos pediram que a votação fosse adiada em dois anos. Esse pedido faz parte do plano dos EUA de impedir que a Huawei atue em mercados 5G de aliados, após as acusações de espionagem feitas pelo governo norte-americano aos chineses.

Rumores apontam que representantes do governo Trump fizeram com que Bolsonaro ficasse sabendo que a parceria estratégica firmada com os EUA estaria comprometida se um acordo com um "rival" fosse firmado e o equipamento 5G fosse fornecido.

A proibição da Huawei por aqui seria um passo importante nos planos do presidente norte-americano em fazer com que a empresa perca território no fornecimento de tecnologia. O Brasil, por conta do tamanho de seu mercado interno, pode definir o padrão de rede na América Latina.

Como exemplo da influência do Brasil, em 2006, com a chegada do modelo de TV digital japonês por aqui, outros países da América Latina acompanharam nossa decisão e adotaram o modelo do país asiático.

Os equipamentos fornecidos pela Huawei são os preferidos, pois são menores, mais baratos e mais potentes. A empresa já se encontra em 60% das redes das operadoras brasileiras, porém, com esse pedido dos EUA, o futuro pode ser diferente. Mesmo assim, as operadoras tendem a comprar tecnologia da empresa que oferece o melhor custo-benefício. Atualmente, quem oferece tudo isso é a Huawei.

Bom para o Brasil

Enquanto ajuda os americanos, a medida do adiamento também pode beneficiar o mercado brasileiro. Isso porque, para as empresas de telecomunicação que atuam no país, a grande barreira para a implementação do serviço é a instalação de novas antenas, que hoje estão a cargo das prefeituras.

Para que o 5G funcione de forma satisfatória, é necessário que o número de antenas instaladas suba em dez vezes. Porém, muitos municípios não permitiriam isso, devido a preocupações com questões de saúde que envolvem a irradiação dos sinais desses equipamentos.

Outro problema que deve ser resolvido é o uso da frequência de 3,5 GHz. Atualmente, essa faixa é usada por satélites e antenas parabólicas. Isso poderia atrapalhar a disseminação do sinal em algumas localidades. O adiamento do leilão poderia ser usado para resolver essa questão.

Por parte da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), também há pendências. Questões regulatórias em relação à oferta de conteúdo via internet não foram resolvidas. Ainda não se sabe se a transmissão de conteúdo de TV pela internet vai se enquadrar na categoria de TV por assinatura.

Sendo adiado ou não, o leilão das frequências do 5G é um grande passo para o futuro das conexões de dados no Brasil. Resta saber se o país vai querer manter sua boa relação com os EUA e não utilizar a tecnologia da Huawei por aqui ou se vai prezar pela evolução tecnológica que o 5G pode trazer.

Via: Folha de São Paulo


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