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Não faltaram eventos astronômicos espetaculares em 2023 – um ano marcado por eclipses, passagens de cometas, chuvas de meteoros, quatro superluas, tempestades solares colossais e exibições de auroras de tirar o fôlego. 

Os fenômenos citados são apenas os exemplos de maior destaque entre os acontecimentos celestes deste ano, que também contou, como de costume, com conjunções astronômicas, além de movimentações e ocultações planetárias e muito mais. 

Vamos relembrar os mais incríveis eventos astronômicos de 2023:

Eclipses

Neste ano, tivemos quatro eclipses: dois do Sol e dois da Lua. O primeiro deles foi um eclipse solar híbrido, ocorrido em abril.

Um eclipse solar acontece quando a Lua desliza entre a Terra e o Sol lançando uma sombra no planeta e bloqueando total ou parcialmente a luz solar. Além dos três tipos mais conhecidos (parcial, anular e total), existe também um quarto padrão, extremamente raro, que é denominado híbrido. Entenda o que é esse fenômeno aqui.

Esse evento não pôde ser visto do Brasil, mas, seis meses depois, o país foi compensado por um espetáculo de tirar o fôlego – que foi, inclusive, transmitido ao vivo pelas plataformas do Olhar Digital: o eclipse solar “Anel de Fogo” (veja fotos e saiba mais aqui).

Na ocasião, que se deu em 14 de outubro, ao passar na frente do Sol do ponto de vista da Terra, a Lua estava no apogeu (ponto de sua órbita mais distante do planeta), ficando com a circunferência aparente menor que a do astro, o que acabou formando uma espécie de aro em volta dela.

Já um eclipse lunar ocorre quando a sombra da Terra “esconde” a Lua, que fica escura e, portanto, invisível no céu durante alguns minutos. Isso acontece porque a Terra se posiciona exatamente entre a Lua e o Sol, fazendo com que a sombra do planeta seja projetada sobre o nosso satélite natural.

Existem três tipos de eclipse lunar: 

  • total, com a Lua totalmente encoberta; 
  • parcial, em que apenas parte dela é escondida pela sombra da Terra;
  • penumbral, quando a sombra do planeta não é suficientemente escura para reduzir o brilho da Lua, que fica meio acinzentada – esse tipo costuma passar despercebido.

O primeiro eclipse lunar de 2023 aconteceu em maio e foi penumbral. O evento foi visível do hemisfério oriental, mais notavelmente em uma fatia do leste do continente africano, bem como grande parte da Ásia ocidental, Indonésia, Austrália e sul da Nova Zelândia.

Em 28 de outubro, aconteceu o último eclipse do ano, que foi um lunar parcial. Ele foi visto na Europa, Ásia, Austrália, África, América do Norte, em uma parte da América do Sul, nos oceanos Pacífico, Atlântico, Índico, e Ártico e na Antártica.

Na ocasião, a maior parte do Brasil observou somente a fase penumbral. Ou seja, as mudanças na coloração da Lua foram muito tênues, quase imperceptíveis a olho nu. Já alguns locais do Nordeste conseguiram ver um pouco do eclipse parcial.

Cometas

Quem tem mais de 40 anos certamente deve se lembrar do frenesi que foi em 1986, na expectativa pela passagem do cometa Halley pela Terra – que acabou sendo um pouco frustrante. 

Agora no fim do ano, o mais famoso dos cometas atingiu o afélio, ponto mais distante do Sol de sua órbita de 75 anos ao redor do astro. Isso significa que ele está começando o caminho de volta, devendo passar pela Terra novamente em 2061. Saiba mais aqui.

Além do Halley, outros corpos celestes da mesma categoria ganharam destaque na mídia em 2023. Em fevereiro, o cometa C/2022 E3 (ZTF), popularmente chamado de “cometa verde”, fez sua passagem mais próxima da Terra, rendendo imagens incríveis.

Em setembro, foi a vez do Nishimura, o mais brilhante do ano. A expectativa em torno de sua passagem perto da Terra era grande, já que, se conseguisse sair ileso da perigosa aproximação com o Sol, logo em seguida, esse cometa só voltaria a passar pelo planeta daqui a 434 anos. E, sim, ele sobreviveu – não sem antes levar uma “bordoada” de um jato de plasma solar que lhe “arrancou” a cauda (regenerada com o passar dos dias).

Por fim, não poderíamos deixar de citar o “Cometa do Diabo”, como é chamado o cometa criovulcânico 12P/Pons-Brooks (12P). Ele recebe esse apelido porque, normalmente, forma um par de chifres em sua cauda cada vez que entra em erupção.

Isso aconteceu este ano em quatro ocasiões (uma em julho, duas em outubro e uma em novembro). A última foi a maior de todas, mas, curiosamente, o cometa, desta vez, não formou chifres – entenda aqui.

Chuvas de Meteoros

Existe um calendário oficial das chuvas de meteoros, eventos que sempre acontecem nas mesmas épocas, todos os anos. Por exemplo, em maio, sempre temos a chuva de meteoros Eta Aquaridas, que é causada quando a Terra passa pelos detritos da última passagem do já citado cometa Halley.

Outra chuva que vem do mesmo cometa é a Oriônidas, que acontece em outubro. Neste ano, um observatório brasileiro no Rio Grande do Sul conseguiu registrar cerca de 560 rastros de luz desta chuva de meteoros em apenas 12 horas.

Também não podemos deixar de citar a notável Perseidas, que acontece em agosto, e a Geminídeas, de dezembro, que este ano proporcionou registros impressionantes acompanhados de belíssimas auroras – confira aqui.

Aliás, 2023 entra para a história como o primeiro ano oficial da chuva de meteoros Lambda-Sculptorídeas, que também acontece em dezembro e recebe este nome devido à localização do radiante ser próxima à estrela λ-Sculptoris. Saiba detalhes nesta entrevista.

Superluas

De forma bem simples e resumida, uma Superlua ocorre quando o nosso satélite natural chega à fase completa quase ao mesmo tempo em que faz sua aproximação máxima com a Terra (ponto chamado de perigeu).

Neste ano, isso aconteceu em quatro ocasiões. A primeira delas foi em julho, com a Superlua dos cervos. Depois, em agosto, tivemos duas: a do esturjão, no dia 1º, e a Azul, no dia 30. Por fim, em setembro, aconteceu a última Superlua do ano, chamada Lua da colheita.

Mas, o que significam esses nomes? De acordo com o Old Farmer’s Almanac (Almanaque do Velho Fazendeiro), uma das publicações mais tradicionais dos EUA voltadas à vida no campo, a lua cheia de cada mês do ano tem seu próprio nome.

Julho marca a época em que crescem os chifres dos cervos machos, por isso a lua cheia desse mês é “dos cervos”. Os chifres desses animais passam por um ciclo anual de queda e regeneração, tornando-se progressivamente maiores com o avanço da idade.

Já em agosto, ocorre a Lua do esturjão. Para quem não sabe, esturjão é um tipo de peixe, e essa denominação foi dada em razão da época em que esse animal é encontrado em grande quantidade e pescado mais facilmente nos Grandes Lagos da América do Norte, entre o Canadá e os EUA.

Quando um mês tem duas luas cheias, a segunda é chamada de Lua Azul, independentemente de ser “super” ou não. No caso da segunda lua cheia de agosto de 2023, ela se deu próxima ao perigeu, portanto, foi uma “Superlua Azul”.

No caso da Lua da Colheita, em especial, ela nem sempre acontece no mesmo mês. Seu período de ocorrência varia entre 8 de setembro e 7 de outubro, mas, quase sempre, próximo ao equinócio de outono (para o Hemisfério Norte; sendo aqui o equinócio de primavera).

O que a diferencia de outras luas cheias é que os agricultores no auge da atual temporada de colheita podem trabalhar até tarde da noite porque a luz da Lua está mais brilhante. 

Além disso, nesta época, a Lua nasce mais ou menos na hora em que o Sol se põe. No entanto, o mais importante é que, em vez de nascer cerca de 50 minutos depois a cada noite (como de costume), ela parece surgir quase ao mesmo tempo todos os dias.

Tempestades Solares

Entre o fim de outubro e o início de novembro de 2003, o Sol passou por um dos momentos de maior atividade já observados. Como o evento ocorreu próximo ao Dia das Bruxas, data tradicional nos EUA, os pesquisadores o batizaram de Halloween Storm(Tempestade de Halloween). Na ocasião, uma sequência emblemática de explosões extremamente fortes gerou a maior erupção solar já registrada, definida como X45. 

Também chamadas de erupções solares, essas tempestades são classificadas em um sistema de letras pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA) – A, B, C, M e X – com base na intensidade dos raios-X que elas liberam, com cada nível tendo 10 vezes a intensidade do último.

Neste ano, em que se completam duas décadas da Halloween Storm, outra tempestade solar recorde foi observada: uma erupção de classe X2.8, a mais poderosa dos últimos seis anos.

E essa não foi a única manifestação da “fúria” do Sol, que está em seu ciclo de atividades nº 25, cujo pico (antes esperado para 2025) começará em abril do ano que vem – com duração mais longa do que o previsto anteriormente (entenda aqui).

Ao longo de 2023, diversas tempestades solares foram noticiadas pelo Olhar Digital, tanto ejetadas de manchas solares quanto de “cânions de fogo” abertos pela explosão de filamentos magnéticos, como neste caso relatado em novembro.

Auroras

Quando os materiais expelidos por tais eventos atingem a atmosfera da Terra, eles geralmente reagem com a magnetosfera, provocando espetaculares exibições de auroras nas extremidades do globo.

Se essas exibições são nos arredores do polo sul, ocorrem as auroras austrais, e se forem nas proximidades do polo norte, as auroras boreais.

Logo no início do ano, em janeiro, um “perseguidor de auroras” viajou do Alasca até a Finlândia com o intuito de testemunhar as melhores exibições possíveis das luzes do norte. Vincent Ledvina atingiu com louvor seu objetivo, avistando surtos de auroras verdes bem acima de sua cabana e catalogando quase um terabyte (TB) de gravações de movimentos “absolutamente malucos” – como se pode ver no vídeo de lapso de tempo que ele divulgou na época.

Esse tipo de evento é tão fascinante, que até os astronautas apreciam fotografá-lo a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS), como aconteceu em março.

Alguns fenômenos semelhantes, mas que não são auroras, também foram registrados nos céus este ano, como um raro arco de luz vermelho sangue flagrado sobre a Escandinávia em abril, além de STEVEs e SARs (saiba o que significam esses termos aqui).

Uma das exibições de auroras mais espetaculares deste ano foi um show de luzes multicoloridas ocorrido em abril em Saariselkä, no norte da Lapônia finlandesa. A aurora brilhante foi capturada com um grau excepcionalmente alto de detalhes, com uma magnífica diversidade de cores: amarelas, verdes, vermelhas, roxas e suas variedade de tons.

Leia mais:

Outros

Em 2023, também tivemos inúmeras movimentações no Sistema Solar, com grande parte delas noticiadas pelo Olhar Digital, como conjunções da Lua com os planetas ou interplanetárias, ocultações astronômicas, objetos em afélio e periélio e muito mais. E convidamos você a permanecer conosco em 2024, para acompanhar todos os eventos astronômicos marcantes do ano que vem!

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